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Pedro Rolo Duarte

30
Dez14

DN

O primeiro jornal onde publiquei um texto assinado foi o “Correio da Manhã”, no suplemento “Correio dos Jovens”. Mas o primeiro jornal que me pagou por uma matéria foi o “Diário de Notícias” - em 1983, na sequência de uma carta que enviei, salvo erro, ao Rogério Petinga, com uma proposta de uma coluna regular sobre musica. Juntei a essa carta as minhas crónicas do “Correio dos Jovens” e fui contratado.
Depois disso, escrevi no DN, durante mais de dez anos, crónicas semanais, diárias; mais tarde imaginei, criei e dirigi um suplemento que viveu feliz dez anos (O DNA), estive na direcção do jornal no mandato de Miguel Coutinho, e ainda fui colunista no mandato seguinte. Posso dizer que foi o jornal onde colaborei durante mais anos consecutivos (em rigor, 27 anos…), e aquele a que dei mais do que julguei saber.
Ao olhar a edição comemorativa dos 150 anos do jornal, reconheci-me em muitas daquelas páginas. Não por mim, nem pela grandeza do jornal, bem para lá de qualquer pessoa individual, mas pela dimensão daquele mundo de História e Vida que o DN encerra em si, do arquivo ao logotipo, do edifício à sua identidade, e que qualquer jornalista que por ali passa sente e respeita como algo que está além da existência simples de cada um.
Hoje, o DN está longe de mim (e eu, dele). Não por gosto. Nem por isso, no entanto, deixo de me rever no bocado de vida que lhe dei. Ou que ele me deu. Devemos andar ela por ela, no deve e no haver. E isso é bom.
Venham mais 150 anos, seja qual for a forma, o formato, a textura, o cheiro. Um jornal, sabemos agora, é bem mais do que papel impresso. Só nos falta saber o que vai ser.

26
Dez14

Palavras do ano

Sim, o ano teve muitas palavras que vão a votos. E seria fácil fazer uma lista cheia de palavras com sentido, da corrupção à narrativa, da recuperação à legionella.
Para mim, porém, sobra uma. Fica uma. Foi a que marcou um ano de ilusões, falsas partidas, aparências.
A palavra é: desencanto.
Cada um tem a sua. Esta é a minha.

19
Dez14

Expliquem-me como se eu tivesse 5 anos…

O Governo justifica a requisição civil na TAP com o facto da companhia fazer um serviço público essencial ao país, nomeadamente nesta época do ano.
Ora, se a TAP tem esse serviço público tão fundamental - foi evocada a legislação: "assegurar o regular funcionamento de serviços essenciais de interesse público ou de sectores vitais da economia nacional” -, por que raio vai ser privatizada sem garantias de qualquer controlo do estado?
Há aqui qualquer coisa que não bate certo. Como de costume.

16
Dez14

Um pouco de optimismo

Um dos meus jornais favoritos em papel é o dominical britânico “The Observer”. O grafismo, os colunistas, a abordagem aos temas da semana, fazem dele muito mais do que uma edição de domingo do “The Guardian”. É ainda um pequeno luxo no mundo dos jornais impressos.
O problema do Observer é que… não chega a Portugal! Por isso, só quando vou a Londres (que saudades…), ou quando alma caridosa aceita o meu pedido e compra a edição antes de embarcar para cá, consigo deitar-lhe a mão.
Foi o caso. E foi um bom caso…
Além da edição de domingo passado incluir a revista mensal Food Monthly - para amantes da cozinha, um excelente extra… - inclui uma serie de matérias que me animaram a existência. A principal delas é uma entrevista longa com James Daunt, o CEO da rede de livrarias Waterstones, que anuncia o regresso ao verde dos indicadores financeiros da empresa.

observer.jpgDepois de uma profunda crise (financeira, a que se juntou a explosão das redes do tipo Amazon, os ebooks, etc), que praticamente anunciou o fim das livrarias clássicas, Daunt iniciou em 2011 um plano de recuperação das lojas, na sequência da compra da empresa pelo um milionário russo Alexander Mamut.
O resultado é, três anos passados, o anuncio do break even no final das contas deste ano, e notícias de expansão: depois de fecharem 60 lojas até 2011, agora começam a abrir novas livrarias em toda a Grã-Bretanha.
James Daunt fala com entusiasmo de novos conceitos de loja - com maior luminosidade, sempre com um café incluido, com zonas de papelaria, gadjets, até brinquedos. Escolhas inteligentes na exposição dos livros, aconselhamento cuidado ao comprador (que volta sempre que lhe agradou o livro recomendado). Espaços acolhedores onde se possam passar bons bocados - por oposição a estações de correio onde se espera de pé para levantar a encomenda da Amazon…
O optimismo de Daunt, e a forma apaixonada como fala de livros e leitura, animou o meu domingo.
E fez-me acreditar que um dia ainda vou ter uma livraria…

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Blog da semana

Por Falar Noutra Coisa. Humor neste reacordar do blog. Rir é o melhor remédio. Lugar comum indiscutível.

Uma boa frase

“Sucessivos governos ficaram irritados, o actual vai um pouco mais longe, esquecendo que votar é um direito mas nunca uma obrigação. Em países desenvolvidos os cidadãos até votam durante a semana, ao passo que na choldra querem proibir jogos de futebol para obrigar o povo a ir votar." António de Almeida, Aventar

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