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Pedro Rolo Duarte

03
Dez07

A TV que eu vi

Corre por aí uma espécie de levantamento, ou votação, sobre os 50 melhores programas de televisão de sempre. Instado a dar um depoimento sobre o tema, passei o dia, a espaços, a pensar no assunto – sem conseguir chegar a conclusões.
Tenho com a televisão uma relação estranha. Afectiva, por um lado. Profissional, por outro. Não fui um miúdo teledependente (não porque a minha geração não o fosse já, que era, mas porque me dediquei na infância e juventude a actividades que me obrigavam a andar na rua, ou em reuniões, ou a escrever, e não tinha tempo para ver televisão). O lado afectivo resulta mais da ligação dos meus pais a programas onde trabalharam (nesse sentido, talvez o “Um, Dois, Três” tenha sido o momento marcante), ou da minha admiração por alguns profissionais.
Nunca consegui ter disciplina – ou vida... – que me permitisse seguir continuadamente uma novela, série ou concurso. O primeiro programa (português) que me agarrou um bocadinho foi “A Visita da Cornélia”. O segundo, terá sido o “Tal Canal”. O terceiro talvez seja o “Diz Que é uma Espécie de Magazine”. Mas é fácil reduzir a memória ao tempo mais recente. Houve mais tempo antes destes tempos.
Lembro-me de gostar muito de um mini-programa (de que ninguém se lembra) e se chamava “Sinais”: era diário, durava cinco minutos, não tinha texto nem apresentador, e era realizado e concebido pelo José Nuno Martins. Lembro-me de gostar dos programas do Herman mesmo quando já era “bem” dizer mal dele. Gostei dos primeiros anos da SIC-Noticias e via o canal, no arranque, como se fosse, no todo, um programa gigante e imparável. Gosto de pessoas da televisão que há e que houve – do Carlos Cruz, do Henrique Mendes, da Maria Elisa, do José Carlos Malato.
Mas na verdade a televisão tem sido para mim, desde sempre, plataforma de trabalho, fonte de informação, e uma forma suave de adormecer à noite nos momentos de solidão. Vai ser difícil escapar a esta ideia no tal depoimento que me pediram.
A não ser que recorde o dia em que fui ver ao vivo o “Zip Zip” no Teatro Villaret: tinha cinco anos e não me lembro de nada. Tenho a certeza de que é verdade porque às vezes repetem as imagens, a preto e branco, e vejo-me sentado na plateia, entre o meu pai e a minha mãe, a ver sei lá o quê...

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