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Pedro Rolo Duarte

09
Fev09

Sem Bloco

Posso perceber que pessoas tão diversas como o Nuno Miguel Guedes, o Paulo Pinto de Mascarenhas, a Ana Sá Lopes ou o Rodrigo Moita de Deus achem que o Bloco de Esquerda “é importante” porque se está a tornar “um partido como os outros” – e isso significa, como bem escreve Medeiros-Ferreira, “entre um partido de campanhas (...) e uma força para-governamental”.

Mas daí ao voto, ao peso eleitoral, vai um certa distância – espero e acredito.

Assim sendo, confesso (e convém notar que esta confissão vem de uma pessoa que já terá sido de esquerda, no sentido mais ortodoxo da palavra...): tendo José Sócrates desiludido a minha expectativa neste mandato, não me passa pela cabeça votar “alternativamente” no Bloco de Esquerda. O drama daqueles que acreditaram numa certa ideia moderada do PS de Sócrates está exactamente aí: não se revêem à esquerda nos aventureirismos de Alegre, nas ambições arrivistas do Bloco, ou na “aldeia gaulesa” onde resiste o PCP; nem, por outro lado, encontram alternativa séria e credível neste PSD, nos novos Movimentos pretensamente humanistas e pueris, ou no discurso zig-zag do CDS.

A esquerda que o Bloco pode herdar (ou capitalizar, numa linguagem mais modernaça...) é aquela que ainda não percebeu que está num beco sem saída. A outra, a que porventura sinto pertencer, anda à procura daquilo que perdeu: a confiança.

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“O centrão político - conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas - anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o "comércio livre", menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela "mão invisível" dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?" Ricardo Paes Mamede, Ladrões de Bicicletas

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