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Pedro Rolo Duarte

31
Jan14

Apesar dos pesares, um grande jornal

 

 

A notícia da saída de Pedro J. Ramirez da direcção do diário espanhol El Mundo apanhou-me de surpresa, confesso. Para variar, soube-a pelo Facebook via André Macedo, que o considera “o melhor director de jornais dos últimos 20 anos na Peninsula Ibérica”. Não vou tão longe quanto o André, cujo texto sobre Ramirez é obrigatório (e é tanto sobre Ramirez como sobre o jornalismo que ambos defendemos), porque me lembro de Juan Luis Cebrian, mas também não esqueço Vicente Jorge Silva, Paulo Portas ou Miguel Esteves Cardoso, cada um no seu estilo. Adiante.
Ramirez não sai inocentemente do cargo: sai porque a sua direcção se tornou insustentável para a empresa dona do El Mundo na sequência do chamado caso Barcenas (corrupção forte e feia no Partido Popular, de que o jornal é assumidamente próximo. E daí…).
O El Mundo denunciou e acompanhou até às entranhas a história desencadeada pelo tesoureiro do Partido Popular e foi obviamente sofrendo as consequências de toda a espécie que o escândalo convocou. Ainda que conservador, o jornal não fugiu ao confronto com a sua própria esfera politica, numa manifestação de independência e rigor que orgulha qualquer jornalista que se preze. Pedro J. Ramirez era  é desses, dos que enfrentam, confrontam, e seguem em frente - e foi assim durante 25 anos. Ficou ferido neste confronto fatal para a sua liderança, mas está vivo e bem vivo.
Mas o mais surpreendente em todo este processo é que não apenas Ramirez continuará a assinar a sua famosa carta dominical, como o jornal, na edição de hoje, lamenta em editorial a saída do director, esclarece sem meias-palavras que ela resulta do caso Barcenas e das suas ondas de choque, e dedica duas páginas e parte da primeira página à saída de Ramirez, num elogio rasgado e num lamento profundo. Mesmo admitindo que o novo director (o braço-direito de Ramirez de há muito) garante a continuação da linha editorial, o El Mundo não hesita em tratar de forma independente um processo desta delicadeza.
Só um grande jornal, só um jornal maduro, sério e inteligente, saberia encarar com dignidade, elevação e verdade uma noticia em que ele é o protagonista. Eu já gostava do El Mundo, agora tenho-lhe o maior e mais empenhado respeito. Apesar dos pesares.

 

28
Jan14

O que começa mal e depois se endireita

A minha relação com a escritora Rita Ferro começou da pior forma, com uma negligência profissional minha, para mais imperdoável. Numa capa do DNA apelidei-a de escritora “cor-de-rosa”, incluindo-a no lote daquelas autoras a quem esse “apelido” foi posto, algures lá pelos anos 90 do século passado.
A Rita reagiu de forma admirável: mandou-me todos os seus livros acompanhados de um cartão onde sugeria que lesse um, dois, ou todos. E depois rectificasse a adjectivação. Para melhor ou para pior. Tudo sem azedume nem agressividade - só ironia, sarcasmo, e todo o humor do mundo. Rendi-me, claro.
Não apenas me tornei admirador da Rita no mesmo minuto, como uma semana depois pedia desculpa aos leitores do DNA pela minha escorregadela. Quem as não dá? Rita Ferro tinha toda a razão.
Uns anos mais tarde entrevistei-a na SIC-Mulher e percebi o fundo fantástico da mulher que, por complexo ou pura parvoíce, embrulhei num daqueles estereótipos que nós, jornalistas (e digo-o sem qualquer orgulho), muitas vezes criamos para nos facilitar a vida.
Adiante. Daí para a frente, a Rita Ferro é pessoa que estimo, admiro, e leio. Recebi agora o primeiro volume do seu diário, “Veneza Pode Esperar”, e em poucos dias estava lido. Entre muitas passagens que podia assinar por baixo, deixo esta:
“Esta mente insidiosa lá arranjou um estratagema para me cegar momentaneamente na hora de prevaricar: entre o desejo e a satisfação, dá-se no meu cérebro uma disrupção de consciência que me permite gozar o momento e arrepender-me só depois”.

Não é que sofro do mesmo mal? Ainda ontem, com os croquetes da Versailles. Ou de certeza amanhã.

25
Jan14

Inesperadamente, uma canção

(Crónica originalmente escrita para a revista Lux Woman. A deste mês já saiu do forno, quentinha...)

 

Nunca fui dado à poesia. Não fora Eugénio de Andrade, no começo da adolescência, e depois Fernando Pessoa, e estava condenado à ignorância. Não que me sinta especialmente letrado, mas pelo menos acabei por chegar, por essa via, a poetas como Herberto Helder e Ruy Belo, e ser capaz de gostar ou desgostar - sem receio, de me encantar por um qualquer Quim Barreiros do poema…
O que não esperava era, uma vez mais, que a vida me surpreendesse nesse domínio. E a história começa num noite de Primavera, numa esplanada junto ao rio, à conversa com um conhecido e reconhecido musico/cantor português. Falávamos dos caminhos da musica, e às tantas ele lança-me um desafio:
- Já experimentaste escrever letras de canções?
Nunca tinha pensado em tal coisa. Na verdade, para mim, letras de canções são poemas musicados, e nessa medida estão longe do universo a que me dedico. Mas aquele meu amigo, também ele compositor, não apenas me desafiou como quase me disse "aposto que és capaz!".
Garanto-vos: não há nada pior (ou será melhor?) do que desafiarem um homem do signo Touro. Imaginem o animal que o representa numa arena - assim me sinto eu, como se tivesse alguém à minha frente com uma capa encarnada a desafiar um olhar que se deixa cegar pela cor.
Nessa mesma noite, escrevi três poemas - para mim, com toda a modéstia, letras de canções. Nas semanas seguintes, foram dezenas que me deixaram acordado pela noite dentro. Entre rascunhos e composições completas, em pouco tempo eu tinha 60 letras de canções. A coisa cresceu de tal forma, e com tal gosto, que senti absoluta necessidade de me controlar e parar. Rever e aperfeiçoar o que estava escrito. Ter distancia critica para apagar e esquecer muitas das parvoíces que deixei correr no teclado do computador.
Quando, por fim, quis tomar decisões, escolhi seis "textos". Enviei-os ao meu amigo. E fiquei, entre o receio e o desalento, a pensar que nada do que tinha escrito valia a pena. Até que, alguns dias depois, ele respondeu: gostei destas "letras" (mais de metade de minha escolha...), e vou trabalhar especificamente em cima de uma. No momento, confesso, nem percebi muito bem o que ele quis dizer com aquilo. Uns meses depois, quando me telefonou e disse que a canção estava composta e ia entrar em estudio para a gravar, continuei numa espécie de estado de negação, sem perceber em rigor o alcance da coisa.
Até que, há dias, ele me entrou pela casa dentro com um CD nas mãos. Era o seu novo disco, onde às tantas - em rigor, na faixa 7… - estava o putativo poema que havia escrito. Entre o aturdido e, como diz um amigo, "abazurdido", coloquei o disco no leitor e sentei-me para ouvir.
O que vos posso dizer? Que não julgava possível, quase aos 50 anos, com 30 de trabalho em cima de palavras, ter ainda um verdadeiro "baque" de comoção e emoção ao confrontar-me com palavras que escrevi - e subitamente estavam ali, a ecoar na sala, musicadas, cantadas, interpretadas. Como se ganhassem uma vida que nunca pensaram ter, como se tivessem sido promovidas a um patamar superior de vida.
Foram dias a fio a ouvir-"me". A sentir o indizível e cada palavra, e cada estrofe, como se conseguisse imaginar quem ouve de novo e sente pela primeira vez. Há qualquer coisa de egocêntrico neste momento, mas prefiro achar que é tudo uma enorme surpresa. No mês que vem, a canção cuja letra escrevi andará por aí, deixará de ser minha, poderá ser de tantos como de tão poucos. Pouco importa. Chegar ao ano em que faço meio século de vida e conseguir, uma vez mais, surpreender-me e comover-me com as palavras, só pode dar razão a quem um dia me disse: pode acabar a água e o sol, mas as palavras, nem que sejam as que gritam por água e sol, acabam mais tarde. E, acrescento: podem sempre surpreender um pouco mais.

24
Jan14

Ditadura etária

Conversando com um amigo sobre o estado actual do mercado de trabalho na área dos media e da comunicação - e pelos vistos, de muitas mais áreas -, ele explicou-me (com a experiência de liderar, directa e indirectamente, várias empresas) a dificuldade em conseguir trabalho depois dos 45 anos:
“Vivemos o tempo da ditadura etária. Ninguém a impõe deliberadamente, mas é mesmo assim: quem manda nas empresas e nos projectos são pessoas de 40 anos, e só contratam gente de 30 ou de 20. É a ditadura. Eles não querem lá gente com 45 ou 50. Não querem, ponto.”
Não vou abrir uma guerra de gerações, mas deixem-me que diga: sou do tempo em que nos jornais, nas rádios, nas televisões, não havia essa ideia de “novo” e de “velho” - havia a diferença entre ter mais garra e menos experiência, por contraste com mais ponderação mas muita experiência. A memória e o saber dos mais velhos eram admiradas e respeitadas, e ninguém tinha medo de perder espaço porque havia gente com mais "carreira" em lugares menos destacados.
Também me lembro dos estudos de mercado que diziam que os pivots de Telejornal mais respeitados, bem como os comentadores de imprensa, eram aqueles cuja imagem revelava alguma idade, fosse pelos cabelos grisalhos ou por qualquer outro sinal. Não era dogma, era apenas um indicador.
A minha memória é essa, que apura os melhores independentemente da idade: pelo DNA passaram pelo menos dois editores bem mais velhos do que eu, que era director: no “Se7e”, com o Manuel Falcão, idem; na “Visão”, o Cáceres Monteiro nunca se sentiu ameaçado pela presença de editores mais velhos; no DN, com o Mário Bettencourt Resendes, a mesma coisa. Até quando o Miguel Coutinho e o Raul Vaz me foram buscar para a direcção desse mesmo DN, convidámos outros subdirectores mais velhos, como o António Peres Metelo. A idade não é um posto, mas é uma mais-valia.

Não me sinto de todo envelhecido, e não penso que esta análise do meu amigo me afecte objectivamente (ainda que, num caso ou noutro, a ela possa recorrer para explicar determinados “fenómenos”…). Mas fiquei muito desanimado com a ideia de um país que despreza a experiência e o conhecimento acumulados. É obviamente um país pobre, triste, e condenado. Por mais que nos vendam números e défices e PIB’s e merdas desse género.

20
Jan14

Uma espécie de granizo

Um dos talentos literários mais consistente que por aí circula chama-se Nuno Costa Santos. Conheci-o nos tempos do DNA, para onde escreveu com alguma regularidade, e sigo-lhe os passos nos trabalhos de televisão mas também no mundo dos blogues. O seu mais recente compromisso - resolução para 2014: escrever um post por dia - está a ser meticulosamente cumprido, o que muito me agrada…
Dos posts dos últimos dias no seu blog, apaixonei-me pela expressão “granizo relacional” - lá está, uma daquelas imagens que só o Nuno desencanta nas profundezas da sua criatividade. E é assim:
“O granizo relacional continua a persistir. A fazer o seu caminho indesejável. Há por estas bandas muita, muita gente que se conhece - de hospitais, de repartições, de infantários - e que, quando se encontra na rua, não se cumprimenta. Quando digo rua digo dois metros à porta do sítio onde cruza experiências, respirações e até confissões. É como se só naquele território reservado pudesse falar. Quando sai volta à cidade abstracta”.
Muito bom. E verdadeiro. Leiam o Nuno.

18
Jan14

No baú

Uma pessoa procura uma coisa e encontra outra. No disco onde se guardam os textos do passado, uma crónica publicada na revista Visão em Março de 1998. Há quase 16 anos. Sobre jornalismo - mas basicamentre, sobre o presente que então era uma hipótese de futuro. E aqui fica, para memória futura, e pensando que sim, que já era tempo do jornalismo voltar a encontrar-se em Congresso...

 

"No original, o pequeno livro, pouco mais de cem páginas, chama-se «Cartas a un joven periodista». O tradutor português, bem intencionado, chamou-lhe «Cartas a um jovem jornalista». Esqueceu-se apenas que os jovens espanhóis são, como se verificará adiante, os adultos portugueses. Este caderninho de Juan Luís Cebrián, fundador e ex-director do diário «El País», e actualmente nos cargos directivos da empresa que o edita, deveria ter sido lido, no último fim de semana, na tribuna do 3º Congresso dos Jornalistas. Tem ensinamentos, ideias, experiências, da vida de um grande obreiro do jornalismo europeu, escritos de forma directa, simples, sob a forma de cartas a um jovem candidato à profissão. O conteúdo prova-nos que as cartas são para todos – e em Portugal são especialmente dedicadas aos mais credenciados profissionais.
Ao longo do livro, Cebrián desmonta com elegância o sentido missionário que muitos querem dar à profissão de jornalista: «O jornalista não é um professor nem um sacerdote, é apenas um contador de histórias, um bobo moderno, como dizia Mark Twain, e até um bufão, se for necessário». Mais à frente, sobre aqueles que, ainda assim, estão «convencidos de que estão chamados para a maior missão que imaginar se possa», vai avisando: «não têm vocação de jornalistas, mas de sacerdotes, políticos ou juízes. Não querem contar as coisas, mas explicar a sua concepção do mundo – o que já é competir com os filósofos».
Apesar de reconhecer a importância da formação, Juan Luis Cebrián despreza a ditadura da carteira profissional: «Falar é um privilégio de todo o cidadão livre, não de uma casta social ou profissional constituída por jornalistas, ostentadores de uma carteira profissional ou de um diploma. A liberdade de expressão não é nossa, mas dos nossos leitores. Bastante é que se saibamos geri-la com prudência, sem rudeza, sem medo».
Vai mais longe e sabe encontrar as virtudes e os perigos da relação entre publicidade e jornalismo, entre profissionais e grupos empresariais que detém órgãos de informação, entre patrões e trabalhadores. E, finalmente, fala do futuro – do mesmo futuro que passou tão ao lado do encontro magno dos profissionais: «Em relativamente pouco tempo, os leitores e assinantes vão ter acesso às mesmas bases de dados que utilizam os redactores dos jornais. Em certa medida, vão ser eles também jornalistas ao mesmo tempo que leitores, vão poder participar activamente na busca e ordenação das informações que lhes interessem. E o nosso papel será facilitar-lhes a tarefa de que apliquem o seu próprio critério, e não tratar de o suplantar».
No Congresso dos Jornalistas, só me passou pela cabeça intervir para ler bocados destes textos do fundador do «El País». O livro está à venda, não preciso de «suplantar» a capacidade de busca dos meus pares. Mas confesso que, no que às questões substanciais desta profissão diria respeito, o encontro ficou longe do que esperava. Viveu de ressentimentos e de fantasmas, de receios infundados e preconceitos ultrapassados, de pormenores e princípios programáticos que o tempo se encarregará de esquecer.
Se assim aconteceu, a responsabilidade não pode ser imputada a quem o organizou – que, ao contrário do que sucedeu no passado, fez questão de abrir o encontro até ao limite, de deixar a porta aberta a todas as correntes, a todas as ideias. Mas o excesso de abertura resultou em dispersão – e da dispersão não saiu a luz.
Preferia, por isso, chamar-lhe, em vez de Congresso, «pré-Congresso». Reabriu-se o diálogo, abriu-se a porta a toda a gente que se move neste meio. Foi, ao contrário do que os críticos do costume quiseram fazer crer, um excelente ponto de partida. Agora é altura de organizar um congresso profissional para profissionais. Um congresso mesmo"

13
Jan14

Como se deturpa uma declaração e se cria um debate sem sentido

Como bem sabemos, a inveja é um dos desportos nacionais - e quando toca a gente de sucesso, que ganha bem, e que é admirada, então o desporto torna-se radical, uma espécie de wrestling rasteirinho.
Desta vez aconteceu ao Ricardo Araújo Pereira, o mais talentoso e criativo humorista nacional. Pois o Ricardo terá contado a história de um jornalista que lhe fez a seguinte pergunta parva:
- Preferia que a sua filha fosse lésbica ou sportinguista?
E o Ricardo respondeu à altura, claro: “a resposta é fácil porque ser lésbica não é defeito”.
Pois bem: o que meio mundo agora discute nas redes sociais, nos blogues, e por aí fora, é o “escândalo” de RAP ter alegadamente dito “prefiro ter filhas lésbicas a serem do Sporting”. Parece que foi titulo de jornal. Confunde-se a estrada da beira com a beira da estrada com a ligeireza do pulo do gato.
Assim vai o mundo do boato, da deturpação e do diz-que-disse na net. E assim se cultiva a inveja - qualquer oportunidade é boa para dizer mal de quem, na sua área, é um merecido vencedor.
Que tristeza.

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Blog da semana

O Diplomata. Dez anos de blog é obra. Alexandre Guerra festeja, e com razão, um espaço de reflexão, análise e opinião do mundo político internacional. Merece o bolo.

Uma boa frase

“Se isto fosse no tempo do Sócrates, a esta hora o Trump já tinha em cima da mesa uma proposta da Mota-Engil para a construção do muro. Com financiamento do BES e projecto do Siza Vieira." Rui Rocha, Delito de Opinião

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