Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Pedro Rolo Duarte

13
Mai14

Daqui a 3 dias...

"Fala-se, com lassitude, de gerações. Nunca se fica a saber, mal ou bem, a qual pertencemos, mesmo que queiramos pertencer a alguma. Imagine-se a bandalheira correspondente se assim se falasse dos vinhos do Porto como sendo da geração dos anos 40, 50, 70 ou 90.
Não. Importa o ano em que se nasce. A idade, tal como no vinho, é relativa. Algumas pessoas ganham em consumir-se cedo. As melhores exigem que se espere. Resta vermos as nossas idades não como um percurso linear e previsível mas com a surpresa deliciosa dos anos vintage que não se conseguem adivinhar.
No ser humano, as idades importantes talvez sejam: 0 a 1, 3, 5, 7, 10, 12, 13, 14, 15, 16, 18, 19, 20, 21, 23, 25, 28, 30, 31, 35, 39, 40, 41, 45, 49, 50, 52, 55, 59, 60, 65, 69, 70, 74, 76, 79, 80, 81, 85, 86, 90, 91, 95, 98, 100, 105, 110, 111 e 120.
Quando éramos novos éramos velhos. Quando somos velhos, ainda somos novos. Resta saber, como sempre, ao que viemos".

Miguel Esteves Cardoso, no Público, algures em 2011

12
Mai14

Meditar

Sempre que tentei meditar, ao longo destes quase completos 49 anos, adormeci. E gostei de dormir - gosto sempre -, mas não gostei de acordar e perceber que tinha falhado o objectivo. Explicaram-me que o problema era meu, que não sabia meditar. Havia uma técnica. E talvez fosse bom começar por fazer uma experiência em grupo, com uma espécie de “guia meditativo” a orientar a coisa - tanto mais que os sinais exteriores de ansiedade que normalmente exibo aconselhariam uma aproximação suave à pista.

Recusar um desafio não faz parte do meu código de conduta.
E dei comigo, um destes dias, descalço, deitado num colchão fininho, com uma manta azul turquesa a tapar-me, numa sala cheia de pessoas de todos os tipos - mais novos, mais velhos, homens e mulheres, raças diversas -, exactamente nas mesmas circunstancias, à espera do tal guia.
Era “meditação à hora do almoço”: num primeiro andar, ali ao Saldanha, 50 minutos para sair daqui, da realidadezinha, e aterrar noutra dimensão. A primeira meditação é experimental - logo, gratuita. Isso agradou-me e inspirou-me.
O pior veio depois: a voz do guia começou a pedir-nos coisas. Que nos libertássemos de pensamentos esquisitos, que nos entregássemos ao agora. Tentei. A sério. Só que “o agora” era uma obra no prédio ao lado. E o ruído da minha barriga a dar horas. E o telefone que vibrava mesmo não tocando. E o pensamento recorrente sobre o potencial cheiro (inexistente, é um facto) de tanta gente descalça numa sala fechada. Não estava a conseguir meditar.
Procurei seguir o mestre naquele abandono dos pensamentos ruminantes - não foi assim que ele disse, mas foi assim que eu senti - e tentei deixar-me ir pelas suas palavras, ditas de forma vagarosa, monótona, anestesiante.
A coisa começou a dar-se: segundo a amiga que me levou, a Patricia, terei começado a ressonar ao minuto 32, continuando para bingo até ao minuto 40, momento em que o meu ronco me acordou e, envergonhado, fiquei com a pulsação acelerada e já não meditei mais coisa nenhuma. Quando aquilo acabou, havia pelo menos duas pessoas a olhar para mim com ar de compaixão, e eu fiz de olhos baixos o que todos fizeram alegremente: dobrei a manta, arrumei o colchão, e fui buscar os meus sapatos.
Já na rua, apeteceu-me sentir paz e conforto e algo que desse sentido à vida. Pronto: arrumei 3 croquetes e duas imperiais na Versailles, um café a rematar. Quando voltei à rua, estava reconciliado e em paz. Se calhar tinha, por fim, meditado.

08
Mai14

Portugal sempre em bom

 

 

 

Foi inaugurado há 3 meses, com pompa e circunstância, o parque de estacionamento Mercado da Ribeira/Cais do Sodré, localizado na Praça D. Luís I. Como tinham decorrido em simultâneo escavações arqueológicas (das quais resultaram uma exposição permanente dentro do próprio parque), as obras demoraram este tempo e o outro, e o jardim da Praça esteve intransitável durante anos.
Mas em Fevereiro tudo ficou bonitinho e lá vimos Fernando Seara e Manuel Salgado, representando a Câmara de Lisboa, na inauguração do parque. Por algumas semanas houve paz naquela praça (paz relativa, que as obras do Mercado da Ribeira não dão sossego a ninguém…).
Mas… Mas à boa maneira portuguesa, aqui há dias a praça fechou novamente. Obras à superfície, agora no próprio jardim. Ou seja, obras à vez. Assim voltou a estar fechado o jardim (parece que vai ser alcatroado e a iluminação renovada) seguindo a lógica portuguesa do tapa e destapa. Os senhores do parque fizeram a sua obra, agora estão lá os senhores da câmara. Articularem-se para fazer tudo em simultâneo e prejudicar o menos possível o cidadão? Na, nop, isso eles ainda não aprenderam…

(Ou antes… tinha razão o tipo que inventou a anedota que li num site brasileiro:
“Dois portugueses estavam trabalhando para o Departamento de Urbanismo. Um escavava um buraco, o outro vinha atrás e voltava a encher o buraco. Trabalhavam de um lado ao outro da rua. Passaram à rua seguinte. Sem nunca descansar, um escavava um buraco e outro enchia o buraco outra vez. Um espectador, divertido com a situação, mas não entendendo o porquê do que eles faziam, foi perguntar ao cavador:
— Estou impressionado com o esforço que os dois põem no trabalho, mas não compreendo por que um escava um buraco e, mal acaba, o parceiro vem atrás e volta a enchê-lo.
O cavador, limpando a testa, suspira:
— Bem, isto realmente pode parecer estranho, porque normalmente somos três homens na equipe. Mas hoje o gajo que planta as árvores telefonou a dizer que está doente”.)

 

07
Mai14

Eles não desistem de gozar com a nossa cara

Numa entrevista ao novo Expresso diário digital, o líder do PS, António José Seguro, decidiu dizer exactamente o mesmo que Pedro Passos Coelho disse quando estava na oposição e quis ganhar eleições:

"Comigo não haverá despedimentos na função pública nem aumento de impostos".

Foi o que se viu.

Mas este homem, Seguro, que também se lembra desta gigantesca aldrabice, não se enxerga e repete a gracinha. Achará que alguém com dois dedos de testa acredita nisto? Ou no contrário? Ou em qualquer promessa?

Na dúvida, Seguro vai mais longe e ameaça usar o mesmissimo argumento que Passos Coelho utilizou depois de ganhar eleições. Veja-se este bocadinho da conversa com os jornalistas do Expresso:

"O que posso garantir é que não haverá aumento da carga fiscal". Mas não se compromete com uma baixa porque não sabe em que estado irá "receber o país" – a desculpa usada por todos os últimos primeiros-ministros, como o célebre "desvio colossal" de Passos Coelho que acabou a justificar o "enorme aumento de impostos".

É o que eu digo: eles não desistem de gozar com a nossa cara. Sem um pingo de vergonha.

 

Pág. 2/2

Blog da semana

Gisela João O doce blog da fadista Gisela João. Além do grafismo simples e claro, bem mais do que apenas uma página promocional sobre a artista. Um pouco mais de futuro neste universo.

Uma boa frase

Opinião Público"Aquilo de que a democracia mais precisa são coisas que cada vez mais escasseiam: tempo, espaço, solidão produtiva, estudo, saber, silêncio, esforço, noção da privacidade e coragem." Pacheco Pereira

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mais comentários e ideias

pedro.roloduarte@sapo.pt

Seguir

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D