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Pedro Rolo Duarte

04
Mai16

40 anos depois

el pais um.jpg

O diário espanhol El Pais comemora hoje o seu 40º aniversário, um número bonito que também corresponde ao gatinhar da democracia aqui na vizinhança. Sobre o aniversário e o que o rodeia, escrevo amanhã na plataforma Sapo24.
Para aqui, para a minha sala de estar, guardei uma recordação muito cá de casa.
Quando o El Pais nasceu eu tinha 11 anos, mas já era tão apaixonado por jornais e revistas como hoje. Fazia-os em casa, à mão, recorrendo à máquina de escrever dos meus pais, para a família ler. Lembro-me, por isso, nitidamente, da adesão do meu pai ao novo El Pais. Comprava-o de vez em quando, e lia-o com tanta atenção como me falava, com admiração, do seu layout. Perfeccionista, fascinava-o a qualidade técnica do jornal: a impressão, a dobra das páginas, o rigor das margens, a forma como estava sempre bem aparado, a qualidade do papel, a selecção criteriosa das fotografias, o grafismo sóbrio e muito depurado. Não me recordo de ler o jornal ou lhe prestar atenção - mas ainda hoje associo o El Pais ao meu pai, como se o jornal fosse uma projecção do seu modo de estar na vida: discreto, atento, rigoroso, sempre atrás do acabamento mais perfeito. Várias vezes me mostrou páginas do jornal que sustentavam as suas ideias sobre edição: “repara como eles usam as fontes das letras na hierarquia das notícias”; “olha como, na mesma página, distinguem factos de opiniões”…
O El Pais faz hoje 40 anos. Cresci, tornei-me jornalista, o meu pai partiu cedo demais. Mas nunca deixei de acompanhar o jornal - especialmente quando, aqui e ali, se afastou da suas premissas iniciais. Felizmente, poucas vezes. O percurso no jornalismo poucas vezes me aproximou do jornalismo diário, mas a referência e o adn ficaram lá. E nunca andei longe desse olhar atento e crítico que o meu pai me ensinou.
Hoje vi na banca o jornal cuja capa (falsa) é a reprodução da primeira página do primeiro numero, percebi que era a edição de aniversário, comprei o El Pais  - e voltei por instantes a esse tempo. Quando sonhava ser um dia jornalista, e a vida era toda ela segura e simples. Não tem sido - mas isso seria todo um outro post. Para agora conta a memória, a homenagem, e a lembrança. O resto...

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Por Falar Noutra Coisa. Humor neste reacordar do blog. Rir é o melhor remédio. Lugar comum indiscutível.

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“Sucessivos governos ficaram irritados, o actual vai um pouco mais longe, esquecendo que votar é um direito mas nunca uma obrigação. Em países desenvolvidos os cidadãos até votam durante a semana, ao passo que na choldra querem proibir jogos de futebol para obrigar o povo a ir votar." António de Almeida, Aventar

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