Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Pedro Rolo Duarte

11
Out13

Breve lugar-comum de sexta-feira

Quando encontramos amigos de há muitos anos, ou recordamos tempos passados, há sempre um momento em que alguém –não raras vezes… eu… - diz algo como: “se eu soubesse que a vida ía ser assim, tinha feito de modo diferente aqui ou ali”.

O princípio está certo. O fundo está errado: se eu soubesse que a vida ía ser assim, não teria feito a vida que fiz, por isso não estaria onde estou, e daí não posso sequer imaginar se a desejaria diferente ou igual. A equação desfaz-se em pó, por ela própria, sem dó nem piedade.

Resta-me viver a vida como ela existe, aqui onde cheguei, sem imaginar como aqui chegaria de outro modo, nem sequer se chegava. A verdade é que cheguei.

O resto? É o que aí vem e o melhor que dele souber fazer.

09
Out13

No nascimento da Amieira

 

Quando ouvi falar pela primeira vez do Manuel Falcão, eu era um estagiário/colaborador de jornais, e ele era já um fotógrafo credenciado, critico de musica, e preparava-se para fundar o jornal “Blitz”. A nossa relação não começou da melhor maneira – eu tinha a mania que era mau e ele não deixava nada por dizer… - mas um dia encontrámo-nos n’O Independente e percebemos que era mais aquilo que nos aproximava do que o que nos mantinha afastados. Quis o destino – e a administração da Projornal… – que fossemos juntos, no final dos anos 80, dirigir o “Sete” e tentar recuperar-lhe vendas e audiências. Partilhávamos o gabinete e não adiámos a rendição: tornámo-nos mesmo amigos. Até hoje.

Entre muitos gostos comuns – jornais, revistas, jornalismo, tecnologia, musica, gastronomia… -, a fotografia foi seguramente uma das paixões que o Manuel sempre alimentou, e em que aprendi com a sua sensibilidade e conhecimento. Não me surpreendeu, portanto, que passados tantos anos, e andando ele em aventuras mais ligadas à gestão do que à arte, ainda assim o bichinho não tenha morrido.

Tornando curta uma longa história: o Manuel Falcão acaba de ousar – é de ousadia e coragem que se trata - criar uma editora de livros dedicados à fotografia. A Amieira – titulo que foi buscar à sua terra-natal, à origem, ao fundo dos fundos… - nasceu agora, com um primeiro livro, “Ao Correr do Tempo”, de Luiz Carvalho, que nos mostra um lado menos conhecido do fotógrafo que nos habituámos a ver mais ligado ao fotojornalismo de actualidade. O livro é cuidado na edição e grafismo, é discreto sem ceder na qualidade, é elegante e de incontornável bom gosto.

Tenho muito orgulho em ser amigo de um homem que ousou o caminho mais difícil – e estou grato por ter conhecido um Luiz Carvalho que ainda não conhecia. Portugal precisa de gente assim, que saiba o que faz e que não deixe morrer a paixão e a coragem às mãos do desânimo e da realidade. Obrigado, Manuel.

07
Out13

Memória muito cá de casa

Quando verifico que amanhã o bar/discoteca Lux assinala o seu 15º aniversário, solto o inevitável “bolas, isto passa tudo a correr”, e recuo no tempo. Não ao ano da abertura, mas ao ano seguinte: 1999. Desafiado pelo Gonçalo Bullosa e pelo António Lobato Faria, aceitei juntar mais de vinte anos de crónicas, escolher as que entendia terem existência para lá do dia em que foram publicadas, e compor um livrinho que seria a primeira obra da nova editora "Oficina do Livro". Chamei-lhe “Noite em Branco”, porque a soma daqueles textos resultava de muitas noitadas de escrita solitária. E ousei sugerir que o lançamento, para variar dos sítios do costume, fosse justamente no primeiro andar do Lux. Confesso que, quando lancei a ideia, julguei-a impossível – pelos custos financeiros, por ser fora da caixa, por tudo. Mas a Oficina do Livro era, naquele arranque, um sonho onde tudo se concretizava – e o Manuel Reis nunca deixou de ser um homem aberto ao novo. O encontro foi feliz – e o meu primeiro livro, “Noites em Branco”, também o primeiro da “Oficina do Livro”, foi mesmo lançado no Lux, estreando uma possibilidade que depois se repetiu com muitos outros autores e livros. Foi uma noite intensa, emocionante, inesquecível. Publicar um livro, pelo menos um primeiro livro, é uma outra forma de ser pai.

Passaram 14 anos. Publiquei mais dois livros. Vou pensando em novas ideias – quem sabe, um dia destes volte a publicar. E quem sabe se volto ao mesmo Lux onde amanhã faço a clássica "saúde!" a 15 anos de sucesso e felicidade. Eu acredito que se pode mesmo voltar a um lugar onde fomos felizes.

Pág. 2/2

Blog da semana

Por Falar Noutra Coisa. Humor neste reacordar do blog. Rir é o melhor remédio. Lugar comum indiscutível.

Uma boa frase

“Sucessivos governos ficaram irritados, o actual vai um pouco mais longe, esquecendo que votar é um direito mas nunca uma obrigação. Em países desenvolvidos os cidadãos até votam durante a semana, ao passo que na choldra querem proibir jogos de futebol para obrigar o povo a ir votar." António de Almeida, Aventar

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mais comentários e ideias

pedro.roloduarte@sapo.pt

Seguir

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D