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Pedro Rolo Duarte

30
Jul13

Fechar a Janela (I)

(Crónicas que encerram a coluna diária que assino na Antena 1 desde Março de 2006)

 

Lendo a Wikipédia: em 2006, o Facebook era, pelo menos até Setembro, reservado a estudantes norte-americanos do ensino secundário e universitários. A meio do ano, adicionou à sua rede universidades na Europa e colégios em Israel. E em Setembro, foi aberto ao mundo, iniciando a caminhada que o tornaria no que é hoje. Perguntará o ouvinte: por que raio trago o Facebook e o ano de 2006 a esta Janela?

Bom, por uma razão que por fim partilho: a Janela vai fechar de vez amanhã, 31 de Julho, seis anos e meio depois de se ter aberto ao mundo dos blogues. E era a esse tempo que recuava, na primeira de duas crónicas de balanço e despedida. Quando esta Janela abriu, os blogues constituíam o centro de galáctica ardente da internet, no que dizia respeito à interactividade e relação social entre a comunidade. Nasciam e morriam blogues todos os dias, havia polémicas acesas sobre todos os temas da actualidade, e era nessa plataforma que se vivia mais intensamente a democracia livremente caótica e anárquica da rede. Foi aliás em 2006 que nasceu formalmente o twitter, hoje também um dos carros-chefes da comunicação planetária.

Passaram seis anos e meio, a Janela teve de escancarar-se para lá da blogoesfera e atingir Twitter, Facebook, e por fim o cruzamento de todas as redes, que hoje é o mínimo dos mínimos quando se pretende estar de corpo inteiro neste universo.

Mudou tudo, e a Janela foi mudando com o que mudou. Estou a falar-vos de cerca de 2000 crónicas, e de um universo alargado de milhares de blogues e muitos mais milhares de páginas de Facebook e contas de Twitter.

A Antena 1 foi a primeira rádio - e a única até hoje - a manter um espaço diário e ininterrupto dedicado a esta área. Com o fim desta Janela, não há no universo radiofónico nenhum espaço que reúna estas características, que trate blogues e redes sociais com estatuto de verdadeiros motores de arranque da opinião pública.

Se em 2006 já se sentia que estava na blogoesfera boa parte do futuro da opinião que conta e se publica, hoje a dimensão é esmagadora quando lhes juntamos Twitter e Facebook: manifestações, protestos, petições, movimentos virais, forças de bloqueio ou de desbloqueio, tudo passa por esta rede de todas as redes.

Não vou obviamente maçar-vos com o balanço exaustivo ou com a lágrima ao canto do olho de uma janela que se fecha, deixo-vos apenas estes sinais que traduzem evolução, revolução, mas também, sem falsas modéstias, orgulho pelo trabalho realizado com dedicação e seriedade ao longo destes anos.

Amanhã abrirei a Janela pela ultima vez - pelo menos neste tempo e nestes termos, pois o futuro é coisa que se desconhece em rigor -, e deixarei aqui cinco nomes que, no meu entender, marcaram estas 2000 crónicas de rádio. Todos e cada um por razões diferentes. Cá estarei então para o ultimo take deste filme que Hitckcock não sonharia estar um dia ligado em rede.

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