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Ainda sou dos que gostam de saltitar por entre blogues pessoais, muitas vezes sem qualquer ligação com o meu universo, mas por isso mesmo interessantes e reveladores. Eis mais um, de uma autora que se identifica assim: "A escrever é que a gente se entende. Jornalista e contadora de histórias. Vivia o ano inteiro no verão." Inteiramente de acordo.

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“Os falhanços apenas são graves no momento em que já não é possível escondê-los". José António Abreu,
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Terça-feira, 24 de Abril de 2012

Gostava de escrever sobre o Miguel Portas, com quem tive passado distante e menos distante. Mas a notícia da sua morte deixou-me prostrado, como que vencido pelos factos. Por ser tão inesperada (as ultimas noticias que tive dele, há já largos meses, davam boa conta da sua saúde), foi como se andasse a pairar por aí e me chamassem à terra - oh rapazinho, isto não é tudo estrada, ouviste? – e me pusessem em ordem.

Foi o que senti, assim, num ápice. Pensei na mãe Helena, na sua vivacidade infinita, e de como a sua gargalhada generosa e franca terá sido subitamente calada por este momento terrível. Pensei no irmão Paulo, na irmã Catarina. Lembrei-me inevitavelmente da morte do meu irmão e do que se pode sentir neste encontro entre os que ficam e os que partem. Sem comparações, que as não há.

Recuei umas décadas e encontrei o Miguel, na sala de convívio da sede da UEC, na Rua Sousa Martins, a ensinar-me a ler “O Capital”, de Karl Marx, numa espécie de curso de formação de quadros dos estudantes comunistas. Tinha 14 anos, ele teria 20, era um dos ídolos dos adolescentes que, como eu, por instantes acreditaram naqueles amanhãs a cantar. Naquele tempo, só o facto de poder conviver com ele enchia-me de orgulho... Depois, avancei uns anos largos e estávamos os dois no Snob, eu a entrevistá-lo para a “K” (e como a coisa correu mal, cada a um a puxar a brasa à sua sardinha politica, e no fim a rever as provas, linha a linha, ele sempre firme e enérgico, eu a tentar acompanhar...). Por fim, avencei mais uns anos e lembrei a conversa serena no final de noite da RTP-2, no Falatório. Por momentos, o Miguel voltou aqui à sala. Mas nem por isso fiquei menos enfraquecido por mais esta partida da vida, e por essa via menos capaz de escrever o que queria e saberia. Um dia destes, talvez.


publicado por PRD às 23:17
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5 comentários:
belo texto

deixado em 25/4/12 às 01:06
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Fiquei estarrecida... triste, triste.
Revejo-me no que o Pedro escreve. E lembrei-me muito da mãe Helena, que tive o prazer de conhecer na Faculdade enquanto minha Professora e que me marcou profundamente.
Um "até Já" para o Miguel...Política à parte, vai-nos fazer muita falta.

deixado em 25/4/12 às 01:19
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Estes tristes acontecimentos, puxam-nos para a terra, colocam-nos na pele dos protagonistas, e deixam-nos assim mesmo, sem palavras...

deixado em 25/4/12 às 15:12
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Excelente texto, boa reflexão e uma homenagem justa e merecida. Que o Miguel descanse em Paz.

deixado em 25/4/12 às 16:10
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kika
Simplesmente fantastico este texto. Parabens!

deixado em 26/4/12 às 21:54
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