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Sexta-feira, 16 de Novembro de 2007
Lia no Público a história da Misericórdia de Faro, que trocou nos seus refeitórios o peixe fresco da Ria Formosa por um empacotado congelado fornecido por uma multinacional de catering. “Com medo da ASAE”, explica-se na reportagem. E lembrei-me de R, herdeiro de uma das mais antigas casas de Lisboa. Numa reunião de trabalho, R. percebeu que eu conhecera as cozinhas antigas da deslumbrante fábrica da Confeitaria Nacional, onde se produz o afamado bolo-rei (filmei-as para um programa de Natal, na RTP, em 1987...). E contou-me tudo o que a ASAE o obrigou a fazer para cumprir as “normas europeias”, dando cabo, de passagem, de uma construção histórica (chão, bancadas, tudo refeito em alumínios e materiais laváveis e não porosos...) e dos seus mais marcantes objectos de confecção artesanal. Dá raiva e ranger de dentes.
E dá que pensar: a ASAE – cujo nome, por si só, tem qualquer coisa de oriental entre Haraquiri e Kung-fu – era uma bela ideia para pôr alguma ordem na desordem que qualquer ser humano dotado de olfacto e olhar notava em restaurantes, mercearias, supermercados. Imaginei a ASAE como o órgão que ía acabar com as unhas pretas dos empregados de café, as baratas a passear pelas batatas nas cervejarias, as casas de banho imundas e mal-cheirosas, e outros atentados ao nosso sossego e higiene na hotelaria e similares. Não mais do que o essencial para garantir a saúde pública – ou seja, o chamado asseio.
Era uma ideia com um passado prometedor, como quase tudo em Portugal. Mas essa boa ideia foi rapidamente transformada numa polícia de costumes fundamentalista, disposta a fazer tábua-rasa da tradição, do bom senso, do artesanato e das poucas coisas que ainda nos distinguem dos outros países.
Quando a ASAE deixa de ser uma instituição reguladora para se tornar um papão que intimida ao ponto de um refeitório trocar o peixe fresco por congelado antes mesmo da “policia” o inspeccionar, seria altura de alguém pôr ordem no excesso de ordem que a ASAE quer impor ao país. Não há poder que trave aquele supra poder sem rei nem roque?
Eu até ando a pensar em abrir um restaurante, mas com esta ASAE no activo é melhor uma loja de ferragens...


publicado por PRD às 00:30
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59 comentários:
V.Palma
Não creio que seja apenas um problema de Portugal. Diversos países da União Europeia questionam-se sobre o que parece ser um exagero de Regulamentos concebidos. As normas europeias estão no entanto a servirem de exemplo para o resto do mundo. Desde o tamanho da maçã ao tamanho mínimo de um estabelecimento comercial. Em defesa do consumidor perde-se alguma identidade nacional? Talvez.
Talvez a ASAE cometa excessos. Talvez o português, tal como em muitas outras coisas, só funcione com base em policiamento. Só assim se entende que determinadas regras surgidas antes da União Europeia com o propósito de auxiliar e viabilizar o consumidor continuem por cumprir: a largura das portas ser superior a 80 cm. para permitir a passagem de uma cadeira de rodas, a altura a que são colocadas as sanitas nas casas-de-banho públicas às quais para acedermos temos de saltar para cima delas, a utilização das passagens de peões e o respeito pelos mesmos dos sinais vermelhos, o excesso de velocidade absurdamente travado com radars...
Talvez devessemos aprender a cumprir primeiro algumas regras cívicas. Mas entrámos num grupo com regras ainda mais definidas e agora só nos resta aprender e mudar tentando entender que talvez muitas nos possam vir a proteger.

deixado em 16/11/07 às 07:48
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Tenho lido e visto, o que asae faz, algumas coisas concordo mas... que tal eles dessem o exemplo, eu explico, tenho um amigo lá, fui lá, foi simples olhei a entrada , bonita muito bem apresentada, desci com o meu carro para a garagem, bem estava negra de tanto óleo no chão, até escorregava, bem era uma garagem, nada a dizer, como estava ali uma casa de banho , não resisti entrei para uma descarga de águas, bem nem imaginam havia porcaria nos azulejos até ao tecto, bem tambem aquilo era um garagem, lá subi a rampa, foi ao porteiro, e mandou-me subir, entrei no elevador, o meu amigo explicou-me onde era o gabinete e lá fui, claro ia olhando aquilo não era gabinetes, desde fios fora do sitio, aranhas, nem imaginam, o chão estava imundo, no gabinete do emu amigo depois pouco poderia apontar, espreitei para a rua, fiquei logo com os dedos sujos, havia pó, perguntei pelo pessoal da limpeza, entre alguns nomes feios a elas, lá me dize que eram poucas e nada faziam.
bem era Asae que fecha restaurantes e vem arrogante para as tv, poderiam ser duros mas não mesquinhos, senão tambem teriam que fechar o prédio deles,

deixado em 16/3/08 às 13:23
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Agora tenho medo que o saquinho com que apanho os dejectos do meu cão, não esteja homologado pela ASAE...

deixado em 16/11/07 às 08:44
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jmgc
Ó zé, não me venhas cá com tangas o teu cão caga no chão e não apanhas a merda com o caralho do saquinho. Vê lá se um dias destes não és apanhado tu pela ASAE.

deixado em 16/11/07 às 22:18
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Faço do Alentejo a minha segunda casa, sempre que posso escapo para lá.
Na Páscoa a ASAE andou por lá e mandou fechar os fornos a lenha todos, onde eles faziam o pão, os bolos da festa e o borrego de Páscoa. Incrível não é !
Muito oportunos...
Esta semana saíu a notícia que ainda nenhum dos processos instaurados por estes senhores tão "simpáticos" tinha sido julgado.
Acho que não vão conseguir acabar com as nossas tradições, vai acabar por andar tudo "escondido" outra vez.
Bom fim de semana


deixado em 16/11/07 às 10:40
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Sentindo muitas vezes a necessidade no ar, da presença da ASAE , parece-me de elementar justiça que definitivamente nos preocupemos com o rigor da qualidade, e esse rigor, não passa pela cega aplicação das normas, mas pela justa aplicação das mesmas.
Para fazer aplicar ou avaliar a aplicação das leis, é urgente saber interpretá-las, e para o efeito, junte-se com urgência uma pitada de bom senso!
Termino, exigindo a todos, que por favor exijam, a quem de direito, que obrigue a ASAE a colocar nos estabelecimentos fiscalizados, após a fiscalização, um "Certificado de Qualidade Verificada pela ASAE ".
Começo a ficar cansado de apenas se valorizar o negativo, é urgente encontrar espaço de valorização do Positivo!

deixado em 16/11/07 às 11:26
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maria
O que é de mais triste, é a falta de consideração para com o próximo e aplica-se o tal «não simpatizo contigo», e vou fazer denúncia para que o tal «Bicho papão» anteriormente referido, te vá pegar e colocar-te no saco. É triste, mas real. Basta ter algo que nos incomoda numa pessoa, e, é fácil denunciar para poder rir vitoriosamente nas costas dos desgraçados. O ser humano é muito complicado!!!

deixado em 27/11/07 às 21:02
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Pois é caro Pedro, no essencial, para não dizer tudo, concordo consigo. Não será este um dos preços que temos que pagar pela nossa entrada numa União Europeia liofilizada? A troco dos milhões que enviaram para o nosso País, agora temos que comer fruta calibrada, com muito bom aspecto, a brilhar, mas que não sabe rigorosamente a nada.
Veja o que se está a passar com leite. Durante anos o País e os agricultores foram penalizados pelo excesso de produção o que levou ao encerramento de muitas explorações e agora somo deficitários nessa matéria? Isto é de malucos.
E o peixe? Agora só de aquacultura porque é preciso preservar as espécies. Mas onde é que nos outros países existe a tradição de comer peixe fresco como em Portugal. Mais uma vez por causa da liofilização da Europa cá estamos nós a pagar.
Que a intervenção da ASAE incida sobre questões higieno-sanitárias todos estamos de acordo. Agora ir contra algumas das nossa melhores tradições. Por favor, é tempo de alguém parar para pensar. Se calhar a começar pelo Sr. António Nunes.
Mas o problema está a um nível mais elevado. Enquanto for essa tenebrosa organização que dá pelo nome de COMISSÃO EUROPEIA, que não é mais do que umas centenas (ou milhares) de burocratas principescamente pagos a ditar desde Bruxelas estas e outras leis, o futuro não se apresenta particularmente interessante.

deixado em 16/11/07 às 13:09
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gotas_de_orvalho
Ainda não foram aos pastéis-de-belém? Aquilo deve ser um nojo! :)

deixado em 16/11/07 às 14:03
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Eduardo Correia - Parede
Deveriam ainda ser mais rigorosos, para parar a bandalheira, porque quem trabalha bem cumprindo as regras, com higiene e asseio não tem de se preocupar com a ASAE .
Faz lembrar que, quando as coisas correm mal é porque estamos em Portugal, 3º mundista , quando temos uma entidade do estado (!?) que está a por ordem e regra num sector desbaratado, quando correm melhor é porque estão a cometer excessos.

deixado em 16/11/07 às 14:29
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rui vasco neto
caro pedro,
permite-me esta achega para o assunto:
http://setevidascomoosgatos.blogspot.com/2007/10/o-sabonete-asae.html
e boa sorte para a loja de ferragens.

rvn

deixado em 16/11/07 às 15:18
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Also
o PRD não precisa assim tanto da sorte para a sua casa de ferragens... basta lê-lo para sabermos que de vez em quando é cada «prego»... mas o blog está jeitosinho... e a ASAE, pq não dizê-lo, é a nova Pide.

deixado em 16/11/07 às 16:11
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S.F.
HAVIA UMA PASTELARIA NA MINHA TERRA, CUJO GUARDA NOCTURNO/DIURNO (CÃO) ERA QUEM TOMAVA CONTA DOS BOLOS, E OS PROVAVA PRIMEIRO. DE MANHÃ TODA A GENTE GOSTAVA DOS BOLOS TÃO SABOROSOS!!!!!!!

FORÇA ASAE.

deixado em 16/11/07 às 16:24
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E com certeza era V. Exa. o primeiro a ser servido.
Tenha vergonha, seja sensato e reconheça que o ANTÓNIO NUNES, de raça nazi é o principal responsável destes fundamentalismos da ASE. "Não mandes em quem já mandou nem SIRVAS A QUEM JÁ SERVIU"! E o NUNES é um deplorável verme.

deixado em 2/4/08 às 12:04
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