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O processo inverso merece destaque: começou por ser um livro e só depois foi um blog. Da Rita Ferro Alvim...
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Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008

Quando acordo, ligo o rádio e oiço os noticiários da TSF e da Antena 1. Anoto os temas dos fóruns de cada uma das estações. Bebo chá na sala, e vou picando a SIC-Noticias e a RTP-N. Depois recupero a minha peregrinação diária à blogoesfera para completar o trabalho de casa, que é a crónica para a rádio. No “Sapo” vou direitinho à “Banca dos Jornais” e vejo as primeiras páginas (boa parte delas já as tinha visto antes de dormir, na SIC Noticias), leio o que me interessa (ou o que me deixam).
Quando finalmente saio de casa, estou a par do que se passa no mundo. Dispenso, por isso, a maioria dos jornais gratuitos, porque não me dá mais do que já sei. E da imprensa diária, que por vício profissional ainda compro, leio apenas opinião e reportagem. Ah, e fofocas, que me divertem sempre...
Não me interessam as noticias, porque já não são – foram noticias... E é aqui que eu paro.
Todos os dias me interrogo sobre a imprensa diária, praticamente um euro por jornal, e o caminho que leva. Interrogo-me muitas vezes sobre os semanários, as revistas, ao preço de 3 ou 4 canções no I-tunes (e as canções ouvem-se tantas vezes...). Acho sinceramente que há um trabalho profundo de reflexão, análise e reacção por fazer nos media. Por agora, chuta-se para a frente com DVD’s, faqueiros, cursos de línguas e o mais que houver. Tapar o sol com a peneira e fazer de conta que aquela remodelação gráfica veio mesmo a calhar.
Jornais sem marketing e ofertas, nem pensar. Claro que sim. Mas é melhor antecipar cenários e fazer a pergunta: para quê jornais (ou revistas), se são quase residuais os que os compram pelo produto em si? Se um jornal vale o dobro da sua venda por oferecer um DVD, não vale ele próprio metade do que aparenta? Que negócio é esse, então?
É claro que quando leio o “El Pais”, o “Le Fígaro”, o “The Guardian”, reconheço-lhes uma consistência global, e uma ligação a um tipo de informação privilegiada, que lhes apara o golpe diário de um preço a pagar.
Mas acho que o meio a que ainda sinto que pertenço não percebeu o beco onde está metido E como tem de aprender a voar para sair dele.



publicado por PRD às 02:16
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11 comentários:
Emanuel Rodrigues
Os jornais diários têm muito para percorrer.
Faltam jornalistas seniores nas redacções. Os jornais são feitos maioritariamente por jovens da minha idade que não têm fontes de informação para alimentarem como deve de ser um jornal diário.
Mas não concordo com o Pedro Rolo Duarte quando diz que a crise é generalizada. Os semanários não estão assim tão mal. A revista Sábado está bem feira, gosto do Sol pela editoria de política, e aprecio as revistas das fofoquices que estão longe de entrar em crise tal é a procura. A Tv 7Dias vende 150 mil exemplares. É muita coisa!

deixado em 13/2/08 às 03:16
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Pedro Barbosa Pinto
Os jornais não são um vício profissional. São um vício, ponto final.
Por mais desintoxicações que se façam (férias por exemplo) voltamos sempre a reincidir.
São os vendedores de faqueiros, DVDs, cursos de línguas e o mais que houver que se aproveitam disso para realizarem algum dinheiro esgotando stocks, ou vendendo produtos que doutra maneira ninguém lhes pegaria.
Se um jornal vende o dobro por oferecer um DVD, é porque o DVD poderá valer um €uro, mas não vale os 6 ou 7 €uros que pedem por ele quando já em saldo numa FNAC qualquer.

deixado em 13/2/08 às 11:45
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PT
Falta, realmente uma reflexão profunda sobre o jornalismo em Portugal - e experiências concretas a nível editorial - mas, como sempre, acontece que os nossos pensadores estão à espera que os americanos ou os ingleses a façam primeiro. Porque é deste tipo a maior parte dos profissionais que temos e porque estamos condenados - por culpa própria - aos limites da difusão cultural.

deixado em 13/2/08 às 14:17
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boa reflexão

deixado em 13/2/08 às 15:15
responder a comentário | início da discussão

É, exactamente, o que não devia ser: um negócio.
Um negócio, na medida em que visa a maximização do lucro a todo o custo, mesmo que a qualidade doi produto seja má; quando deveria ser um negócio de seriedade, com um contrato de princípio com a audiência e não com as empresas que os sustentam.

Mas, se calhar, sou eu que sou um romântico.

deixado em 13/2/08 às 16:43
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Lembro-me do tempo em que A Bola e o Record eram semanários. Não, não pretendo depreciar o público nem alvitrar sobre qualquer decadência intelectual do Português: simplesmente fazer ver que os jornais desportivos têm um produto que a tv e a rádio não conseguem substituir: informação dinâmica e opinião original. Por vezes, até passa barreiras e faz comentário político.

A outra imprensa escrita, ou por se limitar ao streaming das notícias das agências noticiosas, ou por ter adoptado o carácter medíocre das televisões generalistas, afundar-se-á inevitavelmente.
E esse foi sempre o caminho inverso da imprensa estrangeira citada. Ver, e.g., o Independent, o qual nunca exibe na primeira página aquilo que todos os outros jornais consideram o facto do dia. Não é uma estratégia como outra qualquer porque quase sempre essa primeira página é resultado de jornalismo próprio de investigação, funcionando tanto comercial como socialmente.

deixado em 13/2/08 às 18:19
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Para ficarmos informados é fundamental ouvir a rádio pela manhã, fundamentalmente a antena1, neste momento a melhor rádio a nível informativo, debates e tertúlia - entrevistas de Maria Flor Pedroso, «Alma Nostra» e o espectacular «Contraditório».
Na manhã informAtiva da antena1 destaco as prestações de Nuno Rodrigues, que não é o titular, mas deveria ser, dos noticiários das 7/8/9 e 10 da manhã e a «Antena Aberta» magistralmente conduzida por Maria Eduarda Maio e, às vezes, por Mário Rui Cardoso.
Relativamente à TSF, penso que está a morrer aos poucos, já sem a clara energia desde a sua fundação até 2001.
Quanto aos jornais têm que se reinventar e trazer factos novos com a devida opinião de figuras proeminentes que levam à reflexão do leitor. Os gratuitos poderão ter a sua importância, mas para mim não servem e são uma perda absoluta de papel.
No que toca aos jornais internacionais, acrescentaria àqueles que já foram mencionados pelo Pedro Rolo Duarte o jornal espanhol «El Mundo».

deixado em 13/2/08 às 18:51
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sweetmarraquexe
Por alguma razão apareceram os gratuitos. E dois deles até são bons e mais do que suficientes para o nível de informação que cá praticamos.
Veja o exemplo do DN. Acabaram com o que ele tinha de melhor, substituíram as direcções e uma boa parte de bons colaboradores e estão a vender cada vez menos. Porque será? O gratuito deles não está ao mesmo nível? Qualquer dia os Oliveira mandam esta direcção embora ou até se desfazem do jornal, que vai ficar completamente descaracterizado. Valeu a pena? Muito se deve rir o António José Teixeira...

deixado em 13/2/08 às 18:59
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Se há coisa que me chateia é esta mania das ofertas que a imprensa escrita arranjou agora. Já não têm conta os sacos que moram nos armários cá de casa à conta das revistas femininas que até são revistas "sérias", dentro do género. Se os portugueses não compram jornais ou revistas porque não têm dinheiro de onde aparecem os euros para comprar (chegando a esgotar a edição) quando há ofertas? Para mim é uma incógnita. Mas a verdade que graças a estas promoções ganhei um serviço de chá e café espectacular, um fondue maravilhoso e o Pedro ganhou mais uma leitora assídua quando descobri as suas crónicas na Luxwoman. Por isso nem tudo é mau, lololol!

deixado em 13/2/08 às 21:56
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elmano
Num país irrelevante não há que ter qualquer relevância. Lembra-se da xfm? Para uma imensa minoria. Esse é o caminho. De resto, pérolas falsas a porcos em massa. Carreira profissional? Sonhei várias vezes em ser um vendedor de submarinos nucleares: conviver com um árabe manhoso e ébrio na quinta do lago e está a realização profissional consumada...

deixado em 13/2/08 às 23:43
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Nuno Góis
Concordo com Pedro Barbosa Pinto, mas considero ainda duas questões: uma de gosto e outra de oportunidade. Eu leio o Público diariamente e às vezes o D.N, contudo no outro dia bastou-me comprar o correio da manhã e passei a ter um filme(paciente inglês)que me agrada muitíssimo apenas pelo preço do jornal e não deixei de comprar o Público. Por outro lado a questão do gosto: Parece-me de muito bom gosto e de preço acessível esta nova colecção de biografias e filmes de grandes cineastas que o Público vai editar, como tal vou coleccioná-la. Tal como fiz com a edição dos grandes fotógrafos que vinha com o Expresso, ou melhor era uma colecção do Expresso, pois não éramos obrigados a comprar o jornal, e aqui já se trata de um caso diferente.
Para concluir quero só dizer que penso que a qualidade dos jornais portugueses degrada-se de dia para dia, mas acho, ainda assim importante que os portugueses leiam jornais, portanto se for por causa de DVDs, seja desde que os leiam e já agora aproveitem os filmes que de uma maneira gral são melhores que os filmes que as nossas televisões vão passando.

deixado em 16/2/08 às 03:46
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