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Pedro Rolo Duarte

07
Out08

É a política, estúpido!

Em Julho passado, José Sócrates encerrava o congresso da Juventude Socialista afirmando o seu crédito “num país sem preconceitos, confiante em si próprio, jovem e ambicioso”, liderado por ele num “governo que se orienta por valores progressistas e que recusa todas as visões do passado, retrógradas e baseadas em visões conservadoras”.

Agora eu diria, então, “é a política, estúpido!” – se quisesse mesmo dizer qualquer coisinha sobre a hipocrisia que domina o debate sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Hipocrisia do Governo, que achou relevante e sensato mudar a lei da interrupção voluntária da gravidez, da procriação geneticamente assistida e mesmo a do casamento – mas já considera despropositada e desajustada a mudança da legislação sobre os casamentos homossexuais.

Hipocrisia do Bloco de Esquerda, que propõe agora este debate não porque entenda que é o momento certo, mas porque lhe dá jeito, politicamente, marcar posição à esquerda e tirar dali dividendos eleitorais. Teve quatro anos para o fazer, mas manteve o silêncio prudente de quem quer negociar (até) a ideologia.

Hipocrisia do PSD, porque percebe que a guerrilha vem da esquerda e pode dar-se ao luxo de mostrar alguma abertura ao debate e a vaga ideia de um referendo. Danos, só colaterais...

À esquerda e à direita, todos estão a usar esta arma de arremesso em proveito próprio, a pensar em 2009 e na vaga de eleições que aí vem. Ou seja, todos se estão nas tintas para os direitos dos homossexuais. Querem marcar posição no tabuleiro dos votos, e ganhar vantagem nos temas que podem, efectivamente, marcar a diferença.

É a política, estúpido!

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“O centrão político - conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas - anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o "comércio livre", menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela "mão invisível" dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?" Ricardo Paes Mamede, Ladrões de Bicicletas

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