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Pedro Rolo Duarte

09
Out13

No nascimento da Amieira

 

Quando ouvi falar pela primeira vez do Manuel Falcão, eu era um estagiário/colaborador de jornais, e ele era já um fotógrafo credenciado, critico de musica, e preparava-se para fundar o jornal “Blitz”. A nossa relação não começou da melhor maneira – eu tinha a mania que era mau e ele não deixava nada por dizer… - mas um dia encontrámo-nos n’O Independente e percebemos que era mais aquilo que nos aproximava do que o que nos mantinha afastados. Quis o destino – e a administração da Projornal… – que fossemos juntos, no final dos anos 80, dirigir o “Sete” e tentar recuperar-lhe vendas e audiências. Partilhávamos o gabinete e não adiámos a rendição: tornámo-nos mesmo amigos. Até hoje.

Entre muitos gostos comuns – jornais, revistas, jornalismo, tecnologia, musica, gastronomia… -, a fotografia foi seguramente uma das paixões que o Manuel sempre alimentou, e em que aprendi com a sua sensibilidade e conhecimento. Não me surpreendeu, portanto, que passados tantos anos, e andando ele em aventuras mais ligadas à gestão do que à arte, ainda assim o bichinho não tenha morrido.

Tornando curta uma longa história: o Manuel Falcão acaba de ousar – é de ousadia e coragem que se trata - criar uma editora de livros dedicados à fotografia. A Amieira – titulo que foi buscar à sua terra-natal, à origem, ao fundo dos fundos… - nasceu agora, com um primeiro livro, “Ao Correr do Tempo”, de Luiz Carvalho, que nos mostra um lado menos conhecido do fotógrafo que nos habituámos a ver mais ligado ao fotojornalismo de actualidade. O livro é cuidado na edição e grafismo, é discreto sem ceder na qualidade, é elegante e de incontornável bom gosto.

Tenho muito orgulho em ser amigo de um homem que ousou o caminho mais difícil – e estou grato por ter conhecido um Luiz Carvalho que ainda não conhecia. Portugal precisa de gente assim, que saiba o que faz e que não deixe morrer a paixão e a coragem às mãos do desânimo e da realidade. Obrigado, Manuel.

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