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Pedro Rolo Duarte

31
Jan16

Um fósforo aceso

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Na íntegra, pode ler-se aqui. No original, foi publicada na edição de Abril de 1991 da revista K. Não entrevistei o escritor nem me senti jornalista à sua frente - assumi a verdade do ex-aluno que se confronta com o Professor de Português, no Liceu de Camões, dez anos antes...
Revelei-lhe o percurso que me levou de cábula irritado com um professor exigente a leitor apaixonado dos seus livros TODOS.

Hoje, para mim (ignorante que só lê o que lhe apetece, jamais o que "deve"), Vergílio Ferreira é um dos dois ou três escritores maiores do século XX português. Na semana que passou, a propósito do centenário do seu nascimento, falou-se muito de Vergílio Ferreira. Em breve, volta a falar-se, a propósito dos 20 anos sobre a sua morte. Sou sincero: falo dele todos os dias. Na maior parte das vezes, apenas comigo. Mas falo. E volto às suas páginas a toda a hora. Está por perto, sempre.
Deixo uma das respostas às perguntas que lhe fiz, há 25 anos, nessa tarde de Inverno em que me recebeu na sua casa da Avenida Estados Unidos da América:

“Nos meus livros há mortos mas não há cadáveres... faz a sua diferença, não é? A verdade é que a morte, a reflexão sobre ela, é para mim uma forma de valorizar a vida - tal como é contra um fundo de escuridão que um fósforo aceso se vê. Essa reflexão não serve para nos afundar, mas para a vida irromper mais forte. Eu sou consciente - e é em função da morte que para mim a vida tem significado. Na sua idade isto não existe, é verdade, mas é bom que através dos meus livros tome consciência da sua existência. Isso significa que fui útil. Porque é que um jovem não há-de pensar nisso? Neste meu último livro, a morte continua a estar muito presente, mas houve quem me dissesse que, depois de o ler, tinha ganho mais amor à vida. Como o doente quando volta a ser saudável - ou o suicida que é salvo a tempo e passa a olhar o mundo com uma atenção extraordinária, como uma revelação.”

 

(Nota relevante: As fotografias (geniais) são da Inês Gonçalves. Que saudades de ver o seu génio com regularidade...)

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Por Falar Noutra Coisa. Humor neste reacordar do blog. Rir é o melhor remédio. Lugar comum indiscutível.

Uma boa frase

“Sucessivos governos ficaram irritados, o actual vai um pouco mais longe, esquecendo que votar é um direito mas nunca uma obrigação. Em países desenvolvidos os cidadãos até votam durante a semana, ao passo que na choldra querem proibir jogos de futebol para obrigar o povo a ir votar." António de Almeida, Aventar

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