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Segunda-feira, 28 de Abril de 2008

O Presidente Cavaco Silva explicou este fim-de-semana aos portugueses como funcionam os políticos. Para o fazer, usou o seu próprio exemplo e, sem querer, demonstrou por que não adianta acreditar nele (e neles...).
Cito o jornal Correio da Manhã: “O Presidente da República mostrou-se (...) impressionado com a ignorância dos jovens sobre o 25 de Abril e responsabilizou os partidos pelo alheamento dos mais novos em relação à política. "Se os jovens não se interessam pela política é porque a política não é capaz de motivar o interesse dos jovens” (...). Para reforçar a mensagem, o Presidente quis mostrar provas e revelou os resultados de um estudo que solicitou à Universidade Católica sobre os jovens e a política. Mas os resultados surpreenderam o Chefe de Estado. 'O nível de informação dos jovens relativamente à política é de tal forma baixo que ultrapassa os limites daquilo que é natural numa democracia amadurecida', afirmou”.
Pronto. Repentinamente, o Presidente deixou de fazer parte dos portugueses que contam, esqueceu-se da origem e acordou “outro”...
Eu só queria recordar ao Dr. Cavaco Silva que ele, enquanto politico, foi e é um dos principais responsáveis por aquilo que o “surpreende”, e cuja responsabilidade tranquilamente remete para terceiros. Cavaco Silva foi líder do PSD, primeiro-ministro com maioria absoluta, mandou em Portugal durante 10 dos 34 anos que levamos de democracia. Foi o primeiro-ministro recordista de governação consecutiva.

Nesse período, preferiu ignorar as ideias, os debates, ou mesmo a memória, porque estava preocupado com o défice, a economia e o Orçamento. "Deixem-me trabalhar", gritou. Chegou a mostrar desprezo pela comunicação social dizendo que não lia jornais regularmente. Nunca o ouvi mostrar qualquer espécie de preocupação pelos conhecimentos da “juventude”.
Cavaco Silva foi seguramente o mais relevante dos responsáveis pela pragmatização da política – isto é, pela forma utilitarista e economicista como a usou para colocar Portugal numa qualquer ordem europeia. Com Cavaco, o 25 de Abril, a Europa e a Constituição passaram a ser apenas muletas para argumentar sobre a gestão de Portugal e a oposição de sempre.

Memória? Nada. Coerência? Zero.
Ver Cavaco Silva, volvidos estes anos, recuperar para o discurso do dia a politica, o conhecimento e o 25 de Abril, é a piada do ano. Ou a miséria a que chegámos.
Em rigor: mais do mesmo. Não admira o alheamento – dos jovens, dos pais deles, dos primos, dos tios...



publicado por PRD às 00:10
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3 comentários:
Caro Pedro Rolo Duarte:

Não me parece que o alheamento dos jovens em relação à política, seja tão preocupante que justifique ser o tema central da intervenção do PR. Foi sempre assim. Os interesses dos jovens, hoje, são muitos (o carro, o telemóvel, o IPOD, a PlayStation, a net, a noite, o sexo, a bebida e outras drogas) e não deixam grande espaço para a reflexão e a tertúlia sobre a sociedade que os rodeia e que, muitos deles, nesta fase, rejeitam. Por outro lado, não sentem em perigo a liberdade; não têm de lutar por Paz, Pão, Saúde e Educação (como diz Sérgio Godinho). O seu patamar está mais acima e, de uma forma geral, é - mesmo que com dificuldade - sustentado pelos pais. Até muito mais tarde do que no passado. Por isso, tal como anteriormente, os que têm interesse no assunto, vão para as "Juventudes Partidárias". E, outros há, que não têm tempo para mais do que lutar pelo sustento da sua própria vida.
Julgo que foi uma intervenção - a do PR - para evitar outros caminhos de possível polémica.

Em síntese: jogou para o empate.

deixado em 28/4/08 às 00:42
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Concordo consigo, Pedro: é que pela boca morre o peixe!

deixado em 28/4/08 às 19:23
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francisca esquivel
Parece impossível que não te lembres dos meus anos!!!!!muito mais importante do que politiquices!!!!

deixado em 23/12/08 às 22:22
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