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Pedro Rolo Duarte

19
Mar09

Correio da Manhã

Em 1981, o jornal Correio da Manhã tinha um suplemento semanal, chamado “Correio dos Jovens”, dirigido pelo jornalista Victor Silva Lopes. Vivia de colaboração avulsa, e gratuita, de jovens leitores. Foi por aí que comecei a ser jornalista. Tinha 17 anos e mandava artigos em doses generosas para o suplemento. Era feliz quando via o meu nome no jornal – tão feliz que um dia telefonei ao Victor Silva Lopes e ofereci-me para escrever de borla todas as semanas. Ele gostou da ideia – e daí em diante, nas manhãs de quarta-feira, lá ia de autocarro até ao Príncipe Real, descia a pé a Rua da Palmeira até ao edifício da Rua Ruben A. Leitão, e entregava os originais escritos à máquina. Sobre música, sobre política, sobre temas internacionais...

Nesse tempo, não era suposto que se lesse o Correio da Manhã – por ser popular, “escorrer sangue” (expressão típica dos mais velhos), e ser vagamente de direita. Ainda ninguém tinha esquecido uma manchete num domingo eleitoral onde se lia “A Democracia vencerá”, sendo que o “A” e o “D” (de “democracia”) apareciam em negativo, dando à distância a leitura de cartaz: “AD vencerá” (Aliança Democrática, para quem não era “nascido”, era o nome da coligação que juntou PSD, CDS e PPM...).

Eu lia o jornal. E colaborava. Sempre fui um bocadinho ao lado do meu próprio mundo...

O Correio da Manhã tem a sua História, e essa história tem os seus casos. Mas o jornal teve uma evolução contraditória com a lógica que lhe estaria subjacente: à medida que os anos foram passando, e que as vendas foram subindo, o jornal melhorou em todos os seus aspectos. Organizou-se. Profissionalizou-se. E sem nunca perder o estatuto de jornal popular, ganhou qualidade e profundidade. Tem hoje excelentes colunistas. É rigorosamente transversal. E sem deixar de ser “um tablóide”, é um diário respeitado.

Faz 30 anos numa excelente forma, e reforça a sua condição de líder com novos colunistas, ideias inovadoras, e uma “forma de estar” que deixa bem longe os seus congéneres europeus, previsíveis e gastos.

Passados 30 anos, leio o “Correio da Manhã”, como nesses tempos do “Correio dos Jovens”, sem vergonha. Em 1981, publicava nele os meus primeiros textos, escritos à mão e depois passados à máquina. Vinte e oito anos depois, deixo virtualmente num blog o meu testemunho. O tempo que passou foi o tempo que o CM evoluiu. Gosto de ver como esse tempo passou bem.

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Ladrões de Bicicletas. Voltar a um dos mais clássicos blogues colectivos de análise e pensamento social e político e reencontrar excelentes textos, opiniões pensadas antes de escritas, e o prazer de um bom serão ao sofá a ler. Like.

Uma boa frase

“O centrão político - conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas - anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o "comércio livre", menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela "mão invisível" dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?" Ricardo Paes Mamede, Ladrões de Bicicletas

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