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Pedro Rolo Duarte

14
Set13

Como se falasse comigo. Como se me desse uma ordem...

... Tantas vezes preciso dela. Da ordem. E dele, do escritor:

"Não penses. Que raio de mania essa de estares sempre a querer pensar. Pensar é trocar uma flor por um silogismo, um vivo por um morto. Pensar é não ver. Olha apenas, vê. Está um dia enorme de sol. Talvez que de noite, acabou-se, como diz o filósofo da ave de Minerva. Mas não agora. Há alegria bastante para se não pensar, que é coisa sempre triste. Olha, escuta. Nas passagens de nível, havia um aviso de «pare, escute, olhe» com vistas ao atropelo dos comboios. É o aviso que devia haver nestes dias magníficos de sol. Olha a luz. Escuta a alegria dos pássaros. Não penses, que é sacrilégio".
Vergílio Ferreira, "Conta-corrente"

11
Set13

Dúvida metódica

Concordo com a posição generalizada das televisões quanto
à cobertura das eleições autárquicas: que seria da nossa paciência se tivéssemos de gramar à hora do jantar com todo o bicho careta que se candidata a uma camara municipal? Os “tesourinhos deprimentes” que circulam pela net são a prova provada de que é essencial seguir critérios editoriais rigorosos…

… Mas, por outro lado, interrogo-me sobre o argumento oportuno de Garcia Pereira: enquanto a cobertura eleitoral privilegiar os partidos representados na Assembleia da Republica e ignorar liminarmente todos os outros, incluindo os independentes – até porque os media cada vez têm menos meios para poder desbravar o país real e relevar o trabalho ou as propostas dos que podem fazer a diferença -, a “cepa torta” de que falamos quando falamos de políticos, manter-se-á dominante sobre as nossas cabeças.

Não sei como sair deste beco – mas sei que os media têm o direito à sua escolha editorial, tanto quanto os independentes, os pequenos partidos, e aqueles cuja voz nunca chega ao horário nobre, deviam poder ter direito ao “play-off” que nos permitisse descobrir, entre tantos, os novos políticos que já merecíamos ter…

09
Set13

Pintar palavras

Foi o que fez a Joana Arez e está agora à vista de todos. Um texto meu, já antigo, que circula por aí, foi parar às mãos e às tintas dela.

Gostei muito do resultado. Nunca tinha visto as palavras que escrevi transformadas em arte. Mas foi isso mesmo que a Joana fez. Vão ver, se puderem...

 

08
Set13

Quantas vidas tem uma banda rock?

 

Foi esta a pergunta que me ocorreu no sábado, em pleno hipódromo de Cascais, quando fui surpreendido com o concerto dos GNR no âmbito do festival Remember. Fui lá parar (em boa companhia, é certo…) um pouco às escuras, só sabia que ía ver os velhinhos Waterboys – cujos temas “A Girl Called Johnny” e “The Whole of the Moon” tanto animaram os programas de rádio que fiz nos anos 80… - e de repente estou de caras com o Rui Reininho em plena forma (e com que voz…), e com uns GNR absolutamente arrasadores na energia em palco, na forma como recriam alguns dos seus clássicos (o “novo” “Sete Naves” é esmagador), no profissionalismo e entrega à prestação, e mesmo na construção de um alinhamento precioso para um espectáculo de festival rock, arriscando na “Pronuncia do Norte” tanto quanto acertando em pleno nos clássicos “Video Maria” ou “Morte ao Sol”.

A morte dos GNR já foi anunciada muitas vezes – mas foi exagerada a noticia. Continuam manifestamente vivos – e arrisco-me a dizer que estão mais vivos agora do que em muitas vidas passadas.

 

 


 

06
Set13

Função & território

Já estava escrito, e bem escrito, nada como citar e agradecer. É do Henrique Monteiro, na sua coluna online do Expresso. E explica por que motivo o Tribunal Constitucional acaba de dar um tiro no seu próprio pé. Ainda que, por mim, mantenha a ideia da sua relevância nos dias que correm...

Escreveu então o Henrique:

 

"A lei é clara e não permite candidaturas de quem esteve três ou mais mandatos à frente de uma Câmara.

Citando o que está escrito no diploma "O presidente de Câmara Municipal e o presidente de Junta de Freguesia só podem ser eleitos para três mandatos consecutivos". Como muito bem nota José Carlos Vasconcelos, cronista da revista "Visão", jornalista, jurista e um dos decanos do comentário político em Portugal, o diploma em análise não faz qualquer distinção entre função e território. Se quisesse fazer - adianta - era "imperioso - e simplicíssimo - acrescentar a "três mandatos consecutivos" a frase "na mesma autarquia".

Vasconcelos nota ainda, cheio de razão, que este tipo de debate feito à volta de leis claras, posteriormente tornadas mais complicadas ao ponto de apenas especialistas e os próprios redatores se arvorarem em capazes de as entender, acrescenta uma ideia "nociva para a democracia e a Justiça: a de que as leis não são feitas para ser lidas e compreendidas pelos cidadãos comuns a que se destinam, antes para ser 'interpretadas' por iluminados que podem sustentar e impor que elas não dizem o que os ditos cidadãos nelas leem, mas outra coisa" (...) São estes tipos de raciocínios, sobre raciocínios levados a extremos de exegese e de hermenêutica que os aproximam da cabala, que afastam o cidadão comum da Justiça e a Justiça do cidadão comum.

E convém recordar que a Justiça - em todas as suas aceções - é a primeira das causas a que se destina a política".

04
Set13

Saber tocar piano, evidentemente.

(A minha amiga Anabela Mota Ribeiro recordou-me no seu blog que no Verão de 2010 lhe respondi a uma reinvenção do Questionário de Proust. Ficou assim e saiu no Jornal de Negócios)

 

Proust disse que uma necessidade de ser amado e cuidado era a sua característica mais marcante. Mais do que ser admirado. Qual é a sua?

A necessidade de existir quem eu ame. E me ame. Para que quem me ame (e eu ame) possa apreciar o que sou, e dizer-me como fazer para ser melhor.

 

Qual é a qualidade que mais aprecia num homem? Proust falou de “charme feminino”...

A forma inteligente e oportuna de dizer o palavrão certo no momento ideal.

 

E numa mulher? Ele mencionou “franqueza na amizade” – golpe baixo para as mulheres ou sagaz comentário?

A aparente futilidade de uma unha muito bem pintada. Só comparável a um sentido de humor irrepreensível.

 

Ternura, desde que acompanhada de um charme físico..., era o valor mais precioso nas amizades de Proust. E nas suas?

Ternura, acompanhada de Chico Buarque: “Oiça um bom conselho...”

 

Vontade fraca e incapacidade para entender, foi a resposta que deu quando lhe perguntaram qual era o seu principal defeito. Partilha destes defeitos? E que outros pode apontar?

Excesso de sinceridade, uma terrível incapacidade de disfarçar a impaciência.

 

Qual é a sua ocupação favorita? Amar, disse ele...

Enquanto sinto que amo, passar as folhas de livros, revistas, jornais, e olhar o meu filho enquanto ele passa as folhas de livros, revistas e jornais. Além disso, mergulhar no mar.

 

Qual é o seu sonho de felicidade? A resposta de Proust é esquiva: não fala de molhar madalenas no chá e diz que não tem coragem de o revelar... Mas que não é grandioso e que se estraga se for posto em palavras. O que é que compõe o seu quadro de felicidade?

Um hotel rural, um restaurante, a minha mulher da minha vida, o meu filho e a filha que me falta. Tudo no mesmo lugar, com Sol e mar muito perto. Ah, claro, e a revista que ninguém ainda quis fazer...

 

O que é que na sua cabeça seria a maior das desgraças? Proust respondeu, aos 20 anos: “Nunca ter conhecido a minha mãe e a minha avó”. Mas aos 13 respondeu apenas quando lhe perguntaram pela maior dor: “Ser separado da mamã”.

A maior das desgraças é um verbo: perder. Para quem vive sem sentir, perder qualquer coisa. Para quem vive a sentir, perder pessoas. Perder.

 

Quando lhe perguntaram o que é que gostaria de ser, respondeu: “Eu mesmo”, aos 20, e Plínio, o Novo, aos 13. As suas respostas seria diferentes? Quem gostaria de ter sido aos 13 anos? E agora?

Aos 13, jornalista. Aos 43, gostaria que nunca aos 13 o quisesse ter sido.

 

Proust gostaria de viver num país onde a ternura e os sentimentos fossem sempre correspondidos. O país onde gostaria de viver existe deveras? Onde fica?

O meu país fica no meu coração, do meu filho e daqueles que amo. Quando estes corações se juntarem, há um novo país na Europa. Não pertencerá à União, presumo...

 

Quais são os seus escritores preferidos? No momento em que respondeu, Proust lia com especial prazer Anatole France e Pierre Loti.

Pessoa, Vergílio Ferreira, O’Rourke, Paul Auster, Patrícia Highsmith, e o que há de escritores em Miguel Esteves Cardoso, Vasco Pulido Valente e Miguel Sousa Tavares.

 

E os poetas? Ele mencionou dois, e um deles faz parte das listas eternas: Baudelaire.

Eu diria Pessoa, e nalguns dias O’Neill. Noutros Herberto Hélder. Também ficava com Ruy Belo.

 

Qual é o seu herói de ficção preferido? Aos 13 anos, Proust falou de Sócrates e Maomé como figuras históricas de eleição... E aos 20, referindo-se às mulheres, elegeu Cleópatra.

Claramente, Tintin. Nos dias mais solarengos, Óbelix e o seu cão Ideafix.

 

Quem é o seu compositor preferido? Aos 13 anos, escreveu Mozart, aos 20 Beethoven, Wagner, Schumann. Mas Proust não podia conhecer Tom Jobim ou Cole Porter...

Aos 20, Sting. Aos 30, Caetano Veloso. Aos 40, David Sylvian. Aos 50, estou certo de que será Bach.

 

Proust não foi contemporâneo de Rothko. E escolheu Da Vinci e Rembrandt como pintores favoritos.

Por mim, Miró e Picasso. Sou ignorante.

 

Quem são os seus heróis da vida real? Ele apontou dois professores.

O meu pai. Vergílio Ferreira. Carlos Cruz. A professora Maria Teresa Torrado. Um homem comum: Miguel Esteves Cardoso. Dois políticos corajosos: Soares e Cunhal. Quis limitar a escolha aos nacionais, se fosse agora internacionalizar...

 

“Das minhas piores qualidades”, respondeu o escritor da “Recherche” quando lhe perguntaram do que gostava menos. E no seu caso?

Da mentira e da corrupção (sejam elas práticas ou apenas ensaiadas).

 

Que talento natural gostaria de ter? As respostas de Proust são óptimas: “Força de vontade e charme irresistível”!

Saber tocar piano, evidentemente.

 

Como gostaria de morrer? “Um homem melhor do que sou, e mais amado”.

Depressa e bem, apesar do ditado dizer que “não há quem”.

 

Qual é o seu actual estado de espírito? “Aborrecido. Por ter que pensar acerca de mim mesmo para responder a este questionário”. Pensar em quem é traz-lhe aborrecimento?

O meu estado é mais de alma do que de espírito, mais de pensar do que fazer, ainda que a inquietação me obrigue a fazer mais do que pensar. Em suma: estou na mesma.

 

Proust era condescendente em relação às faltas que conseguia compreender. Quais são aquelas que irreleva?

Impaciência, e duas faltas que redundam em pecados: gula e luxúria.

 

Por fim, preferiu não responder qual era o seu lema, temendo que isso lhe trouxesse má sorte... É supersticioso como Proust? O que é que o faz correr?

Infelizmente, alimento dois lemas há uma porrada de anos. Um: água e sabão lavam tudo. Outro: a seguir virá melhor.

 

 

 

02
Set13

O que me comove

Há poucas semanas recebi um mail de Luis Pereira que dizia assim: “Boa Noite, Pedro. Há dias, a ouvir o Hotel Babilónia em pleno Alentejo, sobre "O" Vinicius, senti-me profundamente em divida consigo pois prometi-lhe há um par de anos um álbum sobre o DNA que nunca lhe enviei (…). O álbum continua ali, pronto a enviar. Só lhe pergunto se mantém a mesma morada, que gentilmente me facultou, de forma a poder retribuir os bons momentos de leitura e companhia que me tem proporcionado”.

 

 

 

 

 

 

Confesso que a minha memória galinácea me impediu de lembrar com rigor o contacto anterior que teria havido com Luis Pereira, ainda que uma campainha qualquer tivesse tocado. Por isso, não hesitei em dar-lhe a morada actualizada. Uns dias depois, recebi em casa um álbum fotográfico cuja ideia é aquela que escassamente (porque o album é de uma riqueza absolutamente devastadora…) aqui vos mostro: fotografias do DNA - suplemento que criei e dirigi, durante 10 anos, entre 1996 e 2006, no Diário de Notícias - nos mais diferentes lugares de Portugal e do Mundo, nas situações mais díspares, umas mais humoradas e irónicas, outras a deixar-nos pensar no que é realmente essencial na vida. O Luis Pereira, que é um profissional dos aviões e por isso anda pelo mundo fora, deu-se ao trabalho de levar o “meu” DNA (… e da Sónia, e do Luís, e do Augusto, e da Carmo, e do Paulo, e enfim, de tantos…) com ele, e ir tirando fotografias, analogicamente, à antiga, para “memória futura”.

A “memória futura” foi este album – que me encheu de emoção, que me comoveu, que me deixou sem palavras. O jornalismo, quando é feito com amor e paixão, é sempre recíproco e dá frutos que estão bem para lá da audiência de cada dia. Essa lição, que o DNA me deu (como a K e até O Independente), faz-me olhar para a realidade actual do jornalismo com uma interrogação permanente: é apenas uma crise dos media e do mercado, ou é uma crise de amor e paixão pelos media e pela forma como se exerce esta profissão nos tempos 2.0?

Não pretendo responder, mesmo tendo a resposta na ponta da língua. Mas as imagens que o Luis me enviou, num álbum comovente e cheio, respondem por mim. Disso tenho a certeza. E por isso estou grato, muito grato, ao Luís Pereira.

01
Set13

O Tribunal do Povo

Portugal está doente há muito tempo, todos o sabemos. Porém, quando um partido político decide confrontar e pôr em causa um órgão institucional independente, como o Tribunal Constitucional, a doença corre o risco de se tornar epidémica e crónica.

Parece que o porta-voz do PSD, Marco António Costa, terá acusado os juízes do Tribunal Constitucional de uma “interpretação conservadora” do texto fundamental. Cito, dos jornais: “A interpretação que é feita de alguns princípios constitucionais leva, na nossa óptica, a um imobilismo absoluto e a uma incapacidade reformista do Estado”. O dito tribunal chumbou esta semana o regime jurídico da “requalificação de trabalhadores em funções públicas”, cuja “fiscalização abstracta preventiva” fora pedida por Cavaco Silva, depois de aprovado na Assembleia da República. E terá feito bem, de acordo com a Constituição.

Na qualidade de cidadão independente, fico agradado pela circunstância de haver um conjunto de juízes que zela pelo cumprimento da Constituição de República, aprovada pela esmagadora maioria dos portugueses. E fico ligeiramente menos intranquilo por saber que, enquanto houver Tribunal Constitucional, não será possível que nós, comuns cidadãos, sejamos sacrificados e condenados pelas asneiras que sucessivos governos fizeram e nos conduziram à miséria em que estamos.

Assim, ainda que não veja saída para a doença nacional, baixa-me a tensão saber que ainda existe o Tribunal Constitucional. Mas, pela mesma razão e medida, estou inteiramente de acordo com Henrique Monteiro na sua coluna online do Expresso: “Veremos (…) como vai o Tribunal Constitucional decidir sobre as candidaturas dos chamados 'dinossáurios' autárquicos. Do meu ponto de vista a lei é clara e não permite candidaturas de quem esteve três ou mais mandatos à frente de uma Câmara. Citando o que está escrito no diploma "O presidente de Câmara Municipal e o presidente de Junta de Freguesia só podem ser eleitos para três mandatos consecutivos". Como muito bem nota José Carlos Vasconcelos, cronista da revista "Visão", jornalista, jurista e um dos decanos do comentário político em Portugal, o diploma em análise não faz qualquer distinção entre função e território. Se quisesse fazer - adianta - era "imperioso - e simplicíssimo - acrescentar a "três mandatos consecutivos" a frase "na mesma autarquia".

Em resumo: tranquiliza-me saber que existe um tribunal que avalia leis e decretos em função do respeito que obedecem à Constituição da Republica, impedindo abusos e excessos sempre tentadores de quem governa – mas também espero que esse trabalho independente da politica rasteira do dia-a-dia se mantenha e eleve em temas que, por não mexerem directamente com a administração publica, poderiam ser alvo de um olhar mais negligente – como sucede com as eleições autárquicas.

Lá está: espero que o Tribunal Constitucional seja tão rigoroso com os autarcas eternos como foi agora com a eterna imobilidade do estado.

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Blog da semana

Mesa do ChefePara quem, como eu, gosta de cozinha, gastronomia e restauração, este é mais um dos poisos certos...

Uma boa frase

O Insurgente“Isaltino Morais: perda de mandato autárquico; condenado a 9 anos de prisão por fraude fiscal, abuso de poder, corrupção passiva para acto ilícito e branqueamento de capitais. Resultado 2017: 41.7% Esta é a imagem do país. Em suma, temos o país que merecemos, com os políticos que merecemos, com o fado que merecemos." Mário Amorim Lopes

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