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Quarta-feira, 23 de Julho de 2008

 

Sem querer repetir o que já foi dito – e acho que tudo já foi dito -, o que verdadeiramente me atormenta no “Caso Maddie” é a incapacidade de as diversas frentes em jogo (jornais, televisões, familiares e amigos da criança, PJ...) darem o braço a torcer, assumirem uma postura de humildade e dizerem: pedimos desculpa, isto não correu nada bem.

Reparem que estamos a falar de pessoas, atitudes de pessoas, sentimentos de pessoas. Somos todos iguais. Todos erramos. Ora, neste caso, até hoje, não houve uma só pessoa que tivesse a coragem – neste caso, humildade e sabedoria – de dizer: errei.

Nem os pais, que terão sido, no mínimo, um bocadinho negligentes. Nem as policias, que investigaram mal e porcamente e acusaram sem fundamento. Nem os jornais e televisões, que foram “engolindo” diariamente as versões, teorias e conspirações que lhes garantiram audiências, créditos e renovadas fontes, sem nunca fazerem o seu próprio trabalho de casa.

O que fica deste caso é a ideia de que se pode sacudir a água do capote impunemente. Em todas as frentes. Sempre. Com um saldo dramático: três arguidos que afinal foram injustamente acusados (e julgados no mais penoso dos tribunais, que é o da opinião pública). Uma criança eternamente desaparecida. A culpa morrerá solteira: “aos costumes disse nada”.



publicado por PRD às 15:05
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5 comentários:
Plenamente de acordo, Pedro.

deixado em 23/7/08 às 15:22
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rosita
Corrijo! Já ouvi os pais lamentarem publicamente o excessso de confiança que tiveram em deixar os filhos no apartamento do aldeamento da Praia da Luz e que seria um erro que iriam lamentar até ao fim dos seus dias.
Por outro lado, ainda não ouvi da parte portuguesa ninguém reconhecer que errou a começar pela PJ e MP que cometeram graves e grosseiros erros de investigação (ou falta dela) tentando a todo o custo sacudir a água do capote.
Este casal é efectivamente deiferente de muitos em idênticas circunstências porque não se deixou amedrontrar pela falta de profissionalismo da PJ portuguesa e pelos «métodos» habitualmente utilizados de «confissão» forçada como fizeram com a mãe da Joana.
Portugal, mais uma vez, saíu muito mal deste infeliz caso e a desastrada actuação da PJ esteve ao nível da melhor polícia do (terceiro) mundo!

deixado em 23/7/08 às 19:16
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A.
E a insegurança que todos estes casos nos provocam? A nós que temos filhos, que não os podemos "guardar" 24 horas por dia, só podemos alertá-los para os perigos diários e depois é entregar a sorte a Deus. E vemos casos destes a acontecerem todos os dias, sem nenhum ter um final feliz. É só conversa e mais conversa, que as investigações estão a decorrer da melhor forma, que há pistas, que há arguidos, que, que, que.... E depois é isto! A vergonha de mais um caso arquivado, sem resolução, sem culpas e uma criança a quem aconteceu sabe Deus o quê...!! E ninguém faz absolutamente NADA!
Obrigada por 'tocar na ferida', Pedro.

deixado em 23/7/08 às 19:38
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Arlindo Magalhães
Todos deviam fazer mea culpa, incluindo os leitores/espectadores, porque também fizeram os seus julgamentos precipitados e porque alimentaram o caso, consumindo-o com avidez.
Muitos poucos saem inocentes desta história, mesmo os pais, pela sua incúria.
Ficamos um pouco envergonhados pela actuação da PJ, mas mais uma vez não estaremos a fazer os tais juízos precipitados? as coisas vão-se sabendo aos poucos e através de notícias de jornais, enfim...

deixado em 24/7/08 às 00:24
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Ouvi,como sempre, o pano para mangas do João Gobern e fiquei incomodado. Nem um luto digno a criança teve.
podem ouvir no meu cantinho.

deixado em 24/7/08 às 15:36
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