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Pedro Rolo Duarte

14
Jun11

Arqueologia de trazer por casa

Do que me lembro quando puxo pela mais antiga memória que ainda tenho, era assim o telefone na minha infância. Discávamos naquele aparelho um número com seis algarismos, e falávamos com pessoas que estavam “do outro lado do fio”, como se costumava dizer.

Quando viajávamos, a primeira coisa que fazíamos ao chegar ao hotel era ligar para Lisboa, 00351, e dizer “cheguei bem”.

No Penedo, onde tínhamos a casa de férias, só havia um telefone em toda a aldeia – estava na mercearia, tinha um contador, toda a gente ouvia a nossa conversa, e não raro havia fila para telefonar. O que mais encanitava a Dona Emília, dona da loja, era quando ía para lá receber chamadas – ou seja, usar o telefone e não pagar...

Lembrei-me do aparelho há poucas semanas, quando entrei num quarto de hotel, numa cidade longe daqui, e dei comigo a olhar para um telefone fixo - com teclas, porém suficientemente antigo para me levar até esta memória.

Para que serve hoje um telefone num quarto de hotel? Quem o usará para ligar à família e dizer “cheguei bem”?

Subsiste ao tempo que passou e ao tempo que mudou. Algum dia será uma memória semelhante ao telex ou ao telegrama?

Vou mandar fazer uma t-shirt a dizer: “eu sou do tempo do telefone fixo”.

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