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Pedro Rolo Duarte

15
Out17

Depois da “gritaria”

Das coisas boas do advento das redes sociais é esta “gritaria” que se “ouve”, e na verdade se lê, sempre que há um caso polémico que mexe connosco, seja por razões políticas, sociais, emocionais, de justiça. Há um sentimento de liberdade – muitas vezes lamentavelmente confundido com impunidade e “vale tudo”... – que me parece de tal forma saudável e democrático que suplanta o lado negro das redes, que é essa grotesca, ordinária, reles, tantas vezes criminosa forma como muita gente aproveita a janela de liberdade como saída de esgoto de frustrações, ódios, casos mal resolvidos, etc..

Dito isto, seria sobre o “caso Sócrates” que deveria vir aqui deixar o meu “acrescento”. A “gritaria” está ao rubro. Sucede que, nestas ocasiões, me vejo ofuscado por tudo quando se diz, e sinto sempre que não tenho nada a acrescentar.

É o que está a acontecer. Acho que já foi tudo dito – pelo menos, o que diria se me desse para aí. Para trás, no arquivo deste blog, está mais de uma dezena de textos que deixam clara a minha opinião sobe a figura, e até alguns momentos em que nos cruzámos.

Agora, passada a excitação inicial, o que gostava era que, num clima de excepcional profissionalismo (ouvi alguns especialistas em quem confio dizerem que aquelas 4000 páginas são não apenas sólidas como inteligentemente produzidas), daqui se passasse a um julgamento que não chegasse ao fim quando talvez já nem me lembre de quem era esse tal de Sócrates. Isso é que era bonito.

11
Out17

Em menos de 20 anos

filho da noiva.jpg

O filme é de 2001, mas se a memória não me falha estreou em Portugal em 2002. Foi o último que vi no mítico cinema Quarteto, a sala (vezes 4) de Pedro Bandeira Freire, na Avenida Estados Unidos da América, antes de fechar e assim ficar até aos dias de hoje. Apesar de ser algo a meio caminho entre a comédia e o drama, e tão simples no guião como na forma como se desenrola, mexeu comigo muito mais do que esperaria. Comovi-me, ri, chorei, e andei com ele na cabeça meses a fio. De tal maneira que o procurei em DVD vários anos – e quando encontrei, algures num site espanhol, comprei logo. Mais tarde chegaria a Portugal.

Chama-se “El Hijo de la Novia” (em português, literalmente, “O Filho da Noiva”), e tanto quanto sei foi a obra que revelou ao “mundo” os argentinos Ricardo Darín (protagonista), e o realizador Juan José Campanella. A "fita" (como gostava de dizer Fonseca e Costa...) esteve nomeada para o Oscar de melhor filme estrangeiro desse ano. Não ganhou, mas em 2010 Campanella “vingou-se” com “O Segredo dos Seus Olhos”.

Quando se fala de filmes que marcam as nossas vidas, costumo citar este (entre outros, claro), por estar fora do enquadramento mais óbvio. Não é uma obra-prima, não mudou a face da terra, não foi a génese de novas formas de fazer cinema. Foi apenas um filme argentino inesperado, para mais de orçamento modesto, cuja história, de tão bem contada e melhor interpretada, mexeu comigo e com as preocupações, os sentimentos, e tudo o que me interessa nas relações humanas.

Como disse, deu-me uma trabalheira encontrar o DVD, na altura sem legendas. Mais tarde, lá saiu uma edição portuguesa. E depois o filme entrou no natural esquecimento desta selva, onde tudo se atropela e só fica quem grita mais alto.

Há dias, por acaso, descobri esta coisa fantástica: o filme está disponível na net, de borla, sem pirataria nem malandrice, na íntegra e com razoável qualidade. Aqui. Voltei a vê-lo, claro. E não deixei de notar como, em 20 anos, tudo mudou a um ponto em que é possível ter à mão o que, naquele distante 2002, me custou encontrar e mais ainda pagar. Como será daqui a 20 anos?

08
Out17

Falem mal, mas falem...

Em todos os actos eleitorais assistimos ao mesmo relambório: exceptuando o segundo classificado – quase sempre o PS ou o PSD -, que reconhece a derrota e vai para casa, todos os outros discursam para as televisões a cantar vitória. Ou tiveram mais votos, ou mais juntas de freguesia, ou ultrapassaram o adversário mais próximo. Ou, pura e simplesmente, tiveram votos, coisa extraordinária.

O campeão das vitórias, desde que me lembro de assistir a estes finais de noite, é o PCP, que ganha sempre qualquer coisa, nem que seja o facto de nada ter perdido.

E foi por aí, pelo facto de ter visto, há oito dias, Jerónimo de Sousa, reconhecer uma derrota eleitoral, que decidi escrever a minha mais recente crónica na plataforma Sapo24. Entre a ironia e a pura opinião de eleitor. Está aqui, caso tenham curiosidade.

O que não esperava, ou já não me lembrava, é o que pode constituir uma caixa de comentários para efeitos de desabafo, psicoterapia, ou simples destilar de bílis. Quando dei por eles, eram já uns tantos, insultando-me de tudo, classificando-me tanto de militante do PSD quanto do CDS, usando a mais fina linguagem para reduzir o texto a uma ideia: o Rolo é um atrasado mental. Como ando nisto há mais de 30 anos, e até a ameaças físicas tive direito, não me incomodaram minimamente as alarvidades que se escreveram, nem me dei ao trabalho de responder. Fiquei apenas estupefacto com a importância que se dá, no mundo virtual, a um texto mais entre milhares de textos e opiniões que a toda a hora se “postam” em todas as plataformas (nalguns casos, acusando-me de ser pago pelos impostos dos portugueses, coisa que certamente dava jeito ao Sapo, porém não é verdade...).

Sinto que sou um pequeno arbusto na enorme floresta digital, e que só com um golpe genial – de talento, sorte, ou combinando ambos – alguém vai ligar ao que escrevo. Habituei-me a viver nesta recatada humildade, onde escrever não é mais do que um velho hábito que alimento.

Ao ler aquele chorrilho de insultos, fiquei contente. Não por mim, claro (ninguém gosta de ser enxovalhado gratuitamente...), mas por ver que o Sapo24 é muito mais relevante do que se julga, e está na Primeira Liga do mundo digital. Já tinha orgulho em fazer parte daquela pequena equipa – agora, insultado e tudo, tenho mais...

03
Out17

Saio, mas fico

Pedro Passos Coelho consegue, por fim, completar a improvável quadratura do circulo: anuncia que sai mas previne que se vai manter-se por perto, reconhece que perdeu mas no fundo acha que o fizeram perder, abandona a liderança mas não descarta o regresso. Nunca tinha visto um homem tão pouco humilde fingindo tão bem uma presumível humildade.

Os candidatos a quem deu a mão, e que escolheu, fizeram mal em seguir-lhe o estilo. Talvez agora percebam algumas derrotas de domingo passado...

02
Out17

Gosto, Não Gosto

Rapidamente, sobre as eleições de ontem, cujos resultados me deixaram dividido entre a alegria e a tristeza, decidi fazer um clássico “Gosto, Não Gosto”... Neste caso já com o verbo no passado:

  • Gostei de ver André Ventura ser chutado para o terceiro lugar de Loures. O discurso populista, racista, a roçar a extrema-direita, não pegou. Espero que se mantenha coerente e continue a viver nas valetas da política.
  • Não gostei de ver Isaltino de Morais ganhar Oeiras. Pelos vistos, de nada serviu um julgamento, uma condenação, e uma prisão – e dá razão ao candidato a deputado brasileiro, cujo slogan de campanha era algo do género “Eu roubo, mas eu faço”...
  • Gostei de ver Assunção Cristas premiada pelo empenho, pelo entusiasmo, pela dedicação, pela coragem. E pelas ideias e promessas. Espero que não desiluda os eleitores, que lhes “dê em dobro” o que recebeu (palavras dela), e que confirme que há vida depois de Portas.
  • Não gostei da vitória esmagadora de Fernando Medina. Os lisboetas, como eu, sabem que não merecia. “Alindar” a cidade não é o que se pede ao Presidente da CML – e sentindo que todos os dias mais lisboetas são literalmente expulsos da cidade para os subúrbios, e que a cidade vive um caos que resulta das (erradas) prioridades da Câmara, esperava uma vitória ligeira, que lhe reconhecesse algum talento mas o obrigasse a ouvir quem vive na capital.
  • Gostei de ver Narciso Miranda e Valentim Loureiro remetidos ao lugar que merecem. Perdedores.
  • Gostei de ver Pedro Passos Coelho, por um momento, não fingir que ainda é primeiro-ministro, e reconhecer que não vai ser muito mais tempo líder do PSD.
  • Não gostei dos números da abstenção. O português adora dizer mal “deles” e queixar-se “deles” – mas depois está nas tintas para votar “noutros” ou “neles” ou em “ninguém”. Não votaram? Calem-se por quatro anos...

(Este texto é dedicado a toda a equipa do Sapo24, que fez uma difícil e excepcional emissão online que ajuda a definir onde está o futuro quando se fala de jornalismo...)

Blog da semana

Mesa do ChefePara quem, como eu, gosta de cozinha, gastronomia e restauração, este é mais um dos poisos certos...

Uma boa frase

O Insurgente“Isaltino Morais: perda de mandato autárquico; condenado a 9 anos de prisão por fraude fiscal, abuso de poder, corrupção passiva para acto ilícito e branqueamento de capitais. Resultado 2017: 41.7% Esta é a imagem do país. Em suma, temos o país que merecemos, com os políticos que merecemos, com o fado que merecemos." Mário Amorim Lopes

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