Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Pedro Rolo Duarte

09
Mai13

Trissemanários

Leio no Expresso online: «Pedro Passos Coelho e Paulo Portas estiveram reunidos com os deputados do PSD e do CDS, na Assembleia da República, e apresentaram-se com discursos perfeitamente sintonizados, de acordo com fontes que assistiram à reunião, à porta fechada. Nem um nem outro se referiu directamente às divergências dos últimos dias por causa da taxa sobre as pensões de reforma anunciada pelo primeiro-ministro - mas ambos sublinharam que têm estado a "consensualizar" medidas que sejam "socialmente menos penalizadoras"».

Estes senhores andam a gozar com o pagode. À sexta. Ao domingo. E à quarta-feira. Quando era miúdo, havia jornais assim, saíam três vezes por semana, e chamavam-se trissemanários. Agora há políticos.

Vantagem dos jornais desse tempo: não gozavam com o pagode. Era tudo mais a sério.

 

07
Mai13

Palavras à solta

 

Liberdade é escrever uma canção e poder brincar com o que aparentemente não tem sentido:

Miro o teu mio

Rio no teu rio

Vadio do teu rito

Sorrir no teu mito

Ainda que todas as palavras digam qualquer coisa, e todos os conjuntos de palavras façam um qualquer sentido:

Sem querer fui ter

Ao que era o ser

Tu a ler, eu a ver

Meu amor, beber

Mesmo que pareça tudo estranho, e demore tempo a entranhar-se:

Quem de nós se pôs

Com que pó, arroz

Como o nó deu dor

Como a cor deu pó

Brincar com palavras e imaginar músicas pode ser uma revelação. Uma surpresa. Um novo patamar na relação com as palavras:

Por fim vou rir

Por fim vou pôr

Por fim vou ser

Vem, verbo ir

Vou contigo, amor

No moinho, a mó

Vai dar pão, viver.

Experiências, brincadeiras, finais de noite sem fim. Um dia destes, quem sabe...

01
Mai13

Um poeta numa rua de Lisboa

 

Passava ontem pela Rua Marquês de Sá da Bandeira, ali junto à Gulbenkian, e depois de ver escrito numa parede “Queremos tudo!”, e sorrir com esse pedido singelo de um anónimo pintor de paredes, tropecei neste bocado de chão – ou melhor, neste bocado de excepção ao empedrado do passeio.

Não escondo a minha ignorância, nem a minha curiosidade. Quando cheguei a casa fui googlar o nome de Herman de Coninck, para perceber o mistério daquela placa gravada no chão. O mistério, claro, é o da morte de um poeta numa rua de Lisboa. A caminho de um encontr de poetas. No blog Poesia & Lda, João Luís Barreto Guimarães escreve sobre ele: “um dos mais importantes flamengos do pós-guerra, foi mais um desses poetas europeus – como Egito Gonçalves, – que tanto incomodaram os puristas por possuir uma notável capacidade de apreender de um quotidiano aparentemente estéril e banal, instantes sagazmente luminosos, através do uso de uma linguagem com notável capacidade discursiva, onde o humor não é o menor dos seus recursos. Foi um poeta do seu tempo: a fruição do leitor na leitura dos seus poemas resulta, suponho, da identificação com imagens suas contemporâneas que, com aparente objectividade, se dão a ler no poema”.

E deixou-nos um poema de Herman de Coninck, o poeta no chão de uma rua de Lisboa que mudou o curso do meu dia de ontem. E me deixou a pensar no “Conto de Fadas”: “Era uma vez um homem / Que era sempre justo”.


Rapariga

Tu própria, que podes ter a noção e ao mesmo tempo
o atrevimento de simplesmente expor
de vez em quando uma opinião
ou um seio: quando começa isso,

e no fundo quando acaba? As mulheres
são feitas de raparigas, aos quarenta
ainda deitam a língua de fora como aos quinze,
ficam cada vez mais jovens,

não sabem não seduzir. Como a poesia:
um gato que prudentemente caminha sobre as teclas
de um piano e olha para trás:
ouviste? viste-me?

Ah, o ar jovem das raparigas de quarenta,
como umas vezes querem, e outras não,
mas afinal sempre, se repararmos bem.
Onde estão os bons velhos tempos? Estão aqui, esses tempos.

 

Herman de Coninck

Pág. 2/2

Blog da semana

Gisela João O doce blog da fadista Gisela João. Além do grafismo simples e claro, bem mais do que apenas uma página promocional sobre a artista. Um pouco mais de futuro neste universo.

Uma boa frase

Opinião Público"Aquilo de que a democracia mais precisa são coisas que cada vez mais escasseiam: tempo, espaço, solidão produtiva, estudo, saber, silêncio, esforço, noção da privacidade e coragem." Pacheco Pereira

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mais comentários e ideias

pedro.roloduarte@sapo.pt

Seguir

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D