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Pedro Rolo Duarte

03
Jul12

Menos 73 500

Sempre que a Associação que controla as tiragens e as vendas da imprensa revela números, os meios de comunicação entram em delírio e parecem partidos políticos em noite eleitoral: todos ganham. Mesmo quando é óbvia a sangria desatada, os titulos das noticias sobre esta matéria oscilam entre “somos lideres” e “somos o único jornal/revista que cresce em período homólogo”. O período homólogo dá cá um jeitaço...

Ou porque não perdem, ou porque perdem pouco, ou porque a comparação segundo o critério Y os favorece, ou apenas porque sim, a verdade é que não há derrotas nesta competição, mesmo que tal facto coincida com despedimentos ou descontos na publicidade. Parece que há níveis de realidade distintos, em camadas, quando se fala de tiragens e vendas de imprensa. As piores notícias podem sempre ser boas.

É triste, mas é assim. E falamos de notícias de jornais...

Tenho tendência a ler tudo, sorrir aqui e ali, e depois seguir, no noticiário, o Correio da Manhã, porque é o jornal que apresenta a que me parece mais fiável das contabilidades: a venda em banca, isto é, os exemplares que se vendem diariamente ou semanalmente na rua, nos locais de venda, nos quiosques. Isto exclui assinaturas – que podem ser relevantes, mas não reflectem a tendência efectiva do momento que vive o mercado -, e vendas em bloco (para a TAP, para empresas, etc), que são negócios laterais ao interesse efectivo dos leitores.

Dito isto, e num ambiente em que, nas noticias publicadas, todos vencem, a realidade é só uma. Esta: nos 10 meios de imprensa mais vendidos em Portugal, entre diários generalistas e desportivos, semanários e revistas, perderam-se, NA VERDADE, entre 2011 e 2012, 73500 compradores de imprensa.

É um número pesado. Superior às vendas médias de oito dos dez mais vendidos. Qualquer coisa como se, de um ano para o outro, o “Expresso” passasse a vender 6000 exemplares em banca, em vez dos actuais (escassos, se olharmos para a história do jornal) 79943 exemplares.

Se é compreensível esta queda brutal na imprensa diária – vencida pela net, pelas rádios, pelas TVs, pelas redes sociais, em todas as frentes -, é claramente um sinal de ineficácia dos semanários e das revistas, que têm nas mãos o mercado, o potencial, o futuro, e preferem seguir as receitas que as novas tendências de consumo condenam e rejeitam.

Pertenço ao cada vez maior grupo de profissionais que defende que a imprensa em papel vai ser a jóia da comunicação nos próximos anos. O ouro. O diamante lapidado. Só a melhor imprensa, a de excepção, a de nicho, a de paixão (nem que seja por um artista ou clube de futebol...), vai sobreviver ao digital e à virtualidade. Os nossos semanários, as nossas revistas, já deviam estar a trabalhar esta nova abordagem de um velho mercado. E já deviam estar a reinventar o seu universo e negócio. Os velhos paradigmas morreram lá atrás. Ninguém quer ver o óbvio?

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“O centrão político - conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas - anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o "comércio livre", menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela "mão invisível" dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?" Ricardo Paes Mamede, Ladrões de Bicicletas

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