Blog da Semana
A Livreira Anarquista
Em tempo de Feira do Livro, um dos mais divertidos blogues ligados a este universo...
Uma boa frase
“Se o Estado fosse gerido com a competência da equipa de gestão da Jerónimo Martins, seguramente não estaríamos como estamos”
Francisco Proença de Carvalho, Uniºao de Facto
Mais comentários e ideias: pedro.roloduarte@sapo.pt
Pesquisar
 
Ligações
Antena 1
Janela Indiscreta em texto
Janela Indiscreta em rádio
O Hotel Babilónia na Antena 1 (com o João Gobern)
O meu momento de glória no Biography Channel
Lux Woman, a revista onde escrevo todos os meses

Arquivo
2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


Mais comentados
79 comentários
69 comentários
59 comentários
Subscrever
Sábado, 8 de Dezembro de 2007
(Ao sábado, memórias e reedições. Uma carta, algures em Dezembro de 2005)
Caros amigos, colegas, colaboradores:
Tudo o que tem um começo tem também um fim. E ao fim de nove anos de boatos e ameaças, de rumores e “rádio alcatifa”, finalmente é verdade: o DNA acaba na primeira semana de Janeiro de 2006. No seu lugar, nas páginas do DN, nascerá um novo suplemento, com características distintas, e uma equipa presumivelmente diferente (seguramente outra, no que me diz respeito, uma vez que a não integrarei).
Foram nove anos de caos e alegria, com momentos exaltantes, com vitórias conquistadas a pulso, e acima de tudo com um conjunto de pessoas que me orgulho de ter reunido e alimentado. A pão-de-ló, sempre que me foi possível.
Dos erros cometidos não quero nem falar. Do orgulho que tenho em ter imaginado, concebido e editado o suplemento, não tenho palavras que cheguem para vos dar conta da minha alegria. O DNA foi o projecto mais apaixonante que tive na minha vida profissional – e se assim o sinto, a vós o devo. Porque os jornais são pessoas, são palavras, são imagens, são ilustrações. Porque o DNA foi tudo isso com uma dose reforçada de sentimentos, de personalização, de empenhamento. E porque sem estas pessoas o DNA não teria sido este, mas outro – e desse outro também não quero saber, porque felizmente existiu este.
Quando o DNA nasceu o meu filho tinha um ano. Mal falava, mal andava. Hoje tem 10 anos e só não lê o DNA porque não dedicamos muito espaço ao Benfica. Quando o DNA nasceu a Sónia só namorava – hoje é feliz, casada, tem dois filhos e comprou uma casa nova. Quando o DNA nasceu... Há nove anos, tudo era diferente para todos nós. O DNA acompanhou a mudança de todos e de cada um, e entrou nas nossas vidas com naturalidade.
O DNA sofreu, riu, teve doenças, chorou, gritou, caiu e levantou-se, tropeçou e equilibrou-se. O DNA existiu – como uma pessoa feita dos bocadinhos de todas as suas pessoas. Que mais pode um simples suplemento de jornal sonhar?
Mas... Tudo o que tem um começo tem também um fim. E para um projecto pensado para durar dois ou três anos, completar nove anos é obra. Chegar ao fim com orgulho, com páginas que nunca nos envergonharam, e com a certeza de ter cumprido o sonho, dá tranquilidade e serenidade. O DNA não acaba por ter falhado – mas antes por ter vencido. Aliás, o DNA não acaba – chega ao fim, o que é substancialmente diferente. Missão cumprida, é disso que se trata.
Se é verdade que quando se fecha uma porta, abre-se uma janela – então eu prefiro olhar para a janela que se abre e não ficar parado a ver a porta fechar-se. É assim que encaro este final de capítulo. O livro não acaba – vai continuar algures, em cada um de nós, juntos ou separados, pela vida fora. A experiência de mais de 20 anos de jornalismo ensinou-me que os reencontros são mais frequentes do que parecem. E que o futuro reserva sempre boas surpresas. É essa a mensagem que vos deixo.
Junto com ela, vai também a profunda e reconhecida gratidão a todos pelo melhor que deram ao suplemento – e, nessa medida, pelo melhor que me deram a mim. No dia 6 de Janeiro fechamos a porta – mas virá luz da janela que se abre.


publicado por PRD às 01:10
link | comentar | partilhar

4 comentários:
Teresa O.
Caro Pedro,
O DNA continua por certo dentro dos corações de quem o gostava de ler.
Aqui em casa, os preferidos, guardam-se ainda nas prateleiras, e desfolham-se sempre que o coração pede.
Um abraço

deixado em 8/12/07 às 10:54
responder a comentário

F.
As palavras de Prado Coelho a juntar às tuas.
Se a memória encobre também descobre e ao trabalho da memória não se chama outro nome que não seja história:

Adeus, DNA
Eduardo Prado Coelho o fio do horizonte

Parece que já foi há nove anos que Pedro Rolo Duarte inventou um suplemento do Diário de Notícias para sair ao sábado: o DNA. O título jogava com a abreviatura do código genético e ao mesmo tempo com as próprias iniciais do DN. Eu tinha tido uma polémica violenta, mas supérflua, com Pedro Rolo Duarte no âmbito da Visão. Confesso que já não me lembro porquê. Contudo, há uma coisa que tenho procurado ao longo da vida: os conflitos pessoais anteriores não devem de modo algum condicionar a pureza do nosso olhar sobre as coisas. Se achamos mesmo bom, devemos dizer que é bom. E é tudo. Os ódios vesgos que envenenam quem os tem e aqueles que deles são objecto devem ser cuidadosamente evitados. E eu gostei do DNA. Muito.
Não são assim tantos os casos de efectiva invenção na imprensa portuguesa para que a gente se possa dar ao luxo de os ignorar. É verdade que existe sempre uma alma caridosa que virá dizer que encontrou na Austrália ou na Patagónia uma publicação que claramente influenciou a publicação portuguesa. E diz isso com aquele regozijo que faz que os portugueses sejam pouco dados ao exercício de gostar. A má-língua, o escárnio e mal-dizer sobrepõem-se sempre à euforia da descoberta. E eles coleccionam com mais facilidade as reservas do que são capazes de apreciar os méritos. É aquele tipo de lucidez que não consegue ver em relação a si que o excesso de lucidez é um excesso de estupidez. Alguns cronistas e comentadores fazem disso alimento. Mas o lado corrosivo do cinismo só se tempera com alguma inocência: e digo "gostei", "gostei muito".
E agora? No âmbito da remodelação gráfica e de conteúdo do Diário de Notícias o DNA acabou. Não sei o que é que o vai substituir. Talvez seja uma criação genial. A ver vamos. Mas a verdade é que quando vejo também que a Grande Reportagem desaparece e que a revista Ler do Círculo de Leitores, dirigida por Mafalda Lopes da Costa, passa a ser anual (!) como o Borda d"Água, há uma enorme tristeza que me invade. Que fazer?, parece que sou irrecuperavelmente nostálgico. Mas custa-me que sejam devoradas pelo tempo publicações que faziam parte dos meus hábitos de leitor voraz e atento. Tenho a sensação de que o mundo fica mais deserto, e que aqueles que gostam de escrever, de fotografar ou de desenhar cada vez têm menos espaços disponíveis.
O DNA tinha uma enorme qualidade: era como um planalto onde o vento nos enchia os pulmões, era um lugar relativamente distanciado do mundo onde apetecia respirar. Não há nada como uma forma de jornalismo que nos dá outro modo de respiração. Inspire fundo. Diga DNA. Havia os editoriais de Pedro Rolo Duarte com os quais nem sempre estava de acordo, mas que lia sempre com prazer. Havia as entrevistas belíssimas de Anabela Mota Ribeiro e de Carlos Vaz Marques. Havia as extraordinárias fotografias de Augusto Brázio ou de Jorge Nogueira (o DNA habituou-nos a olhar para as imagens na imprensa diária). Havia a colaboração regular de alguém cuja personalidade se impunha: Camila Coelho, pseudónimo de uma escritora portuguesa. Havia as intervenções estimulantes de Carlos Oliveira Santos. Havia as excelentes reportagens e crónicas de Sónia Morais Santos. Pedro Mexia escreveu aqui as suas primeiras críticas antes de passar para quase todas as secções do jornal. Havia alguns textos perturbadores de Luís Osório. E assim por diante. Tudo isto já não há. Lamento. Professor universitário

deixado em 8/12/07 às 16:09
responder a comentário

Pedro,

as mesmas lágrimas que caíram há dois anos, no dia que li esta despedida, voltaram a cair hoje também...
O DNa não se esquece nunca, revive na lembrança de cada pessoa que contribuiu para a sua existência (colaboradores e leitores) e tenta-se resistir neste país "pobre" de criatividade, qualidade e magia.
Obrigado pela partilha de tão valiosos sentimentos.

deixado em 8/12/07 às 21:43
responder a comentário

Sónia Morais Santos
Só agora vi. Bola! Há pelo menos três horas que não pensava no DNA. Há umas cinco que não falava no DNA. E agora... isto. Bolas! Lá se vai o meu esforço para pensar noutras coisas.
Beijo!
Esta carta é uma desgraça. Não revelo como fico. Não é preciso.

deixado em 13/12/07 às 21:19
responder a comentário

Comentar post

Post it

Ler mais

Ler mais
Imperdível


Uma descoberta que junta o México ao Brasil. Este sábado também lá no Babilónia...