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Pedro Rolo Duarte

11
Mar08

Toda a gente aos gritos

A razão pela qual, ao longo destas semanas, não escrevi uma linha sobre a luta dos professores portugueses é simples: não consigo entrar em debate quando está toda a gente aos gritos e ninguém se ouve, ninguém quer ouvir ninguém. Os professores estão de tal forma revoltados que formam uma ensurdecedora barreira que não deixa espaço para vozes dissonantes. Os que criticam os professores fazem-no de uma forma primária, generalizada, sem margem para a diferença e a destrinça. No meio não há virtude, porque não há nada no meio.
Ora, eu desconfio de tanta união e de tanta revolta. Mas também desconfio de quem governa sozinho. Desconfio dos extremos, que sempre se tocam e raramente trazem algo de bom.
O que poderia ter sido um excelente ponto de partida para um debate sério sobre educação e ensino em Portugal, tornou-se uma feira histérica em que todos gritam. Ganhará quem grita mais alto? Não sei. Noto que temos assistido a uma das maiores operações de intoxicação geral da opinião pública, vinda de ambas as partes da “barricada”. E isso não fica bem a ninguém. Não dá crédito a quem ensina – porque de quem ensina se espera justamente a clareza e a transparência, para não falar da sensatez. Fica mal a quem governa, porque governar é sempre e necessariamente esclarecer.
Nada disso sucede nos dias que correm. Mantenho-me de fora, portanto.

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“O centrão político - conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas - anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o "comércio livre", menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela "mão invisível" dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?" Ricardo Paes Mamede, Ladrões de Bicicletas

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