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Pedro Rolo Duarte

12
Jan09

Algumas coisas que aprendi na cama (com a generalizada gripe):

Fala-se muito alto na televisão

Grita-se por tudo e por nada, no drama de uma novela ou no depoimento de rua, no desesperado pedido para um palpite concurseiro a meio da noite, ou na tentativa de explicar uma fotografia de uma revista numa tertúlia de analfabetos. Até no Eixo do Mal se grita, meu deus.

 

Dramatiza-se muito na televisão

Não me lembro de ter visto tanta gente a chorar num só dia: Fátima Lopes chorou com um ex-colaborador que teve um acidente: o ex-colaborador chorou; a mulher dele chorou; boa parte do público chorou; no noticiário que se seguiu vi gente a chorar em Gaza; à tarde, vi um homem chorar no programa da Júlia que não tinha a Júlia; à noite, nas novelas que fui “picando”, choram muitos e desalmadamente; E ainda vi gente chorar num documentário do canal 2 que não consegui identificar. Quando desliguei o aparelho, estava fartinho de gente a chorar.

 

Há muitos canais que não interessam ao careca, ao menino Jesus, a ninguém, nem mesmo a quem está doente

Não é o caso do Benfica TV, especialmente quando fala de ténis de mesa, que é uma especialidade.

 

O Ilvico não é mau

Mas o Cê-gripe dá-se melhor comigo. E o novo Bisolvon é bastante eficaz, ainda que uma noite de sono profundo careça sempre de um Codipront.

 

A canja de galinha é melhor com arroz

É uma velha discussão que opõe os militantes da massa aos do arroz. Esta época passaram-me as duas pela goela – e confirmei a minha aposta na canja com arroz. Quanto à galinha, sendo embora mais rija e difícil de cozer, fica sempre mais saborosa do que o frango-aviado-no-aviário. Hortelã, sempre.

 

O plástico das garrafas de água de 1,5 litros é cada vez mais manhoso

Quem está deitado e lhe deita à mão arrisca-se a deformar-lhe o feitio para todo o sempre. Não era assim...

 

O Público tem textos que começamos a ler e não acabamos e o Correio da Manhã tem tudo

Ler com olhos de ler é mesmo quando se está deitado numa cama. O “Público” tem bons textos longos que se lêem às partes, em capítulos, ao longo das crises de febre ou falta dela. Já o “CM” é jornal cheio de notícias, emoções, coisas miúdas, parece uma canja já previamente organizada para manter a chama acesa.


O chá de limão – feito com a casca, cortada sem a parte branca, e mergulhada na água a ferver... – é das mais brilhantes invenções da raça humana

Só comparável à torrada com pouca manteiga. Ao galão. E à carcaça da Mexicana às oito da manhã.

 

Já passou

É a frase que os outros querem ouvir quando estamos assim. Já passou.

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Ladrões de Bicicletas. Voltar a um dos mais clássicos blogues colectivos de análise e pensamento social e político e reencontrar excelentes textos, opiniões pensadas antes de escritas, e o prazer de um bom serão ao sofá a ler. Like.

Uma boa frase

“O centrão político - conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas - anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o "comércio livre", menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela "mão invisível" dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?" Ricardo Paes Mamede, Ladrões de Bicicletas

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