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Pedro Rolo Duarte

14
Fev13

“Docemania”

 

Quem já trabalhou em rádio sabe que é assim: este meio tem uma qualquer magia que se agarra à pele, nos infecta com um (bom) vírus, e fica para sempre. Torna-se doença crónica. Talvez por isso, ontem, que foi Dia Mundial da Rádio, o Facebook estava inundado de declarações de amor à rádio – coisa que se não vê com os outros meios de comunicação. A memória é fanhosa, mas havia alguém, há muito tempo, na Rádio Comercial, que lhe chamava “uma docemania”. Gosto da definição.

Por coincidência, calhou que no Dia Mundial da Rádio se juntassem umas dezenas de profissionais deste meio, a jantar, num restaurante de Lisboa. O que os unia, o que os levou a responder “like” ao desafio da Madalena Vieira dos Santos? Terem todos participado, no final dos anos 80 do século passado, numa aventura que se chamou CMR – Correio da Manhã Rádio.

Recordar, lembrar, rir, falar, reencontrar – os verbos eram estes, à volta do amor pela rádio, e da certeza de todos termos vivido grandes momentos naquele bocado de andar da Torre 3 das Amoreiras.

Fiz parte dos contratados do CMR da "fase dois", isto é, depois da legalização da estação – ainda assim, o que senti mal entrei naquela rádio foi um ambiente muito especial. De boa camaradagem, de profissionalismo, de amizade, de entrega, o clássico e dificílimo “um por todos, todos por um”. Nunca antes o tinha sentido, porque sempre trabalhara em rádios com muitos anos de vida e de vícios. Acho que dificilmente voltarei a viver esse clima, ainda que seja hoje muito feliz na Antena 1, onde me sinto livre, onde trabalho com excelentes profissionais, e onde se pode ainda fazer rádio como entendo que a rádio se deve fazer. Nem por acaso, o director da Antena 1, Rui Pego, é o mesmo que fundou e dirigiu o CMR...

Ontem, no jantar que nos reencontrou tantos anos depois, senti que estava de novo no mesmo ambiente que tinha constituído a magia do CMR. Estamos todos vinte e tal anos mais velhos – mas continuamos a falar e a viver a rádio como se não tivessem passado estes anos.

Acho que aquele CMR não se repete – como, na minha vida profissional, se não repetem a fundação de O Independente, da K, ou o DNA. São encontros felizes entre os projectos certos e os momentos certos. Outros estarão para vir. Mas sentir que não estava enganado sobre o espírito CMR, o que se viveu no CMR, e a magia que o CMR fez multiplicar em cima da magia que a rádio, por si só, já convoca, foi muito bom.

Como disse às tantas a Margarida Pinto Correia, ou o Pedro Ribeiro, já não sei bem, “é disto que nos devemos alimentar”. E é mesmo.

(e agora seguia-se a lista dos presentes, dos ausentes, de todos. Eu sei quem são, mas eles sabem ainda melhor do que eu quem são!)

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