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Pedro Rolo Duarte

11
Fev14

Orgulho

O Jorge Colombo - que eu conheci a desenhar “à mão” as páginas de “O Independente”… - é um caso excepcional de talento e resiliência. Foi viver para os Estados Unidos por amor, mas acreditando também que a sua vocação tinha espaço naquele país - onde as possibilidades são do tamanho da concorrência. E ganhou a aposta, no amor e no trabalho.
Esta semana, assina mais uma capa da The New Yorker, nem por acaso a da edição especial de aniversário. Recupera o símbolo da revista, o clássico homem da cartola, Eustace Tilley, e trabalha-o no iPhone (ver o processo aqui), como só ele sabe.
A revista conta a história de mais esta capa.  E sobre isto não há dúvidas: assinar uma capa da The New Yorker, além do orgulho, é um prémio. Neste caso, ao talento imenso de um português que, na sua área, tem sido claramente maior do que o país onde nasceu.

 

 

 

 

10
Fev14

O Amor

 

“Philomena” é um grande filme sobre o que mais interessa: o amor. Neste caso, o amor de mãe e filho - mas tal condição é irrelevante. É um grande filme sobre o amor pelos que amamos, o humor com que encaramos o amor que temos, o amor que se exporta espontaneamente para aqueles que de nós se aproximam e se interessam pelo amor que temos.
Mesmo no ódio, ou na maldade, é amor o que transpira ao longo de todo o filme. Só a falta do mais desejado amor pode levar a maldades brutais. Só o excesso de amor - por exemplo, à religião - pode convocar o perdão. E até no reconhecimento da morte há amor por quem viveu outro amor.
Judi Dench, Stephen Frears e Steve Coogan constroem um hino ao amor onde aparentemente está apenas uma boa história (para mais, verídica) para um bom filme. Tudo isto sem uma lágrima a mais - e com um meticuloso golpe de humor no momento crucial de cada comoção. Melhor seria dificil.
Rendido.

09
Fev14

Sim e não

Sim, era bom que ficasse por cá um conjunto generoso de obras de Miró.
Não, não nos fazem falta as obras, nem temos de ser nós, contribuintes, a pagar o buraco do BPN, a maior prova provada da teia de interesses e negócios e baixezas que a politica do bloco central pode exibir.
Sim, Vasco Pulido Valente tem razão quando diz que os quadros de Miró são irrelevantes face ao desinvestimento do estado nas bibliotecas, nos museus, no património. Antes de querer exibir o luxo alheio, talvez fosse melhor cuidar da cultura que é nossa.
Sim, tudo o que, no escândalo BPN, possa deixar de ser assacado ao bolso do contribuinte, está certo.
Não, nada disto implica que deixe de se perceber como esta trapalhada ocorreu, da mala diplomática ao momento do leilão.
Dá pelo menos um filme - obviamente, um filme português. Só não sei se um drama ou uma comédia.

05
Fev14

À-vontade mas não à-vontadinha

Ontem à noite, na página de Facebook de um amigo, li a noticia da morte de Michael Schumacher. Nada que não possa ser expectável no estado em que o piloto se encontra - mas, lá está, dez anos depois do Facebook, e não sei quantos anos depois dos blogs e das redes sociais, há prudência e algum cuidado antes de replicar o que se lê.
Como?
Como sempre: antes de reagir, indo aos sites clássicos dos jornais clássicos que classicamente seguem as normas e regras que norteiam o jornalismo. Não há forma de substituir uma profissão que tem regras, princípios, e códigos, por um caos de palermice e diz-que-disse. Também costumo procurar os originais dos artigos que servem para difamar pessoas (e provocam traumas como os que Miguel Sousa Tavares revelou neste décimo aniversário do Facebook)…
Há coisas que não mudam. O boato é uma das coisas que não muda. Como a ofensa, a difamação, a inveja e/ou a frustração (claro… travestidas de critica cheia de humor corrosivo).
Dito isto, depois de ler a “noticia” do meu amigo, fui aos sites de referência e percebi que era falsa. O homem está mal, mas vivo.
Talvez este episódio resuma o que penso sobre as redes sociais nos 10 anos do Facebook: sem elas, não quero viver; com elas, vivo como vivo na vida real - por dentro, mas sem que substituam as “fontes” que considero credíveis; divertido, mas sem me expor mais do que acho razoável; aberto, mas não escancarado.
É a tal história de ir ao café da esquina - sente-se o pulsar da cidade, até se dá dois dedos de conversa, mas nada como um facto confirmado.
Ou como dizia a eterna Carmo: à-vontade mas não à-vontadinha.

03
Fev14

Sobre uma certa forma de ver a liberdade

Nas ultimas dezenas de anos, uma vasta série de “tradições” foram abolidas, proibidas ou extintas, em geral por boas razões e com o acordo da maioria dos portugueses: as mulheres votam desde o final dos anos 60 do século XX, deixou de haver (pelo menos legalmente…) discriminação racial ou sexual, deixámos de ter touros de morte, proibiu-se a venda de álcool a menores, proibiu-se a publicidade ao tabaco (e foi vedada a venda a menores), descriminalizou-se o consumo de drogas leves, criminalizou-se a violência doméstica e a pedofilia, conduzir e beber (excessivamente) passou a ser crime, o cinto de segurança tornou-se obrigatório em qualquer circunstância, o fumo em locais públicos foi largamente condicionado, e podia ir por aí fora na longa lista de “limitações” ao que poderíamos designar por “liberdade de cada um”.
Sim, um miúdo de 10 anos é livre de beber uma garrafa de bagaço e fumar um maço de cigarros em casa - mas a forma que a sociedade encontrou de combater aquilo que claramente é um excesso e uma parvoíce foi limitar as possibilidades de tal facto suceder.
Dito isto, parece-me evidente que está na altura de limitar as praxes, no limite proibi-las, pelo menos condicioná-las. Não vejo que seja um problema de liberdade - ao contrário, a continuidade destes abusos sobre os mais fracos e os mais novos é que me parece colidir com a liberdade de ser alguém.

02
Fev14

É isto:

"As coisas e as saudades acontecem enquanto podem e ocupam o lugar da vida, da razão e do pensamento. Para não falar do sentimento que, ao contrário do que se espera e quer, impera sempre e prevalece. A tristeza está tão próxima da alegria como a vida vivida está da morte imaginada."
Miguel Esteves Cardoso no Público de hoje.

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Blog da semana

Gisela João O doce blog da fadista Gisela João. Além do grafismo simples e claro, bem mais do que apenas uma página promocional sobre a artista. Um pouco mais de futuro neste universo.

Uma boa frase

Opinião Público"Aquilo de que a democracia mais precisa são coisas que cada vez mais escasseiam: tempo, espaço, solidão produtiva, estudo, saber, silêncio, esforço, noção da privacidade e coragem." Pacheco Pereira

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