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Pedro Rolo Duarte

28
Nov07

Pobre e mal agradecido

Mail que recebi a noite passada, às 21:37, com assinatura oficial da Presidency of the Council of the European Union:
“No âmbito da Presidência Portuguesa da CE, a Faculdade de Medicina de Lisboa está a organizar a 2ª Conferência Internacional sobre Pobreza. O programa científico da Conferência, inclui um painel com 6 convidados de diferentes profissões (um fotógrafo – Rui Ochoa, um jornalista – Barbara Wong, um antropólogo – Isabel Baptista, um psicanalista – Maria Belo, um pobre).
Gostaria muito de convidá-lo para participar neste painel, como moderador, orientando a conversa com os convidados sobre os seus olhares sobre a pobreza. A ideia é conversar e ouvir as várias sensibilidades, olhares sobre esta experiência.
O painel está previsto decorrer entre as 15h e as 17h, no próximo dia 29 de Novembro (5ª feira). Gostaríamos também de o convidar para se juntar a nós no cocktail e jantar que se segue à sessão de trabalho, que também irá decorrer no Pavilhão de Portugal.
Lamentamos o inconveniente de efectuar o convite tão sobre o evento, mas estamos ainda a ultimar o programa. Só agora obtivemos o seu contacto. Na expectativa da aceitação do convite, o que muito nos honraria, subscrevo-me com os melhores cumprimentos”
Publico o mail na íntegra para que quem lê possa, caso queira, pensar comigo: será normal que, num convite oficial, em nome da Presidência Europeia, para um debate sobre a pobreza, se afirme que “pobre” é profissão, e “pobre” não tenha sequer direito a nome de gente (...a não ser que, como o convite deixa em aberto, eu tinha sido convidado na dupla-condição de moderador... e pobre...)? Será respeitável convidar um profissional para moderar uma Conferência a 48 horas dela ocorrer? Será aceitável que, anos volvidos sobre ser público o semestre em que Portugal têm a Presidência Europeia, e mais um de um ano depois das actividades que no seu âmbito decorrem serem aprovadas, as organizações afectas à Presidência funcionem desta forma?
Ou, dito de outra forma, mais crua, mas mais séria: quantos profissionais competentes destas áreas da organização de eventos e da comunicação estão desempregados para que outros, seguramente incompetentes, ocupem esses lugares trabalhando mal e porcamente, como este convite atesta?
O que mais me incomoda sempre que me confronto com casos deste tipo – e são tantos, não apenas no circuito do Estado... -, não é a circunstância de ver Portugal no seu pior. É a condenação suprema de confirmar que não muda. Isto é, que haverá sempre um lugarzinho para o incompetente – e que esse lugar está a fazer falta a um competente desempregado. Só isto explica o inexplicável.

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