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Pedro Rolo Duarte

26
Fev09

O que acontece no tempo que corre

Aderi ao Facebook há dois anos, com a mesma leviandade, inconsequência e descrédito com que aderi ao Hi5, ao MySpace e a outras redes a que nem tenho acesso porque entretanto perdi as passwords e as páginas de entrada. Sou assim e já não devo mudar...

Durante muito tempo, o Facebook (FB) reduzia-se, na minha vida, a uns mails que me informavam que pessoa A ou B “added you as a friend on Facebook.  We need to confirm that you know R. in order for you to be friends on Facebook”. Não dei grande atenção.

Por causa das crónicas da rádio, dos blogues, e de pessoas que precisava de contactar, comecei a frequentar no ano passado, com maior frequência, aquela rede. Apercebi-me então da funcionalidade e da graça do FB por oposição à infantilidade e inutilidade das demais redes congéneres: o utilizador pode construir a sua presença/página à medida dos seus interesses, gerir os acessos de estranhos educada mas rigorosamente, e há uma relação directa e lógica entre a atitude do utilizador e a reacção da rede. Isto quer dizer: mais actividade provoca maior reacção, o recato é em geral respeitado, e o gossip é moderado, porém divertido. Quase como se o Facebook fosse o meu bar – e como se o meu bar fosse do tamanho do planeta, ainda assim frequentado por quem conheço ou amigos de quem conheço. Sem hora de fecho ou abertura... Parece perfeito, não é?

Claro que não é.

Mas tornei-me militante da coisa. Faz parte das minhas rotinas diárias, e já me deu algumas alegrias – nomeadamente, o reencontro com pessoas que há muito não via ou sobre as quais nada sabia há tempo demais, além de um contacto próximo com aqueles de quem gosto e que de mim gostam.

Ontem comprei de propósito a “Fortune” por causa do artigo de capa. Fiquei a saber que o Facebook (3,7 biliões de dólares de valor oficial em Junho do ano passado...) é campeão na velocidade de adesão: em cinco anos chegou aos 150 milhões de usuários (o velho telefone demorou 89 anos a conseguir o mesmo, o telemóvel precisou de 14 e o IPod ainda levou os seus sete anos...). Percebi também que a ideia de fazer desta plataforma o denominador comum da comunicação no século XXI – o upgrade tecnológico do telefone e de todo o seu enquadramento - faz sentido no âmbito dos planos de desenvolvimento que a marca revela no artigo da revista. Na verdade, comunicar não é mais o acto puro e simples de falar – é isso e tudo o que envolve o acto: exibir, sentir, cheirar, interagir, ver, ouvir, enfim...

Na capa da “Fortune” está Mark Zuckerberg, 24 anos, o fundador e CEO do “Facebook”. Miúdo do caraças.

E eu não consigo deixar de exclamar. Que tempos apaixonantes, fascinantes, demolidores, radicais e fantásticos, estes que vivemos por entre crises, dramas e emoções fortes...

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Uma boa frase

“O centrão político - conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas - anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o "comércio livre", menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela "mão invisível" dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?" Ricardo Paes Mamede, Ladrões de Bicicletas

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