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Quinta-feira, 10 de Abril de 2008

Não estou de acordo com o acordo porque não quero um dia acordar acordado.
Quero continuar com letras a mais, porque gosto de ter letras de sobra e não me faz qualquer confusão que os brasileiros, no seu clima tropical, queiram dizer palavras com pouca roupa, perdão, com poucas letras. Mas receio constipações e pneumonias nos factos e nas acções despidas daquele “c” – porque aqui “faz frio” no Inverno e raramente “está esfriando”. Deixemos ao Brasil o domínio do despir, e mantenhamos a roupa à mão deste lado do mar.
Gosto de ler “brasileiro”, gosto daquela riqueza imagética, gosto de ler a Mónica e perceber que o português dela anda em “sacanagem” descarada com o de lá. Um prazer ler a “Veja” e sentir aquela língua. Na maneira, no modo, e obviamente na ortografia que nos obriga a modular a leitura. Concordo absolutamente com o Pedro Mexia:
“Aquilo que francamente me desagrada é o critério fonético. Se isto é um acordo ortográfico, que apenas modifica a língua escrita, não me parece sensato que a ortografia siga sempre o critério do português falado. (...) A língua falada é a que utilizamos todos os dias, (...) Mas a língua, enquanto legado, vive nos textos, e acima de tudo na grande literatura. (...) É o português escrito que dá identidade à língua portuguesa. Alterar o modo como escrevemos a partir do modo como falamos é uma ideia muito discutível”.
A questão cultural diz-me pouco, porque muito mais me diz a riqueza que a diferença encerra do que o pobreza adivinhada pela uniformização. Lá está, roupa outra vez: uniforme, não. Ou em português de Lisboa, farda nem pensar.
Dito isto, a vida ensinou-me que depois dos 40 podem fazer tudo, que eu já faço pouco disso: continuo a pensar em contos e não em euros. Continuarei a escrever factos e a vestir fatos. Aliás, eu escrevo “ía”, do verbo ir, e parece que já não é assim.
Eu não acordo com o acordo – eu acordo com quem quero e gosto. Faço por isso – é um facto com “c”.



publicado por PRD às 00:05
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12 comentários:
Nem mais. Estou inteiramente de acordo, também não me apetece acordar para esse acordo ortográfico. A mim apetece-me escrever como sempre escrevi, com as letras todas!!!!

deixado em 10/4/08 às 00:40
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Nem mais. Estou inteiramente de acordo, também não me apetece acordar para esse acordo ortográfico. A mim apetece-me escrever como sempre escrevi, com as letras todas!!!!

deixado em 10/4/08 às 00:40
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Anónimo
Concordo e assino por baixo. Também eu continuo a pensar em contos e não em euros. Também eu, irei continuar a escrever como até aqui. Também eu «acordo com quem quero e gosto. Faço por isso - é um facto com "c". Gostei muito do texto. Continue a brindar-nos diariamente, com as suas palavras. É sempre um prazer passar por aqui... é um facto!!!

deixado em 10/4/08 às 10:30
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Pedro Barbosa Pinto
Eu prefiro pensar em €uros.
Uma bica 200 escudos? Estão doidos? É só 1 €uro? Ahhh, então está bem!
Pois é! Dividido por 200 tudo parece barato.
Quanto a acordo ortográfico, esperemos que o Governo não se lembre de criar uma ASAE para perseguir quem teimar em chamar Baptista ao Alçada.

deixado em 10/4/08 às 11:40
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um Baptista qualquer
acordo algum me fará apagar o p. Inconsistente vaidade? Será! Por isso, por esse preciosismo, deixo 4 descendentes 4 com o propósito de perpetuar o desacordo.

deixado em 10/4/08 às 16:39
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paula almeida
Cheguei aqui e o que vi? Acho que me enganei no ano...Onde é que vivem, afinal?

deixado em 10/4/08 às 16:46
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Luis
Acordo Ortográfico - Portugal inteiro deve ter a população do estado de São Paulo. Curto e grosso. Assim, vistos daqui: todos os passos em volta me parecem rodriguinhos e um estrebuchar no barco que afunda.

Mónica Marques disse em http://sushileblon2.blogspot.com/2008/04/acordo-ortogrfico.html

E acrescento eu:

What else?

Acordo ortográfico porque não? Será teimosia no orgulhosamente sós?

deixado em 10/4/08 às 23:49
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E, contudo, ela move-se, a escrita, a literatura, diria um Galileu qualquer.

deixado em 11/4/08 às 00:12
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Também vou resistindo às mudanças, porque não tenho a certeza da importância das razões invocadas para as alterações. Nesse sentido concordo com este seu texto, que aliás está muito bem escrito. Mas a verdade é que não tenho, em teoria, nada contra mudanças em geral - uma língua é uma coisa viva, muda e adapta-se aos tempos em que é usada. Se assim não fosse, ainda escreveríamos Pharmácia e Mãi, por exemplo.

deixado em 11/4/08 às 01:40
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Dalila
Escrito como deve ser! Parabéns!!! Concordo plenamente com tudo o que disse porque também sou contra o acordo. Gosto da nossa língua como está e assim deveria continuar. Deveria haver um referendo ao Acordo Ortográfico. Dêem aos Portugueses o direito de escolher em vez de andarem por aí a estragar o pouco que nos resta da nossa cultura, do nosso país. Mesmo que entre em vigor esse novo acordo, vou continuar a escrever a minha língua como sempre fiz e ai de quem me corrigir. Leva logo para trás. Sou Portuguesa e quero a minha língua como está.

deixado em 18/4/08 às 13:24
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