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Pedro Rolo Duarte

02
Jul13

Da série textos antigos que não perdem actualidade (II)

(Março, 2007)

A RTP chega ao meio século no mesmo ano em que eu “faço” 20 anos de televisão. Duas décadas sobre a primeira vez que subi a velha rampa do Lumiar... A RTP já era parte da minha vida antes disso, e continua a ser para lá das aproximações e afastamentos que o tempo se tem encarregue de testemunhar.

Nestes dias em que se recordam tempos idos, eu olho esta RTP que atravessou os tempos mais conturbados da História nas últimas décadas e o único sinal forte que reconheço é aquele que muitas vezes os números, as audiências, os momentos, acabam por maquilhar: é que a Televisão (como toda a comunicação) não existe enquanto entidade. Não é uma fábrica nem uma oficina. Não é algo que funcione independentemente de quem a faz. A RTP não é realmente a RTP, como o Diário de Noticias, por si só, não existe. Num jornal, numa estação de TV ou rádio, não se fabricam parafusos.

Bem pelo contrário: a televisão, a comunicação, é a soma de cabeças individuais que pensam, criam e produzem os conteúdos. Não é indiferente ter ali esta pessoa ou antes aquela – faz toda a diferença um nome, uma cabeça, um projecto. Por mais que o pragmatismo dos números tenha tomado conta do universo mediático, ele nunca vencerá o sorriso de um apresentador carismático, a lança em África de um projecto inovador, a ousadia de uma programação.

A RTP é a prova viva desta ideia: ameaçada ao longo dos anos por fenómenos tão diversos quanto o caos da revolução, ou o dinamismo dos canais privados, foi abaixo mas voltou sempre à tona de água - conseguiu dar a volta por cima e, como agora se diz, “chegar-se à frente”. Houve estudos? Certamente que sim. Houve método? É óbvio. Mas houve, acima de tudo, pessoas. Provavelmente, as pessoas certas, na hora e no local certos.

Os media são brutais no que ao tempo diz respeito: quem hoje serve, amanhã é esquecido. É um princípio a que temos de nos habituar. Mas ele é tão válido para o pior dos momentos como para o melhor. Só isso explica que, ao virar os 50 anos, a RTP se apresente com o dinamismo e a frescura que ninguém há uns anos poderia adivinhar-lhe.

E tudo se resume a uma palavra: pessoas. Quem quiser fazer bem comunicação, não vai poder dispensar os melhores ou reduzir tudo a números. Já era assim quando subi aquela rampa do Lumiar, em 1987. Era assim há 50 anos, mas não se sabia. Assim será no futuro, para o melhor e para o pior.

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Uma boa frase

“O centrão político - conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas - anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o "comércio livre", menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela "mão invisível" dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?" Ricardo Paes Mamede, Ladrões de Bicicletas

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