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Pedro Rolo Duarte

24
Mar08

A mudança não acabou...

Toda a gente, maior de 30 anos, que tenha mudado de casa pelo menos uma vez, sabe a mais básica lição de todas: uma mudança começa, mas nunca acaba. Há sempre mais um caixote por abrir. Há caixotes que ficam por abrir até à mudança seguinte. E por aí fora.

Um avisado amigo aconselhou-me, depois de ouvir um resumido relatório de ocorrências, o tema de um próximo livro, desta vez realmente útil e prático: Guia do Gajo que Muda de Casa de Dois em Dois Anos. Achei o titulo exagerado, mas considerando que mudei quatro vezes desde 2001, talvez afinal...
Não interessa. Eu queria dizer que a mudança não acabou – e que apesar dos telemóveis disputados em escolas do Norte, do Vitória de Setúbal e mesmo da capa da “Única” deste fim-de-semana, a minha mudança é o assunto que, egocentricamente falando, continua a ocupar o espaço entre mim e o blog. Que é um espaço curtinho.

Por isso continuemos...
Lá me saltou então de um caixote uma pilha de jornais “Sete” (só consegui digitalizar a parte de cima desta capa “Reininha”, o problema do A-3 quando encontra o A-4...), do tempo em que o Manuel Falcão dirigia, eu sub-dirigia, a Fátima Rolo Duarte concebia o design, e por lá se juntava gente tão diferente quanto o querido Matos Cristóvão e a Margarida Rebelo Pinto, o Fernando Sobral e o Manuel Pereira, o Vaz Pereira e o Jorge Pires. As fotografias do Gonçalo Rosa da Silva.
Mudámos o jornal de alto a baixo. Mas, neste começo dos anos 90, sem ofertas de CD’s nem marketing, conseguir aguentar os 25 mil já era obra. Um dia o Miguel levou-me para o “Frágil” e só me deixou sair de lá quando lhe disse que sim, que ía para a “K”. Mais ou menos ao mesmo tempo, um amigo do Manuel desafiava-o para voos bem mais altos e irresistíveis na administração pública. Saímos os dois com pena, tenho a certeza – mas de consciência tranquila. Demos mais uma das sete vidas que o “Sete” teve. E só saímos depois de termos a certeza de que o João Gobern aceitava continuar a obra. Aceitou.


(PS. Por acaso este fim de semana tinha outro tema que merecia uma crónica: dei conta de que o suplemento de jornal de que mais gosto, o “Fugas”, do “Público”, que fez um upgrade fantástico para um formato perfeito e um papel mais apetecível (o que significa investimento financeiro considerável), não tem, mesmo nesta nova versão, pelo menos esta semana, uma só página de publicidade. Que desperdício, meu Deus! Como podem as Agências, os Clientes, os Planeadores de Meios, todo esse universo de burocratras encartados, serem insensíveis ao que tem qualidade, ao que tem leitores com poder de consumo, ao que tem potencial de crescimento? A continuar assim, o “Fugas” não resiste. Dirão então que não tinha viabilidade. Mas é falso: o problema é que vive num mercado onde quem manda, cria e coloca publicidade, vive agarrado à frieza de números absolutamente falíveis, frios e desgarrados da realidade. Mas, lá está, números “seguros” para defender o emprego ou a facturação anual... Anda meio mundo a enganar outro meio, nesta matéria. E o “Fugas”, entre outros bons produtos de imprensa, é que se lixa. Voltarei ao tema, seguramente...)

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