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Pedro Rolo Duarte

31
Ago15

Regresso a casa (três notas soltas)

1. O filme de que a unanimidade da critica pior disse nos últimos anos é, tão só, o filme mais visto de todos os tempos pelos portugueses. O “Pátio das Cantigas”, remake a que chamaria, em rigor, homenagem ao filme original de Ribeirinho, é um achado de Leonel Vieira e da sua equipa. Confesso: eu gostei.
Poderíamos dizer que a operação de marketing justifica os números - mas o passado mostra-nos que assim não é. Os filmes ganham notoriedade e popularidade muito por via do boca-a-boca, mais do que pela publicidade. E este é um desses casos em que o publico está de tal forma desfasado da critica que esta deixa de fazer sentido. Se fosse critico de cinema, teria vergonha. Não é possível dizer tanto mal de um filme que foi tantas vezes visto. Há qualquer coisa que não bate certo. Os espectadores não são todos tão ignorantes.

2. Há um estudo que diz que, em Portugal, metade dos casamentos não são por amor. Podem ser por interesse - mas aqui entre nós, e ao contrário da anedota, interesse não têm de todo.

3. Bastam uns dias de férias fora de Lisboa, fora dos grandes centros urbanos. Rapidamente se percebe como reagiram os portugueses (que podem…) ao brutal aumento de taxas e impostos dos últimos anos: voltaram à economia paralela, à troca directa, ao dinheiro debaixo da mesa, às contas sem recibo nem factura. O ataque ao bolso do contribuinte não compensa, quando o contribuinte vê como estão e onde andam os suspeitos do costume. Ou antes: cá se fazem, cá se pagam.

24
Ago15

Mudar

(Crónica originalmente publicada na revista Lux Woman. A deste mês já está à venda...)

Eu percebo: é Verão, está na praia, ou debaixo do pinheiro, e tudo o que não quer é algo que incomode, que faça pensar, que abale este ligeiro sopro de felicidade. Vou ajudar. Vou contar a história da minha ultima experiência radiofónica. Começou por ser um projecto inspirado nas histórias de filhos de amigos que fizeram o chamado “gap year”, uma moda das últimas décadas. Trata-se daquele ano - entre o Liceu e a Universidade, ou entre a Universidade e a entrada no mercado de trabalho - em que a miudagem vai daqui para fora em viagens de voluntariado, ou descoberta, ou apenas reconhecimento de que o mundo é maior do que o rectângulo onde vivemos. Nalguns casos por gosto e interesse, noutros casos claramente para enriquecer o currículo: é diferente apresentar numa empresa um papel a dizer que somos engenheiros ou outro que diga que somos engenheiros mas, além disso, fizemos voluntariado no Kénia e trabalhámos no “Nando’s” a virar frangos na África do Sul. A motivação pouco importa: eles foram. E foi a pensar nestes casos que inventei e propus o “Mais Novos que Nunca”, felizmente bem acolhido na Antena 1 e 3 da rádio pública. O problema foi que rapidamente percebi que esta ideia - “mais novos que nunca” - e este conceito - de, nem que seja por um tempo, viver “fora da caixa”-, não tinha nada a ver com a idade. Porque a idade, claro, está na cabeça. E confrontei-me com gente que mudou de vida aos 20, aos 30, aos 40. Gente que fez do “Gap Year” a vida de todos os dias. Gente que reagiu às imagens na TV de um terramoto e deixou tudo para trás partindo em missões de voluntariado. Ou seja: o “Gap Year” resulta mais da vontade de mudar do que da necessidade de fazer curriculo, e isso muda tudo! Em poucas semanas, o programa transformou-se numa rede - há sempre quem conhece alguém que… - e debaixo de cada pedra da calçada há uma história de amor nascida numa favela do Rio de Janeiro, ou uma nova vida nos subúrbios de uma cidade africana, ou apenas um novo negócio nascido dos escombros de um fracasso amoroso. O “Mais Novos que Nunca” é hoje um centro de segundas vidas, de renascimentos, sem idade nem padrão, apenas com a certeza de que é possível recomeçar em qualquer momento da vida, sem ter que fazer depoimentos religiosos nem abraçar árvores. Basta querer. Aqui há dias estive na abertura de uma loja para a qual tinha sido contratado, no serviço de catering, um casal que trocara a moda (ela, brasileira) e a engenharia fotovoltaíca (ele, italiano), por umas deliciosas focaccias, feitas numa carrinha de rua, cujas receitas pertencem à avó dele. Reconheci-os de imediato. Já os tinha entrevistado, já tinha percebido que começaram por ser um casal e hoje eram apenas sócios, mas fiquei com aquele bichinho curioso de os ver trabalhar. E vi. E vi, na alegria e no cansaço, no excelente serviço e na dedicação, no sorriso de ambos mesmo quando era claro o desacordo, que é possível mudar. Que é possível recomeçar. Percebi então que esta moda do “gap year” não é mais do que antecipação do futuro - porque vamos, cada vez mais, ser desafiados a recomeçar várias vezes ao longo da vida. E isso não é mau - isso é viver com intensidade, paixão, desafio. Fiquei animado. Não sei se isto pode querer dizer qualquer coisa - mas há tanta coisa que ainda gostava de fazer nesta vida que observar o ex-casal das focaccias foi como uma revelação e uma antecipação. Uma espécie de esperança e pontapé no rabo. Como quem grita: “mexe-te, Pedro!”.

13
Ago15

Pensamentos curtos de Verão

sol.jpg

1. Há nomes que dizem tudo sobre si próprios: Trump não será um deles? Se fosse em português, nem haveria dúvidas. Era trampa.

2. Com a chegada de Maria de Belém, algo me diz que Sampaio da Nóvoa passará a ser da Névoa.

3. O episódio dos cartazes do PS pode ser convertido em bandeira de campanha: uma vez que a pantominice traduz Portugal no seu melhor, prova que os socialistas são quem melhor representam o país.

3.A) … Mas não estão sós: as fotografias dos cartazes da coligação PSD/CDS onde se sublinham a criação de empregos, o aumento do número de mulheres no mercado de trabalho, o regresso do investimento, são todos ilustrados com fotografias de banco de imagens. Australianas, espanhóis, franceses, vale tudo menos portugueses felizes. Uma alegria. Estão bem uns para os outros.

4. Ao ver Jorge Jesus de gravata verde, no jogo de domingo passado, percebi o futebol em todo o seu esplendor. Chamarem-lhe desporto é um eufemismo simpático. E falarem de amor à camisola é a piada do ano. Em breve veremos clubes a comprarem adeptos adversários por 100 euros. O dinheiro é lixado.

5. Por falar em dinheiro: quando recebi uma carta a reclamar um pagamento que o “meu” banco não fez, por falta de provisão, lembrei-me logo do BES. Fiquei verde de inveja.

… E é claro que face a estes factos, só me resta mergulhar. No mar do meu Alentejo. Continuemos em pausa, portanto.

07
Ago15

Modo pausa

anoitece.jpg

O meu computador não tem “modo repouso” ou “adormecido” ou outras expressões que se usaram na informática para designar aqueles dias, momentos, em que estamos menos ligados à rede - isto é (e se calhar não é…), à realidade.
Talvez antes assim: quando temos menos para dizer, ou pura e simplesmente nos apetece ficar calados. E podemos.
Não sei se é por causa do mês ou apenas porque sim, mas estou a entrar nesse modo. E gosto da designação que o meu computador lhe dá: chama-lhe “pausa”.
É disso que se trata: pausa. Pode durar o tempo de ir ali tomar café, ou o mês todo. Pode ser a pausa de que todos precisamos para refrescar as ideias. Pode ser a pausa para recomeçar. Ou mudar. Ou tudo ao mesmo tempo.
Mas é pausa. Este blog está em modo pausa. Até já. Ou mais logo. Ou daqui a nada.
A única certeza da pausa é a de que ela acaba. E volto.

03
Ago15

Agosto em Lisboa

central station.jpg

Talvez haja menos gente, mas há mais calor.
Talvez se circule melhor, mas fecha meia-cidade.
Talvez seja mais tranquila, mas nem por isso é mais silenciosa.
Talvez seja mais nossa, dos lisboetas, mas é ainda mais dos turistas, que recebemos como príncipes.
Costumo dizer que, apesar de ser forçado a fazer férias em parte de Agosto, gosto da cidade neste mês - quando todos partem, e os que chegam não nos conhecem.
Mas a verdade é que, sendo Agosto um bom mês para estar em Lisboa, nem por isso é um mês melhor para quem sonha com a cidade que julga já ter tido. E teve.

Blog da semana

Por Falar Noutra Coisa. Humor neste reacordar do blog. Rir é o melhor remédio. Lugar comum indiscutível.

Uma boa frase

“Sucessivos governos ficaram irritados, o actual vai um pouco mais longe, esquecendo que votar é um direito mas nunca uma obrigação. Em países desenvolvidos os cidadãos até votam durante a semana, ao passo que na choldra querem proibir jogos de futebol para obrigar o povo a ir votar." António de Almeida, Aventar

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