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Pedro Rolo Duarte

25
Jan08

Sobre o Estado, ainda

Eu acho que a Vieira do Mar  tem razão: devia haver uma forma de garantir que Maradona jamais deixaria de escrever “A Causa Foi Modificada”  – e se calhar alguém teria de lhe pagar, devia haver forma de financiar aquele blog. Quem pode pagar?

O Millenium?
A Gulbenkian?
O Estado?
Não sei.
Mas ontem ele escreveu a seguinte frase notável:

“Eu não sei o que é que se passa aqui. Tenho a certeza é que o país muda, muda, muda e muda mais; estou até convencido que o país pode embarcar todo amanhã para a Republica Centro Africana, mas o caralho dos serviços públicos ficariam cá a garantir que nada feche e que, claro está, nada abra”.

Era isto que eu queria dizer, e não sabia como, quando falei da Asae e dos funcionários públicos, isto é, dos serviços do Estado. Era isto que eu queria dizer, esta subtileza e eficácia e clareza no discurso. A imagem: o país baza, mas os serviços públicos não mexem. Ficam, ali, iguais, a garantir o rumo da burocracia e da ineficácia, o zero-zen da inexistência. Sem “fregueses”, mas de pé nos seus postos. Os regulamentos são para cumprir.

Talvez seja infeliz da minha parte ter a coragem de escrever o que penso. Faço-o porque me confronto, como qualquer cidadão, todos os dias, com a ineficácia, o deixa andar, o abuso de poder, a incompetência, a negligência, a prepotência. Acima de tudo, confronto-me com a inimputabilidade de uma máquina que come o dinheiro que lhe dou e dá nada em troca. E não me conformo com a injustiça que representa uma classe pública inimputável (de que faz parte a classe politica, não o esqueçamos), à solta, negligente e irresponsável (porque irresponsabilizável, claro...) – enquanto do outro lado me sinto emparedado entre quem nunca se esquece de cobrar a responsabilidade e quem faz questão de me fazer pagar cada migalha que me esmifro para ganhar.

Na verdade, infelizes são as vítimas de um país que não funciona e faz tudo para que não se note. Ou seja: muda muito, para ter a certeza de que tudo fica na mesma.

 

PS - Bom, quanto ao Maradona, não sei. Sei que quero ler o que escreve. Mesmo quando fala de pássaros que não distingo para lá das asas. Ou de snooker, modalidade que comparo sem problemas à carica e ao berlinde.

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Ladrões de Bicicletas. Voltar a um dos mais clássicos blogues colectivos de análise e pensamento social e político e reencontrar excelentes textos, opiniões pensadas antes de escritas, e o prazer de um bom serão ao sofá a ler. Like.

Uma boa frase

“O centrão político - conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas - anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o "comércio livre", menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela "mão invisível" dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?" Ricardo Paes Mamede, Ladrões de Bicicletas

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