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Pedro Rolo Duarte

31
Out12

Das palavras

Num momento tão crítico e sensível, num momento em que os nervos estão à flor da pele, o medo do abismo tolda os movimentos, e já não é o futuro, mas o presente, que nos apoquenta, todos os cuidados são poucos quando temos responsabilidades e falamos publicamente. As palavras são hoje como balas – porque a guerra está ainda no domínio das ideias, não saiu à rua... -, e servem à medida para quem se confronta na praça pública.

Neste quadro, a afirmação de Fernando Ulrich, presidente do BPI – “O país aguenta mais austeridade?... Ai aguenta, aguenta. Não gostamos, mas aguenta” – é muito infeliz. Triste frase, ainda que na essência não traduza nada do outro mundo.

Aos políticos exigimos uma atitude de seriedade no trabalho e respeito para com o sentir dos cidadãos, e fazemo-lo porque exercemos o poder de os eleger.

Aos banqueiros, não podemos exigir muito, porque eles devem lealdade apenas aos accionistas dos bancos que lideram. Porém, podemos pedir que não brinquem publicamente com os seus estados de alma como andaram anos a brincar com o dinheiro dos outros.

E talvez isso seja o mesmo que pedir a pessoas como Fernando Ulrich para cuidar das palavras antes de as usar. Mais ou menos como presumimos que faz com o dinheiro. Pelo menos, com o seu dinheiro.

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Uma boa frase

“O centrão político - conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas - anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o "comércio livre", menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela "mão invisível" dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?" Ricardo Paes Mamede, Ladrões de Bicicletas

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