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Pedro Rolo Duarte

10
Fev08

Diálogo entre pai e filho no decorrer de uma estreia no teatro

Ele: Mas porque é que os fotógrafos vão todos ter com ela?
Eu: Porque a conhecem.
Ele: Quem é ela?
Eu: É a ex-mulher do Jardel.
Ele: (ele, excitado!) Do jogador, pai?
Eu: Sim...
Ele: ...Mas ele joga agora no Beira-Mar, ou jogava...
Eu: Pois, mas ela é a ex-mulher dele...
Ele: E eles fotografam-na só por causa disso?

Eu: Sim, deve ser a profissão dela... ex-mulher de futebolista.

(Aqui o António Maria riu-se, que ele é miúdo com sentido de humor...)

Ele: Mais nada?

Eu: Bom, na verdade ela agora é noiva de um jogador de hóquei...
Ele: Ah, por isso a jornalista lhe perguntava pelo vestido de noiva...

Eu: Sim, filho, e ela respondeu que era do Augustus...
Ele: Porquê?

Eu: Porque deve ser oferecido na condição de ela dizer muitas vezes que é do Augustus... Digo eu, não sei...

Ele: Oh pai, como é que ela se chama?

Eu: Karen

Ele: Karen ex-Jardel?
Eu: Tem outro nome, mas não me lembro qual...

Ele: Esta jornalista está outra vez a perguntar pelo vestido de noiva...

Eu: Sim, António Maria, e depois?
Ele: Nada, pai, não te irrites: estava a tentar perceber... Sabes que o Jardel até foi um grande jogador?
Eu: Sei..
Ele: Nunca foi do Benfica, mas foi um grande jogador.
 

(Ele tinha toda a razão. Mas eu não sabia, nem sei, como explicar a um miúdo de 12 anos por que raio a Karen ex-Jardel, e agora noiva de um hoquista, era protagonista de um momento à nossa frente numa estreia de teatro. Eu passo os dias a ensinar ao António Maria que a notoriedade deve resultar de um qualquer talento, se me faço entender...)

 

PS – Parece que o Jardel já nem está no Beira-Mar, mas isso agora não interessa nada...

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“O centrão político - conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas - anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o "comércio livre", menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela "mão invisível" dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?" Ricardo Paes Mamede, Ladrões de Bicicletas

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