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Pedro Rolo Duarte

22
Out08

Sobre o talento e os acasos

 

Um dia, em 1995, coloquei um anúncio no “Público” porque precisava de um/uma jovem jornalista, “em conta”, que ajudasse numa série de projectos de rádio e imprensa que coordenava na minha pequena empresa. E estava para nascer também o DNA. Recebi mais de 600 respostas. Com currículos e cartas e textos foi difícil chegar a 20 seleccionados, e desses vinte escolher dois. Fiz esse trabalho solitariamente, com a preciosa ajuda da Carmo Aragão de Barros, cujo faro profissional era bastante eficaz. Escolhemos um rapaz e uma rapariga. O rapaz acabou por mudar de cidade e, com isso, mudar de vida. A rapariga chamava-se Sónia Morais Santos e é hoje editora-executiva da Time Out e o mais que sabemos.

Esta é uma história feliz de que me orgulho muito. Costumo dá-la como exemplo, sempre que se diz que neste universo só as amizades e as cunhas garantem carreira (bom, na verdade começo a perceber por que se diz, mas isso agora não interessa nada...).

Nas nossas vidas, no entanto, as histórias têm sempre reversos que contrariam as que damos como exemplo. Já depois de ter começado a comentar blogues para a Antena 1, e a entrevistar pessoas que achei interessantes a partir de blogues, conheci e gravei um programa com a Mónica Marques. Elogiei-a muitíssimo, e falei-lhe longamente sobre até onde podia ir o talento que tinha. Às tantas, ela lá tirou a pedra do sapato: durante anos, tinha tentado a sua sorte mandando-me currículos e procurando falar comigo, na perspectiva de vir a colaborar no DNA. Parece que nunca a atendi, nunca lhe respondi. Nem me lembrava de tal facto. E ali eu estava a reconhecer-lhe o que antes me tinha escapado. Justa e merecidamente, porém um pouco tarde...

Conto as duas histórias porque separadamente têm um valor relativo – mas juntas, têm o valor absoluto dos acasos e circunstancias que as determinaram. A Sónia e a Mónica são duas excelentes escritoras. Quis então o acaso que os seus percursos fossem radicalmente diferentes – quando podiam ter sido estranhamente parecidos, inversos ou nada disso. Quis, no entanto, o talento, que mais tarde ou mais cedo experimentassem o prazer de ver o nome na lombada de um livro.

De alguma forma, sinto-me consolado. Ou será perdoado? Na verdade, a palavra mais certa é esta: feliz. Foi como fiquei quando vi a capa do livro da Mónica.

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Ladrões de Bicicletas. Voltar a um dos mais clássicos blogues colectivos de análise e pensamento social e político e reencontrar excelentes textos, opiniões pensadas antes de escritas, e o prazer de um bom serão ao sofá a ler. Like.

Uma boa frase

“O centrão político - conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas - anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o "comércio livre", menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela "mão invisível" dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?" Ricardo Paes Mamede, Ladrões de Bicicletas

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