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Pedro Rolo Duarte

02
Jun11

Ainda sobre o voto, e para terminar...

Quando escrevi um post sobre o meu voto – procurando manter uma atitude, enquanto jornalista, que tem sido pouco usual em Portugal – não imaginei que ele entraria em poucos dias para o “top five” dos mais comentados no blog. Exceptuando um ou dois apontamentos (que não deixei entrar cá em casa por serem manifestamente ofensivos), as opiniões que desfilam por esse post abaixo são contributos para um debate sobre o momento que vivemos e as opções que se nos colocam pela frente. Mesmo quando manifestam de forma assertiva a sua discordância, gosto de ler os comentários – nunca pretendi ser unânime nem ando à “cata” de votos...

Dado que entendo o voto, nos tempos que vivemos, como algo instrumental - e não pura nem essencialmente ideológico -, posso perceber a estranheza da minha “declaração” naqueles que sintetizam o dever cívico numa opção de raiz. Mas não sigo esse caminho. Eu voto para atingir um objectivo, que neste caso são vários: obrigar o Partido Socialista, na oposição, a refundar-se e reestruturar-se, aproximando-se da sua origem a afastando-se do clientelismo do tempo Sócrates; garantir que o PSD não tem uma maioria folgada que lhe permita ser o “PS-que-se-segue”; e viabilizar Portugal num momento delicado, numa aliança em que o CDS funcionará como trinco de uma coligação. É portanto um voto cirúrgico – ainda que sustentado na convicção de que a cabeça de lista por Lisboa, Teresa Caeiro, será uma excelente deputada, facto que de resto já provou, e que a sua presença no parlamento será tanto mais relevante quando maior for a representação do seu partido.

Dito isto, espero ter respondido aos que se indignam com o voto à direita de um homem de esquerda, e tenho a certeza de não ter deixado duvidas aos que, à direita, pensam ter conquistado um voto. Nada disso. É apenas o efeito da vacina: dá-lhe agora para ter imunidade mais à frente...

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Uma boa frase

“O centrão político - conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas - anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o "comércio livre", menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela "mão invisível" dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?" Ricardo Paes Mamede, Ladrões de Bicicletas

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