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Pedro Rolo Duarte

13
Set11

30 anos

 

(Não me apeteceu acertar no dia. Deixei passar mais alguns. Vai hoje.)

Se quiser ser rigoroso, é mesmo assim: 4 de Setembro de 1981.

Nesse dia, uma sexta-feira, acordei mais cedo do que o costume. Arranjei-me depressa, e saí para a rua ansioso e expectante. Lembro-me muito bem do que senti quando abri o jornal e vi o meu nome no fim de um artigo que ninguém me encomendara...

Tinha 17 anos, andava no Liceu de Camões, e sabia perfeitamente o que queria fazer. Achei que era o momento de começar. Às escondidas dos meus pais, enviei os primeiros artigos que escrevi para o suplemento “Correio dos Jovens”, que animava semanalmente as páginas centrais do “Correio da Manhã”. Assinei apenas Pedro Duarte, porque não queria que o apelido “Rolo Duarte” influenciasse uma escolha. Queria afirmar-me apenas pelo meu trabalho, bom ou mau que fosse.

Naquela sexta-feira, na capa do suplemento, uma chamada: “Apelo Juvenil: Vamos evitar Guerra Mundial”. Era o meu artigo. Era o princípio de um caminho. Na semana seguinte, outro texto, agora sobre a explosão da Nova Música Popular Portuguesa que se adivinhava em grupos como os Trovante. Depois outro sobre rock português. E à terceira dose, um telefonema inesperado de Victor Silva Lopes, coordenador do suplemento: “Gostava que escrevesse todas as semanas, só que não tenho dinheiro para lhe pagar...”.

E eu ralado...

Na semana seguinte, nascia “Música à Brava”, uma coluna sobre música no “Correio dos Jovens”. Foi assim que tudo começou. Depois veio o “Sete”, a rádio (obrigado Henrique Mendes, onde quer que esteja, obrigado Rui Pego, até hoje...), a televisão (obrigado Carlos Pinto Coelho, onde quer que esteja...), a aventura de fundar “O Independente” (“Mas o Miguel...”, é assim que eu começo as frases quando me lembro de tudo o que ainda hoje me ensina...), a aventura de fazer a “K” e a seguir o Cáceres Monteiro a desviar-me para ajudar a fazer nascer a “Visão”, e depois os dez anos de DNA (Obrigado Mário Bettencourt Resendes, onde quer que esteja, obrigado Edson...), o ano final na direcção do DN com o Miguel Coutinho e o Raul Vaz, a primeira revista do “i”. Pelo caminho, dezenas de programas de rádio e televisão, experiências na Net, projectos que nasceram e morreram sem nunca verem a luz do dia. E coisas pequeninas que mexeram comigo, e coisas grandes que nem por isso me assustaram.

Assim, de repente: gostei de publicar na revista “Pousadas”, que a Maria Elisa inventou para as “Pousadas de Portugal”; gostei de escrever todos os dias sobre Telejornais no DN durante um ano; amo tudo o que faço na Antena 1; acho que nunca fui tão feliz a conversar com pessoas como no Correio da Manhã Rádio. São só exemplos.

Ficam lá.

Gostava de fazer documentários impossíveis. Gostava de fazer uma revista que eu sei qual é. Tenho ideias para novos programas de rádio, para mais projectos de televisão. Gostava de muito mais tempo do que o tempo que tenho. Um restaurante. Um negócio que eu cá sei. Ideias de marketing, de comunicação. Coisas que ainda sei que posso fazer. E o pior é que talvez faça.

Tive muita sorte, tenho 30 anos de tanto prazer guardado cá dentro (e algures perdido em hemerotecas e videotecas e arquivos sem interesse...), que se amanhã a crise continuar e eu tiver de voltar ao começo, isso não me incomoda nada.

Venha outra vida. Com outro sonho. Com a mesma vontade. Os jogos de computador ensinaram-nos que é possível ter várias vidas, como os gatos. O mundo tem-se encarregado de confirmar isso mesmo todos os dias.

Ou como li na assinatura de um mail de uma boa amiga: “se a vida te dá limões, faz limonada”.

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“O centrão político - conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas - anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o "comércio livre", menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela "mão invisível" dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?" Ricardo Paes Mamede, Ladrões de Bicicletas

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