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Pedro Rolo Duarte

11
Jan12

Sobre a generosidade social de Eduardo Catroga

Sempre estranhei as pessoas que ganhavam rios de dinheiro. Para quê ganhar muito quando se pode ganhar pouco? Para quê ter contas milionárias que só dão trabalho a gerir?
Ontem, através do Correio da Manhã, esse mistério foi por fim desfeito, graças às esclarecedoras palavras de Eduardo Catroga, interrogado sobre o salário de 45 mil euros mensais que vai ganhar na EDP. Diz o sábio Catroga: "50% do que eu ganho vai para impostos. Quanto mais ganhar, maior é a receita do Estado com o pagamento dos meus impostos, e isso tem um efeito redistributivo para as políticas sociais."
Lá está: filantropia pura! Generosidade! Sentido de ética social!
Eduardo Catroga queria um salário modesto, por ele podia ser um salário mínimo – mas, em tempo de crise, ele quer contribuir para as melhores politicas sociais. Vai daí, aceita os incomodativos 639 mil euros anuais, a que soma pensão de 9600 euros. Dá um bocado de trabalho a gerir e gastar, mas vá: é por uma boa causa...
Eduardo Catroga foi ministro das Finanças de Cavaco Silva, só para o caso de não se lembrarem.

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“O centrão político - conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas - anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o "comércio livre", menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela "mão invisível" dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?" Ricardo Paes Mamede, Ladrões de Bicicletas

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