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Pedro Rolo Duarte

17
Jan12

Sem acordar no acordo e sem deixar de brincar

Por causa de uma conversa longa e divertida, descobri que é possível adaptar a linguagem dos grandes chefs de cozinha à vida comum. Mesmo embirrando pessoalmente com as ementas dos restaurantes que se alongam em folhados que dormem em camas de reduções de migas com salteado de braseado de escama da vaca concebida em noite de Lua Cheia e estrelada, nem por isso deixo de admirar quem vai tão longe.
Por isso, e com palavras, a saber:
Podemos fazer um Brás de má-lingua sobre cama de silêncio frito em boato; ou um sorriso assado em forno de lenha com crosta de gargalhada franca; Um bife de verbos com molho de redução de advérbios; ou uma massada de conversa mole (que obviamente ninguém vai comer...); ou uma açorda de palavras doces...
Também podemos avançar sobre um tártaro de sentimentos (parece-me um prato juvenil, mas forte), um creme de palavrões com um pingo de sentimento azedo (é como a nata, fica sempre bem...), e um pudim de beijos-se-o-abade-de-priscos-beijasse a rematar.
Ou melhor dito: em puxando pela imaginação, não há jargão profissional que não se possa converter noutro qualquer léxico de uso pessoal. Gosto disso. Gosto especialmente de saber que ainda não há acordo ortográfico ou de outra qualquer espécie que me impeça de brincar com as palavras.
Continuarei por isso sem acordar no acordo e sem deixar de brincar.

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Uma boa frase

“O centrão político - conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas - anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o "comércio livre", menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela "mão invisível" dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?" Ricardo Paes Mamede, Ladrões de Bicicletas

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