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Pedro Rolo Duarte

04
Ago11

Brincadeiras de Verão (II)

Não escondo que sou um leitor militante da imprensa cor-de-rosa. Ninguém é perfeito, e na verdade frequento pouco cabeleireiros e salas de espera, além de que não gosto de ler “de borla” na livraria da esquina (ver este post, que está sempre muito actual...). Resta-me comprar. E divirto-me com o que acontece, com as festas, com o que as pessoas dizem, com as trocas e baldrocas. Desculpo-me com o facto de conhecer boa parte daquelas pessoas – mas é só uma desculpa como outra qualquer.

Como esta época do ano é propicia a estas leituras leves, e eu não quero que falte nada aos leitores deste blog, decidi coligir, para começo de conversa, um conjunto de frases habituais nas páginas da imprensa. E traduzi-las.

Constitui um código que os leitores habituais e os amigos compreendem, mas que aos incautos pode escapar. Agora já não escapa.

 

Assim, quando lerem...  

 

O casal X está “numa cumplicidade crescente”, isso é = a: já se embrulharam e estão na fase de se deixarem fotografar. Algumas semanas mais tarde, a legenda será “já não escondem o amor que os une”.

 

A figura X afirma: “Estou disponível para o amor”. Isso é o mesmo que: “Por favor, alguém me pega?”. Ou: “Hello, não querem ser meus amigos no Facebook?”

 

A legenda da revista afirma que a figura X, “aos 42 anos, está em excelente forma fisica”. Tradução: ainda não é este ano que fazemos uma reportagem com ela no Ângelo Rebelo.

 

Ou... “Aos 47 anos, recuperou a sua auto-estima”. Tradução: foi ao Ângelo Rebelo.

 

Ou ainda... “Aos 47 anos, mimou-se com uma pequena intervenção estética”. Igual a: foi ao Ângelo Rebelo e ele fez um desconto na condição de dar reportagem de revista

 

Casal explica coisas: “Numa relação depois dos 40 anos, a amizade e o companheirismo ganham uma importância crucial”. Forma discreta de dizer: sexo, só uma vez por mês e é em anos bissextos...

 

Actriz de novela acabada de sair de agência de modelos declara: “Não basta ser uma cara bonita”. O que ela quer dizer: “Não tenho talento por aí além, mas não sou apenas manequim e gostava de ter um contrato com uma TV qualquer, mesmo que seja na TV-Bobadela”.

 

Figura conhecida acima dos 30 anos afirma: “Já senti o apelo da maternidade”. Bandeira de alerta máximo levantada e um pensamento: “que se cuide o próximo, não tomo quaisquer medidas preventivas e quero mesmo ser mãe”.

 

Parte de casal explica longevidade do amor: “A nossa relação baseia-se em pilares muito fortes”. Ou seja, “eu tenho o dinheiro, ela tem a paciência”. Ou vice-versa.

 

Actriz desaparecida reaparece em festa irrelevante e diz: “sinto que estou a iniciar uma nova fase da minha vida”. Ora, é = a um grito: hello, preciso de emprego, trabalho, visibilidade!

 

Titulo de reportagem com muitas pessoas que não sabemos bem quem são num barco esquisito: “Amantes do mar vivem fim-de-semana divertido”. O que aconteceu realmente: foram passar um fim-de-semana pago por uma marca qualquer na condição de se divertirem à força para que as revistas possam fotografar a diversão. E publicar.

 

Casal já com uns anitos declara: “O mais importante é o respeito e a amizade”. Isto quer dizer: já não te gramo nem com molho de tomate mas enquanto não me decido, dou entrevistas

 

Titulo longo - mas não incomum - de revista: “Indiferente às noticias sobre infidelidades do marido, ZZ descansa no Algarve”. Isto é recado para o infiel: “ou te chegas à frente com muito dinheiro ou esquece lá isso do divórcio”

 

Casal apanhado em noite algarvia: “Estamos bem e gostamos do que estamos a viver. O tempo dirá o resto”. Tradução simples: namoro de Verão

 

Claro que este é um caso típico de “work in progress”. Amanhã pode aparecer um título bombástico do género “O Amor não escolhe idades” e isso não quer necessariamente dizer José Raposo. Estar atento faz a diferença.

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Uma boa frase

“O centrão político - conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas - anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o "comércio livre", menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela "mão invisível" dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?" Ricardo Paes Mamede, Ladrões de Bicicletas

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