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Pedro Rolo Duarte

08
Dez07

Uma carta (há dois anos)

(Ao sábado, memórias e reedições. Uma carta, algures em Dezembro de 2005)
Caros amigos, colegas, colaboradores:
Tudo o que tem um começo tem também um fim. E ao fim de nove anos de boatos e ameaças, de rumores e “rádio alcatifa”, finalmente é verdade: o DNA acaba na primeira semana de Janeiro de 2006. No seu lugar, nas páginas do DN, nascerá um novo suplemento, com características distintas, e uma equipa presumivelmente diferente (seguramente outra, no que me diz respeito, uma vez que a não integrarei).
Foram nove anos de caos e alegria, com momentos exaltantes, com vitórias conquistadas a pulso, e acima de tudo com um conjunto de pessoas que me orgulho de ter reunido e alimentado. A pão-de-ló, sempre que me foi possível.
Dos erros cometidos não quero nem falar. Do orgulho que tenho em ter imaginado, concebido e editado o suplemento, não tenho palavras que cheguem para vos dar conta da minha alegria. O DNA foi o projecto mais apaixonante que tive na minha vida profissional – e se assim o sinto, a vós o devo. Porque os jornais são pessoas, são palavras, são imagens, são ilustrações. Porque o DNA foi tudo isso com uma dose reforçada de sentimentos, de personalização, de empenhamento. E porque sem estas pessoas o DNA não teria sido este, mas outro – e desse outro também não quero saber, porque felizmente existiu este.
Quando o DNA nasceu o meu filho tinha um ano. Mal falava, mal andava. Hoje tem 10 anos e só não lê o DNA porque não dedicamos muito espaço ao Benfica. Quando o DNA nasceu a Sónia só namorava – hoje é feliz, casada, tem dois filhos e comprou uma casa nova. Quando o DNA nasceu... Há nove anos, tudo era diferente para todos nós. O DNA acompanhou a mudança de todos e de cada um, e entrou nas nossas vidas com naturalidade.
O DNA sofreu, riu, teve doenças, chorou, gritou, caiu e levantou-se, tropeçou e equilibrou-se. O DNA existiu – como uma pessoa feita dos bocadinhos de todas as suas pessoas. Que mais pode um simples suplemento de jornal sonhar?
Mas... Tudo o que tem um começo tem também um fim. E para um projecto pensado para durar dois ou três anos, completar nove anos é obra. Chegar ao fim com orgulho, com páginas que nunca nos envergonharam, e com a certeza de ter cumprido o sonho, dá tranquilidade e serenidade. O DNA não acaba por ter falhado – mas antes por ter vencido. Aliás, o DNA não acaba – chega ao fim, o que é substancialmente diferente. Missão cumprida, é disso que se trata.
Se é verdade que quando se fecha uma porta, abre-se uma janela – então eu prefiro olhar para a janela que se abre e não ficar parado a ver a porta fechar-se. É assim que encaro este final de capítulo. O livro não acaba – vai continuar algures, em cada um de nós, juntos ou separados, pela vida fora. A experiência de mais de 20 anos de jornalismo ensinou-me que os reencontros são mais frequentes do que parecem. E que o futuro reserva sempre boas surpresas. É essa a mensagem que vos deixo.
Junto com ela, vai também a profunda e reconhecida gratidão a todos pelo melhor que deram ao suplemento – e, nessa medida, pelo melhor que me deram a mim. No dia 6 de Janeiro fechamos a porta – mas virá luz da janela que se abre.

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“O centrão político - conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas - anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o "comércio livre", menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela "mão invisível" dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?" Ricardo Paes Mamede, Ladrões de Bicicletas

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