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Pedro Rolo Duarte

28
Fev14

5 anos

No dia em que o Hotel Babilónia faz 5 anos, e na véspera de uma emissão em directo e ao vivo a partir do Mercado de Campo de Ourique, dou a palavra a quem a canta, à rádio, numa "Rádio Experiência" que nunca me cansei de ouvir. Foi Milton Nascimento quem a escreveu, e aqui fica, com o abraço ao sócio João e o beijinho à suave (mas sempre presente) Joana...

 

"Caríssimos ouvintes, obrigado
Pela atenção a mim tão dispensada
Nossa programação se encerra agora
Mas de teimosa, volta amanhã


Platéia de meus sonhos, tão amada
O canto é o chamado pra viver
Quando o show terminar, levem pra casa
Não deixem que ele morra por aqui


Eu quero alegria em cada voz
Que a antiga espera tenha a sua vez
E o sonho que carrego em minhas costas
É o laço de união entre vocês, nós"

26
Fev14

Paco de Lucia

A primeira vez que fui a Espanha de carro fiz questão: cheguei à fronteira, no Algarve, tirei a "cassete" que estava a ouvir, e pus outra. Começava com este "Yo Solo Quiero Caminar", para mim a mais genial composição de Paco de Lucia. Nunca mais me esqueço da sensação de entrar noutro país com a melhor música desse país.
É essa a memória mais doce que guardo de Paco de Lucia.

 

25
Fev14

Por fim, ao vivo



Era mesmo só o que faltava, depois da surpresa de ver um texto meu musicado e cantado, depois de ouvir o disco, depois de me comover com todo este ambiente que até agora me tinha sido estranho. Faltava ao vivo.
Foi ontem à noite, no Speakeasy, no lançamento do disco (“Cores”, de Luís Represas, para quem não tem acompanhado a minha babada e comovida descrição da experiência).
Bom, senti-me pequenino como um grão de arroz, envergonhado, quando o Luís contou a história desta “parceria”. Depois ele cantou o “Renascer” e eu voltei a sentir um revirar do estômago a um tempo incomodativo e irresistível, e voltei a comover-me e orgulhar-me. No fim, apenas fui capaz de perguntar a mim mesmo: e foste tu?
Parece que sim.

23
Fev14

Muito cá de casa

Um blog também é a casa de cada um de nós. Esta é a minha. Vai daí, e porque as semanas são tantas vezes aborrecidas, sem história, ou sem chama, deixem-me cá dar conta de uma semana excepcionalmente animada aqui para os meus lados:

 

> Amanhã, segunda-feira, é lançado o novo disco do meu amigo Luís Represas, “Cores”. Tem para mim um sabor especial, uma emoção de estreia absoluta: está lá uma canção cuja letra escrevi. Nunca tal me tinha passado pela cabeça, como já contei. Mas agora, com o disco pronto, confesso: é comovente, sim, ver as palavras ganharem vida de forma cantada. Já as tinha visto de tantas maneiras, mas desta ainda não…

 

> Quinta-feira, ao final da tarde, na FNAC do Colombo, o meu compadre, sócio e, acima de tudo, amigo de uma vida João Gobern, lança o livro “Pano Para Mangas”, que reúne uma centena de entre mais de 1500 crónicas que assinou nas manhãs da Antena 1 nos últimos anos. Além do orgulho, tenho essa cumplicidade especial de ambos termos regressado à rádio na mesma estação, pela mão do nosso comum amigo Rui Pego, praticamente ao mesmo tempo, e cada um por si.

 

> Sábado, a começar o mês de Março, eu e o mesmíssimo João Gobern assinalamos o quinto aniversário do nosso Hotel Babilónia, nas manhãs da Antena 1. Para festejar, saímos do estudio e vamos fazer a emissão ao vivo, em directo e a cores a partir do renovado Mercado de Campo de Ourique. Estão todos convidados, claro.

 

Com uma semana de tantas emoções, espero não me esquecer do trivial: máquinas de roupa, almoço e jantar, recibos verdes, contas para pagar, enfim…

21
Fev14

Admirar, admiração

(Crónica originalmente publicada na Lux Woman. A deste mês saiu esta semana e apesar de ter o "cabelo cortado", está excelente em forma e conteúdo...)

 

A internet, as revistas e as televisões estão entupidas de debates e matérias sobre a chave para o casamento duradouro e feliz. Ou pelo menos das relações amorosas, se de casamento se quiser evitar falar. Faz parte dos mistérios maiores da humanidade, as ultimas décadas transformaram-no numa espécie de mito urbano (e até já rural...), e prometo que não serei eu a desvendá-lo. Ainda assim, ouso trazer uma achega...
Comecemos como deve ser: num daqueles banais programas de televisão onde toda a gente vai promover o seu filme, disco, livro ou novela, uma actriz de TV, cujo nome nem sequer fixei, surpreende-me. Pergunta o apresentador qual é o segredo para um casamento de mais de 25 anos. E em vez das respostas do costume – o amor, o respeito, os filhos, a família... -, ela diz: “temos uma enorme admiração um pelo outro, pelo que fazemos, pelo nosso trabalho”. Ela é actriz, ele é músico (ou está ligado à música, não percebi bem). Não falou da beleza nem da família nem do respeito. Nada disso. “Reduziu” a sua longa história de amor ao verbo admirar.
Fiquei a pensar naquilo.
Fui remexer no passado e pensar nas mulheres que têm passado pela minha vida – e eu pela delas -, procurando confirmar ou não esse item da admiração, no qual rara ou alguma vez pensei. Na soma de relações que pontuam quase 50 anos de vida, há de tudo, “como na farmácia”, e há falhanços para todos os gostos. Mesmo os “acertos” são a termo incerto ou, como diz uma amiga bem humorada, “a recibo verde”.
Porém, é um facto que a admiração persiste nas relações mais fortes, ou nas que, parecendo fracas pela duração temporal, marcaram e ficaram bem para lá do tempo que duraram. Admiração pelo talento, pelo trabalho, pela forma como levavam a vida, pela forma como procuraram saídas para si mesmas.
Admirar o outro, olhar o outro com orgulho, sentir o peito cheio quando o sucesso vence, é bem mais do que parece quando falamos de uma relação amorosa. Consolida convicções, prega certezas em cima de duvidas, e constitui uma espécie de corrimão até para não tropeçarmos no que nos desagrada no outro.
Quando falo em admiração não me refiro apenas ao sucesso. Também há admiração por quem sabe reconhecer o erro, por quem sabe cair e levantar-se, por quem tem a humildade de pedir desculpa a si próprio e aos outros. Ou simplesmente tem a capacidade de resistir e recomeçar do zero. Admirar é saber ver o melhor mesmo no pior dos momentos. E é muito.
Não me tomem por politicamente correcto: é evidente que a beleza exterior conta muito, é evidente que concordo com a anedota que diz “quem só pensa em beleza interior é decorador”, e é mesmo muito evidente que antes e depois de tudo há a empatia, a pele, o toque. Não descarto nada disto na contabilidade do que pode dar certo e errado numa relação. E há os tempos em que as pessoas se encontram ou desencontram, e há o incontornável humor, e o que nos torna comuns ou incomuns. Há demasiados factores para que relevemos um só ou descartemos algum. Mas há definitivamente um factor Z que pode passar por essa admiração que supera a expectativa, que alimenta e acorda o desejo, que nos comove e não nos deixa demover. Seja pelo talento mais elevado ao piano, ou pelo mais simples de “barriga encostada ao fogão”. Admirar é ver no outro o nosso sonho e a virtude que procuramos toda a vida. É imenso.
E assim aconteceu: por causa de uma banal entrevista de TV, juntei o verbo admirar à “checklist” das razões de sucesso (ou insucesso) do amor. Percebi um pouco mais de mim – e dos outros. Gostar é muito bom – mas em cima disso admirar, é tão melhor...

20
Fev14

Do humor como arma de sedução

Sei que vai parecer redutor e talvez até ridículo. Mas acreditem que é sincero: há momentos irrelevantes, pontuais, pequeninos, que nos reconciliam ou aproximam de pessoas em relação às quais não tínhamos qualquer expectativa.
Aconteceu-me ontem, com a ministra Maria Luís Albuquerque, durante a conferência promovida em Cascais pela revista The Economist. Às tantas, pedem à senhora que fale mais devagar, para permitir qualidade no trabalho de tradução simultanea. E ela acede, com um sorriso, mas não resiste e diz: “ok, sim, peço desculpa, vou pensar no meu antecessor (Vitor Gaspar)”. PODEM VER A CENA AQUI. A plateia demora segundos a apanhar a piada mas lá desata a rir. Já a ministra não tem qualquer receio e dá uma gargalhada tão sonora quanto educada. Gosto desta mulher. Gosto de quem tem sentido de humor rápido, oportuno, e feliz.
(O resto, bom, o resto é o desastre de um país a afundar. Mas não era esse o meu ponto, hoje. Já não interessa nada, aliás.)

 

 

 

 

 

16
Fev14

Domingo outra vez

 

Ando pouco interessado nisto que se passa aqui no rectângulo. Nada me entusiasma ou surpreende, nem submarinos, nem BPP, nem os números que invariavelmente servem quem os apregoa. Acabou a crise? O desemprego desce como um souflée arrefecido? O investimento estrangeiro cresce?
Sinceramente, não acredito em nada.E por não acreditar, perco o interesse. Prefiro passear junto ao rio enquanto penso no que me falta fazer, no que já fiz, nos erros a não repetir, nos erros a repetir melhor.
Acredito em coisas simples e por elas me interesso: não tendo salsa em casa, fiz a minha omeleta clássica com cebolinho e ficou igualmente saborosa. Isso interessou-me. Interessou-me a noticia de uma casa ali na Infante Santo que assa patos como quem assa frangos, no espeto, e vende para fora com um molho de soja/laranja. Fui logo lá. Interessou-me a colecção de livrinhos que o Expresso ofereceu sobre religiões - só falta um.
E mais do que tudo, interessa-me imenso conseguir dormir bem e acordar ao domingo com um dia inteiro pela frente. Nem sempre sucede, mas são desse tipo as coisas que me interessam.

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Blog da semana

Por Falar Noutra Coisa. Humor neste reacordar do blog. Rir é o melhor remédio. Lugar comum indiscutível.

Uma boa frase

“Sucessivos governos ficaram irritados, o actual vai um pouco mais longe, esquecendo que votar é um direito mas nunca uma obrigação. Em países desenvolvidos os cidadãos até votam durante a semana, ao passo que na choldra querem proibir jogos de futebol para obrigar o povo a ir votar." António de Almeida, Aventar

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