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Pedro Rolo Duarte

30
Out15

Revista à portuguesa

(A crónica de ontem, no Sapo24)

O que parece mais interessante no momento político nacional - e até, quem sabe, objecto de estudo para o futuro - é o facto dos protagonistas, sem excepção, protagonizarem uma qualquer personagem, interpretarem um papel, e ficcionarem a realidade como se efectivamente vivessem nesse inexistente mundo.
Sabem que falam de uma realidade que não existe, mas fazem de conta com razoável sabedoria. Se trabalhasse num departamento de ficção de uma televisão ou produtora, estava em cima do fenómeno - de Passos a Jerónimo, temos ali um painel de actores que vale a pena avaliar…
No passado isso era comum com os partidos derrotados - que se declaravam “vencedores”… -, com os clubes que não ganhavam o campeonato - e despejavam nos media a conversa habitual sobre os árbitros, a corrupção no futebol e o papel da Federação Portuguesa de Futebol - e com os desgraçados que não eram apurados para o Festival da Canção. Agora, o fenómeno domina a política.
O partido que perdeu acha que ganhou e faz por isso. O partido/coligação que ganhou (sabendo que foi uma vitória “poucochinha”…) vai governar, mesmo reconhecendo que não faz nada sozinho, o que é o mesmo que dizer que perdeu mas faz de conta que ganhou. Os partidos pequeninos gritam vitória como crianças no pátio da escola. Não ganharam nada. E depois há o Presidente, que esperávamos que estivesse acima disto tudo, mas alinha na brincadeira. Sabendo que está apenas a adiar um problema criado pelos números (de que tanto gosta, ironicamente…).
Resultado: como numa peça, assistimos à representação até ao fim. Sabemos que é ficção, e que daqui a pouco vamos novamente estar entre a parede e o abismo, votando para um qualquer mal menor. Nada de muito novo. Como espectadores passivos do espectáculo, mantemo-nos quietos. A ver no que dá.
O que mais impressão me faz é ver esse tal de Cavaco Silva interpretar o papel que não estava no guião original da peça: ser juiz num julgamento para o qual não foi chamado; dar palpites no lugar onde só se lhe pede arbitragem; e indicar caminhos, quando lhe pagamos para gerir semáforos.
Por mim, mais voto menos voto, dá igual: já percebi que a política é um teatro. De sombras e luzes. Confesso que só não esperava um Presidente a quem cabia o lugar, no limite, de “compére" (o actor que vai dando as deixas para o actor principal brilhar na revista…), mas a quem apetece ser primeira figura.
Está tudo trocado. Mas também é verdade que a revista à portuguesa só resta mesmo na política. Às tantas, trata-se de uma homenagem. Manhosa. Não podia Cavaco ficar-se por uma comenda ao Parque Mayer?

 

(Editada depois de corrigida pela leitora Manuela. Menos uma cedilha, com certeza!)

25
Out15

Ricardo Mealha

O Facebook, às vezes, é o mensageiro que nos apetece matar. Por causa de um post da Catarina Portas, acabei por saber a notícia que preferia não ter sabido neste final de domingo: a morte de Ricardo Mealha, um talento com quem tentei trabalhar (infelizmente, nunca consegui: o dinheiro - ou a falta dele - atravessou-se sempre no nosso caminho...), mas cujo talento e sabedoria marcam o meu gosto e a minha sensibilidade sobre design, forma e conteúdo. O Ricardo foi o designer que eu quis para a revista que há 10 anos não fiz. Se voltasse a pensar nessa revista, pensaria de novo no Ricardo. Dito isto, está tudo dito. Deixo o texto que a Catarina deixou, escrito por ele há poucos dias:

"Acredito na Utopia

Acredito em estarmos juntos, que projetos excecionais nascem de pessoas excecionais, que rir e ter prazer é importante em todas as dimensões da vida, incluindo o trabalho, que é bom estar no mundo sem medo, que há muita coisa que nos pode acontecer, mas que nos podemos sempre reinventar.
Acredito na simplicidade, no momento, na felicidade daquilo que temos e em darmos sempre o melhor.
Acredito na lealdade, na dedicação, na criatividade…

Acredito que é possível o mundo que queremos ter."

 

24
Out15

Um zero à esquerda

Cavaco borrou a pintura de vez. Mas ela já vinha mal de António Costa, que nunca se declarou derrotado e inventou uma vitória inexistente; e de Passos Coelho, que deu por ganha uma batalha, ignorando que uma guerra se faz de múltiplas batalhas; e do Bloco e do PC, que em nome de uma miragem de poder esqueceram repentinamente tudo o que haviam dito sobre o PS; e de Paulo Portas, que apesar de ser, neste quadro de miséria, o menos incoerente de todos, ainda assim também apagou o papão socialista que vendeu na campanha eleitoral.
Neste momento, qualquer eleitor de qualquer partido - ou mesmo, mais distantemente, quem votou em Cavaco Silva para Presidente - deve estar ainda mais desiludido, descrente, e desconfiado, do que no domingo em que decidiu ir votar, nem que fosse por entender que era o mínimo dos mínimos.
Em pouco mais de 15 dias, estes senhores conseguiram mostrar, da esquerda à direita, dos partidos ao Presidente,  que o voto que nos enche a boca vale, afinal, um enorme “nada”.
Isto é: o mínimo dos mínimos que constitui, na soma de votos individuais, uma ideia colectiva de “decisão”, pode transformar-se num zero à esquerda.

22
Out15

Vê lá bem…

(Crónica originalmente publicada na revista Lux Woman. A deste mês já está nas bancas à espera de quem a leve...)

Uso óculos desde o dia em que deixei de ver com clareza o número do autocarro que me levava do Campo Grande ao Liceu Camões. Era o 36. Tinha 14 ou 15 anos, e foram-me diagnosticados astigmatismo e miopia, em doses baixas e aceitáveis. Durante os 35 anos seguintes, com evoluções discretas ou quase nulas, fui mudando de óculos sem “engordar” demasiado os números, com uma “tensão ocular” elogiada pelos médicos - e com algum gosto, confesso, pela escolha de armações, estilos, modas. Nunca me incomodou o adereço, para mais necessário.
Jamais me passou pela cabeça saber se era possível operar esta ligeira deficiência - e ainda que fosse, era coisa que não me passaria pela cabeça. Costumo dizer que os óculos só me chateiam quando chove, porque lhes falta limpa para-brisas…
Até que chegaram os 50. Sem aviso prévio, mas de forma assertiva - como quem diz “amigo, começa a cuidar-te, viraste a metade do século…” -, recebi o primeiro recado de forma “visível”: deixei de conseguir ler o jornal com os óculos de sempre (por acaso reajustados um ano antes). Quem diz o jornal diz as ementas dos restaurantes, as indicações sobre a forma de cozinhar congelados ou mesmo as mensagens no telemóvel. A primeira reacção é clássica, diz quem sabe: negar. O problema seria “deles” (jornais, donos de restaurantes, etc…), que cada vez escreviam com letras mais pequenas, a poupar nas embalagens e no papel, e os espaços públicos sempre à meia-luz.
As semanas foram passando e os culpados, “eles”, eram cada vez mais: sites de internet, smartphones, livros, revistas, crescia diariamente a lista de pessoas que, numa atitude claramente contra mim, e só contra mim, impediam que lesse o que escreviam usando corpos de letra claramente invisíveis…
Pelo sim pelo não, em trabalhos de rádio ou televisão, aumentava os textos em papel para um corpo que me defendesse em caso de menor visibilidade: primeiro 16, depois 17, por fim 18. Aí percebi que, por certo momentaneamente, estava a ver menos bem. Nada que uns óculos giros, comprados na farmácia, não resolvessem. Ampliar 2,5 vezes o que lia foi solução para mais uns meses de negação. Era a segunda fase da reacção aos factos: aceitar o problema, mas achar que era pontual. Fingir que era pontual…
Até que veio o lento reconhecimento do falhanço: passar o dia com vários pares de óculos, a trocar tudo e todos, estar com amigos e amigas da minha idade e perceber que não estava só e ninguém via “um boi”, sentir-me diminuído face ao tamanho das letras que em geral se usam. Ocorreu-me algo de que sempre ouvi os meus pais falar: lentes progressivas. Nem sabia bem o que eram. Mas aceitei o veredicto (chamemos-lhe, com rigor, diagnóstico…): tinha de passar a usar óculos com esse tipo de lentes, que fossem ampliando a vida de cima para baixo, permitindo-me ver e ler tudo sem ter de andar sempre a trocar de óculos. Claro que comecei por desdenhar a coisa (quem desdenha quer comprar, diz o povo…) de uma forma lógica e ao mesmo tempo irónica: toda a vida aprendi que a progressão se faz de baixo para cima! Aqui é ao contrário, de cima para baixo. Quanto mais olhamos para baixo, mais “progressivo” é o nosso olhar.
Depois deixei de brincar e entreguei-me a quem sabe da matéria. Resultado: 500 euros mais tarde, voltei a ver. A segunda metade do século começou por custar-me 250 euros por cada olho. Podia ser pior.
Mas aprendi uma lição que fica para o resto da vida: para quem sempre viu, deixar de ver também é deixar de estar. E tudo o que não queremos, passada esta fasquia dos 50, é estar fora. Fora de mão. Fora de sitio. Ou apenas fora. A fase da confusão inicial foi ultrapassada com rapidez, e depressa voltei a sentir-me dentro. E a dar valor à expressão ver com olhos de ver. Por momentos, regressei aos 14 ou 15 anos, e estava de novo na paragem do autocarro. Outra vez sem dúvidas sobre o caminho a seguir. É o que conta.

18
Out15

20 anos

Hoje, a fazer coisas como estas.

Um orgulho, claro.

Mas não deixará de ser o puto que não largou a Disney sem a foto com o seu herói do momento, ou o dono do camião de plástico a que deu o nome de "Audi Ranhoca", ou o adolescente que me abalou e comoveu com a capacidade de imaginar e escrever uma história que até cactos metia...

E isso é o que fica de ser pai - o longe e o perto, o que fica do que foi, o que é e tão bom que é...

E imaginar o que ainda vai ser. E vai mesmo.

Venham mais 20, e mais 20, e tantos 20 quantos for possível.

O resto, António Maria, falamos olhos nos olhos. Como sempre.

am 20 anos.jpg

 

16
Out15

A traição do tempo

(Crónica publicada ontem no excelente Sapo24...)

Se fosse vivo, o meu pai faria amanhã, 16 de Outubro, 85 anos. Além da memória emocional de um filho que perdeu o pai cedo demais, mesmo nunca sendo demasiado cedo, persiste uma memória cada vez mais doce (passaram quase 30 anos sobre a sua morte), a que recorro sempre que a vida me pede. E pede, felizmente, muitas vezes.
No mundo da comunicação, nunca deixo de pensar nele nestes momentos mais vibrantes da política, do jornalismo, da vida em rede, porque me lembro dos seus ensinamentos e das suas ideias. O lamentável episódio José Rodrigues dos Santos da semana passada, que o crucificou injustamente em escassos minutos, e cujas ondas de choque ainda não acabaram (nem os aproveitamentos tolos que dele se fizeram), voltaram a sentar-me à mesa imaginária do meticuloso António Rolo Duarte.
Bom… Acho que o meu pai não seria sinceramente feliz no tempo actual. O rigor com que praticava o jornalismo (era obsessivo com datas, idades, factos concretos), o tempo que achava essencial para confirmar um rumor ou o que poderia constituir noticia, não seriam facilmente compatíveis com esta voragem em que vivemos, e que condena na praça publica, com a maior das veleidades, qualquer erro: o humano, o propositado, o negligente, o indigente. Errar já não é humano - é sempre pretexto para apedrejamento na praça publica.  Tentar perceber os factos não faz parte do processo do raciocínio - mais vale julgar de imediato. Parar para pensar deixou de ser um acto de sensatez - passou a ser um atraso de vida. É lamentável.
Nunca me esquecerei disto: o meu pai disse-me, quando tirei a carta de condução, que o pedal do travão servia para abrandar e parar, e não para travar. Ou seja, prevenia. Não era, em si, a solução - mas a possibilidade de antecipar o possível problema. Aplicado à vida, e ao jornalismo, era como dizer que o cérebro serve para cozinhar a informação, jamais para ferver sentimentos imediatos. Não me fica mal dizer que o meu pai era sábio.
E fica muito menos mal no momento em que assisto, sem forma nem jeito de reagir, ao episódio Rodrigues dos Santos, no mesmo momento em que verifico que os nosso líderes políticos - os que ganharam e os que perderam, na verdade nem sei agora quem foram uns ou outros… - dão o dito por não dito em jogos de poder onde as palavras de honra deixaram de ter honra e ficaram apenas palavras.
Volto ao meu pai: amanhã faria 85 anos e, se estivesse entre nós, talvez não quisesse andar pela net. Pacientemente, mesmo na sua silenciosa ansiedade, esperava pela verdade dos factos. E depois do café, diria o que pensava. Por causa desse seu feitio, tinha quase sempre razão. Faz falta quem a tenha, mesmo que demore mais um bocadinho.

14
Out15

Se eu mandasse…

... Aplicava ao voto o principio anunciado por todo o lado nas lojas IKEA: “Mudar de ideias é normal”.
Vou a tempo de mudar o meu voto de dia 4 de Outubro? Eu queria. Foi há tão pouco tempo, dá para lá ir e voltar atrás?!…

(Claro que me lembrei desta tira do Calvin, do eterno Bill Watterson)

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12
Out15

Aprender

citacao

A “Relógio d’Água” reedita “Intimidade”, de Hanif Kureishi, e dou comigo, num final de domingo, a reler esta história de amor e desamor, de fim e recomeço, cuja primeira frase me agarra e não mais me larga, exactamente como quando a li pela primeira vez, há uns bons dez anos: “Esta é a noite mais triste, porque me vou embora e não volto mais”.
E depois há parágrafos como o que vos deixo aí em cima.
Se as palavras nos embalam e levam de umas para outras, como cerejas, a rede ajuda. De repente estou a escrever o nome no Google e a querer saber mais sobre Hanif Kureishi. Tropeço numa entrevista que Isabel Lucas lhe fez para o Público, há seis meses.
Leio:  “O imigrante tornou-se uma paixão contemporânea na Europa. Um ponto vago à volta do qual as ideias chocam. Facilmente disponível como símbolo, existindo em todo o lado e em lado nenhum, é falado constantemente. Mas, no discurso público corrente, esta figura migrou não apenas de um país para outro, migrou da realidade para a imaginação colectiva onde foi transformado numa ficção terrível.”
Não podia ser mais cruamente real.
Não foi um final de domingo alegre - mas foi verdadeiro e rico. Aprender até morrer.

11
Out15

O voto, oito dias mais tarde...

(Crónica publicada quinta passada, no excelente Sapo24. Já assinaram?)

Sempre que há eleições, tenho a mesma sensação: os líderes partidários falam do voto de cada um de nós como se tivéssemos combinado uns com os outros…
Eles dizem (digo “eles”, porque efectivamente são todos eles…) que “os portugueses foram claros em manifestar” isto ou aquilo, uma clara maioria, ou uma maioria escura (talvez apenas menos clara…), um voto de confiança ou um voto de desconfiança, e parece que o resultado final saiu de uma magna reunião de eleitores.
Não consigo vislumbrar onde raio foram buscar esta ideia. Uma coisa é a democracia ter, entre outras formas de manifestação, o voto que elege ou destitui aqueles que nos governam - outra, bem diferente, é procurar tirar ilações de votos que, somados, dão ou retiram maiorias, mas que evidentemente resultam de escolhas absolutamente divergentes. E individuais.
Domingo passado, houve muitos eleitores no PS que votaram apenas contra o PSD/CDS; como houve votos convictos de militantes e simpatizantes; como houve votos úteis de uma esquerda que nunca se une. Da mesma forma, houve votos na coligação que defenderam simplesmente a continuidade; outros terão resultado da convicção e da militância. Houve votos em branco porque sim, ou porque não. Houve votos no Bloco contra a CDU, ou contra o PS.
O que não houve, de certeza, foi essa ideia peregrina dos “portugueses” como um todo. Os “portugueses” não reúnem nem conspiram - vivem como podem, fogem ao fisco como podem, defendem-se como podem, e votam (ou não…) em função de argumentos tão diferentes quanto a militância, a paixão, o desdém, a vingança, a esperança, e sei lá mais quantos valores e princípios e conceitos (até mesmo preconceitos…) que lhes passam pela cabeça.
Nos últimos meses, o meu sentido de voto mudou três vezes. Foi influenciado por sondagens, discursos, tiros nos pés e até mesmo pelo voto que o meu filho me anunciou previamente. De uma coisa estou certo: não me sinto parte dos “portugueses” que deram um voto de confiança, mas não absoluta; ou contra a austeridade, mas repartido pelas diferentes oposições.
O voto foi individual, particular, único. Cada um por si. Esta mania de interpretar colectivamente o que é individual constitui um dos mais irritantes defeitos da análise política. É fácil e simplista, aceito. Mas não deixa de ser absurda. Não apenas por ser uma ideia falsa - mas por presumir, uma vez mais, que vivemos em rebanho e assim andamos, ao Deus dará, atrás deste ou daquele. Lembra-me um homem de bigode que andou por aí nos anos 40 do século passado a dar cabo da vida de milhões de pessoas - e nem que fosse apenas por isso, não gosto nem quero.
Domingo passado foi assim: um voto, uma pessoa, uma intenção. E deu no que deu. Agora é ver no que vai dar. E aguentar.

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Blog da semana

Por Falar Noutra Coisa. Humor neste reacordar do blog. Rir é o melhor remédio. Lugar comum indiscutível.

Uma boa frase

“Sucessivos governos ficaram irritados, o actual vai um pouco mais longe, esquecendo que votar é um direito mas nunca uma obrigação. Em países desenvolvidos os cidadãos até votam durante a semana, ao passo que na choldra querem proibir jogos de futebol para obrigar o povo a ir votar." António de Almeida, Aventar

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