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Pedro Rolo Duarte

01
Set08

O arrefecimento do aquecimento

Acho que nunca, como neste Agosto, pensei tanto numa entrevista que li há tempos, na revista brasileira Veja, com o climatologista norte-americano Patrick Michaels. Impressionou-me a postura politicamente incorrecta, porém muito serena e sensata, com que este homem desafiava os catastrofistas da terra, dizendo simplesmente que qualquer previsão sobre o aquecimento global do planeta é pura futurologia sem grande fundamento científico. Depois de explicar como se tem processado e se calcula a taxa de aquecimento do planeta, que para ele “tem sido notavelmente constante”, Michaels desceu ainda mais à terra: “Outra ressalva diz respeito à maneira como as previsões climáticas são feitas. Apesar de serem baseadas nas análises e nos métodos mais modernos que existem, é preciso cautela. Basta olhar pela janela e comparar a realidade com a previsão do tempo divulgada dias atrás. Se os erros são tão frequentes no curto prazo, imagine quanto se pode errar em um período mais longo”...

Qualquer português que leia jornais sabe quão verdadeira é esta ideia. Especialmente este ano: depois “deles” (adoro o uso do pronome “eles” quando nos referimos ao Instituto de Meteorologia...), repito, depois “deles” terem avisado a nação de que o Verão de 2008 ia ser dos mais quentes de sempre, que se temia o pior na floresta, que os velhinhos iam morrer quem nem tordos, e que Portugal secaria de Norte a Sul, veio então a realidade e saiu tudo do avesso: este terá sido um dos Verões mais frescos das últimas décadas, com uma média 1,29 graus abaixo dos valores normais para a época...

Lembrei-me muito de Patrick Michaels durante as férias, sempre que acordava pela manhã e sentia o fresco em vez do quente, um ou dois dias a chuva em vez da secura, e as nuvens no lugar do céu.

E também estranho tudo o que se diz diariamente sobre o abismo climático para que a humanidade caminha a passos largos. “Eles” nem sabem “adivinhar” o Verão, quanto mais o futuro...

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