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Pedro Rolo Duarte

04
Abr15

Nove anos

perfect boring.jpg

Todos os anos, neste dia, penso no meu irmão António, no meu pai, nas cartas ao Pai Natal do meu filho pequenino, e revejo o olhar da minha mãe no dia da morte do seu Titó.
Todos os anos, neste dia, penso no paradoxo que constitui a tristeza do parágrafo anterior com a alegria deste parágrafo: foi pelas piores razões que há nove anos deixei de fumar. Mas foi uma atitude tão simultaneamente ferida, forte e feliz, que teve em mim um efeito inesperado: fez com que me sentisse uma melhor pessoa.
Propositadamente, escolhi para este post a fotografia de uma t-shirt que vi numa loja há poucos dias. Quando deixei de fumar, não quis aproximar-me da perfeição ou procurar saúde. Quis mesmo livrar-me de um vicio que começava a incomodar-me e que trazia más energias ao meu mundo. Continuo a fazer todos os outros disparates que me dão prazer, e não sou propriamente dado ao culto da vida saudável. Mas posso garantir-vos que sou mais feliz porque não fumo, e que este 4 de Abril é seguramente um dos meus dias mais relevantes de cada ano. Só quem viveu o que eu vivi, ou algo parecido, pode entender em toda a dimensão a importância que dou a um gesto para muitos óbvio e banal.

Daqui a um ano, será uma década sem essa prisão tóxica e infeliz. Que bom.

03
Abr15

Viver sem parar

Sou sincero: o que mais admirei em Manoel de Oliveira foi a sua forma de estar na vida, o desassombro com que fez sempre o que quis, disse o que quis dizer, gozou o privilégio de viver em toda a sua plenitude, e foi até ao fim sem um “ai”. Sempre com um incontornável sentido de humor, que é o sal do amor à vida. Isso é o que me impressiona, espanta e deslumbra.
Não tive o privilégio de o conhecer pessoalmente e, com a excepção do clássico “Aniki-Bóbo”, não consegui gostar dos seus filmes. Muitas vezes não os entendi. Alguns, aborreceram-me, ou adormeceram-me. Consigo sublinhar, aqui e ali, a beleza de um enquadramento ou a surpresa de um diálogo - mas não vou fingir que sou o intelectual que não sou e elogiar o génio que raramente me tocou.
Quem sabe realmente da matéria diz que sim, que era um génio. E eu confio em quem sabe.
Para mim, Manoel de Oliveira foi um português notável porque viveu a vida como quis, porque fez os filmes todos que quis (num pais onde raros conseguem fazer sequer o que se pode chamar de “obra” cinematográfica), e porque na medida da sua dimensão foi maior do que Portugal. Foi realmente um “português excelentíssimo”. Quem não sonha viver assim e morrer de velho?

01
Abr15

Do not disturb

Digitalização.jpegHá quem coleccione caricas, caixas de fósforo ou pacotes de açúcar. Eu não colecciono nada em especial - mas confesso que nunca resisto a trazer (será rigoroso dizer “roubar”?…), dos hotéis por onde passo, estas placas que se colocam nas portas, para pedir descanso ou permitir que se arrumem os quartos. Tenho dezenas delas, das mais criativas às mais banais. Não lhe chamo colecção apenas porque a não trato com o carinho que normalmente se dá a uma colecção. Nada disso: limito-me a trazê-las e ir juntando nas portas cá de casa…
Hoje, estava a olhar para esta, recente, e pensei assim: há dias em que apetece pendurar na porta da vida uma placa destas. Há sim senhor.

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Gisela João O doce blog da fadista Gisela João. Além do grafismo simples e claro, bem mais do que apenas uma página promocional sobre a artista. Um pouco mais de futuro neste universo.

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