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Pedro Rolo Duarte

25
Out13

18 anos (versão Lux Woman)

(Crónica originalmente publicada na Lux Woman. A edição de Novembro saiu ontem e está mesmo boa. Palavra de jornalista!)

 

O meu filho vai fazer em Outubro 18 anos. Atinge a palavra mais desejada na juventude: maioridade. Pode votar, pode decidir por si da sua vida, pode dizer-me que não. Achei sempre que este momento marcaria um “antes” e um “depois” na vida dos pais e na nossa relação com ele, mas o António Maria encarregou-se de antecipar tudo ao decidir, com 16 anos, e o apoio do pai e da mãe, viver fora de Portugal.

Talvez esta entrada nos 18 seja apenas uma formalidade – mas sinto-a como bem mais do que uma data e uma alteração legal. Sinto-a como um momento determinante da vida e relação deste trio que se forma, apesar do divórcio dos pais, entre nós e o filho.

Talvez por isso, decidi enviar-lhe daqui para a Austrália, onde ele está, uma carta de recomendações para esta entrada na maioridade. O que lhe disse? Bom, que aos 18 anos o mundo é maior do que sabemos, mas mais pequeno do que desejamos. Felizmente, ele já conseguiu perceber quão grande ele é, e como somos pequenos e insignificantes neste espaço imenso. Como tudo indica que só vivemos uma vez, sugeri-lhe que aproveitasse o melhor do mundo e saboreasse cada dia como se fosse o ultimo. Não é, mas muitas vezes parece.

A maioridade não é de todo a maturidade. A maioridade é apenas uma forma de dizer: “rapaz, começa a crescer porque em breve só te sustentas a ti próprio…”. Entre uma palavra e outra, cometem-se toda a espécie de erros e asneiras que permitem, daqui a muitos anos, distinguir a idade da tal maturidade (se é que existe, não tenho a certeza). Será tarde, mas muito a tempo de uma velhice tranquila…

Para ele, a vida começa realmente agora. Escrevi-lhe: “Se olhares com atenção, há tanto por fazer que parece faltar-nos ar e vida para tudo. Sugere o teu pai: faz pouco, mas faz bem. Um passo de cada vez. Acredita que a revolução socialista foi um erro tremendo da humanidade, mas havia um daqueles pensadores (Lenine, salvo erro…), que teve um momento feliz quando quis definir a forma de avançar: dois passos em frente, um atrás. Ganha-se sempre um passo”.

Ao mesmo tempo, e sem querer ser paradoxal, falei-lhe do bocadinho de loucura que faz da vida algo com sal e pimenta: ousar e arriscar. Não ter medo – este é o momento em que o medo não faz sentido – e ter a capacidade de fazer do impossível, o possível. Na infância e na velhice, o medo é intrínseco e certo, deixemo-los no seu tempo próprio.

De passagem, recordei-lhe um ensinamento que vem da adolescência: “não te leves demasiado a sério, tem a capacidade de rir de ti próprio”.

Por fim, desafiei-o a decidir a que país quer pertencer. Sobre isso, escreveu-me há um ano: “Eu não desisti de Portugal. Nem nunca tal acontecerá. Sei que pode ser difícil perceber, visto que pareço ser um miúdo de 16 anos que tudo o que quer é sair do seu país e ir fazer surf e curtir para a Austrália. Mas não é bem assim. Ser português é a maior honra que pode existir a seguir a ser teu filho. Deste país, ninguém devia desistir”. Pois bem: aos 18 anos, olhar Portugal à distancia e saber que se quer continuar português é mais ou menos como dizer “eu não vou deixar de sonhar”.

O melhor que posso dizer ao meu filho, agora que chega a essa idade mítica, é apenas isso: que não deixe de sonhar, mesmo quando olha Portugal e vê pesadelo. Que não deixe de acreditar, mesmo que o débito seja maior que o crédito. E que acredite que o pai está aqui para apoiar os sonhos, amparar os acordares mais duros, e de vez em quando confrontá-lo com a realidade. Às vezes dói, mas a dor começa no parto e nunca mais acaba.

O resto, é o amor que todos os pais têm pelos seus filhos. E eu pelo meu. Aos 18, como desde sempre. E para sempre.

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Uma boa frase

“O centrão político - conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas - anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o "comércio livre", menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela "mão invisível" dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?" Ricardo Paes Mamede, Ladrões de Bicicletas

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