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Pedro Rolo Duarte

08
Jan17

O fio não foi cortado

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 Tudo dito, uma forma de dizer mais qualquer coisa.

Ainda que Mário Soares não fosse crente, aceitemos estas palavras de Santo Agostinho. Acho que se identificaria com elas:

 

"Que meu nome seja pronunciado
como sempre foi,
sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra
ou tristeza.

A vida significa tudo
o que ela sempre significou,
o fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora
dos seus pensamentos,
agora que estou apenas fora
da sua vista?

Eu não estou longe,
apenas estou
do outro lado do Caminho...

Você que aí ficou, siga em frente,
a vida continua, linda e bela
como sempre foi."

07
Jan17

A peste voltou

(Quinta-feira que passou, na plataforma/newsletter Sapo24)

Tinha à minha frente a ultima crónica de Miguel Sousa Tavares no Expresso e estava preso ao destaque que o próprio jornal fez do texto: “As redes sociais são a peste de hoje. O seu veneno espalha-se como a peste, destrói como a peste, mata como a peste”. Não é novo, vindo do Miguel (e salvaguardo que sou amigo dele…), mas vai-se tornando menos razoável à medida que, abordando o fenómeno como se fosse um mundo todo igual, e sempre nocivo, acaba por parecer um militante do próprio espaço virtual, e embarcar no pior que as redes sociais têm: a generalização da ignorância.
A frase de Miguel faz pouco sentido no momento que vivemos - é equivalente a abater sumariamente os centros comerciais para defender o comércio tradicional; ou defender o fim do You Tube em nome dos cinemas de bairro ou da televisão clássica. É a negação de uma evidência que já não podemos contrariar - e que nasceu de geração espontânea, e cresceu sem controlo e sem filtro, no melhor e no pior que essa explosão caótica pode ter. Nunca é demais lembrar: as redes, todas as redes, apareceram antes que houvesse quem as controlasse e transformasse em negócio. Como tudo o que é novo, e tem qualidades e defeitos intrínsecos, é facilmente criticável. Neste caso, e como espaço de liberdade infinita, é ainda mais frágil: serve de depósito de lixo para quem não sabe como limpá-lo da sua existência, de terapia sem terapeuta para as frustrações de muitos, e até serve para alimentar causas - que podem ser louváveis, como as que nos aproximam quando há um atentado terrorista, ou lamentáveis, quando cultiva ódios e mentiras que conduzem a esses mesmos atentados.
Mas não era nisso que pensava quando fui “interrompido” pela crónica do Miguel. Estava, isso sim, estupefacto com o ranking dos 20 programas de televisão mais vistos em 2016, e de como essa lista, à luz de um argumentário preconceituoso, me poderia levar a vir para aqui gritar e espernear.
Tão simples como isto: os 20 programas mais vistos na TV portuguesa em 2016 foram todos jogos de futebol, com excepção do 15º, que é… uma “Flash Interview” do Europeu de futebol!
Que dizer do triste Top que nos é oferecido, e que leva um Portugal -País de Gales a ter mais de 3,7 milhões de espectadores, ou um Benfica - Bayern cerca de 2,5 milhões? Posso chamar-lhe também uma peste? Posso falar de alienação e dizer que o futebol é o culpado da ignorância nacional, do desinteresse generalizado pelo estado da Nação? Posso recordar os índices de abstenção eleitoral?
O caminho mais fácil, face a este quadro de miséria, era apelar à proibição, criar legislação que impedisse tanto futebol na TV, chamar ao futebol uma “doença” e, no limite, acusá-lo de matar como a peste.
Porém, nem é preciso evocar a palavra “democracia” para aceitar que jamais mudaremos uma paixão nacional como esta. O futebol mobiliza os portugueses para lá do alcance da compreensão racional - e querer contrariar a evidência é como pretender parar o vento com as mãos.
Eu, que gosto de futebol mas não mudo a minha agenda por causa de um desafio, fico triste quando vejo o top dos programas mais vistos. Mas longe de mim chamar-lhe peste, convocar o diabo ou o antigo “ópio do povo”. É tentador ver o mundo a preto e branco e dividir tudo em bom ou mau - mas é por isso que ele, o mundo, anda tão agitado. E doente. Não é por causa das redes sociais.

01
Jan17

Caso estejamos em 2017…

… Mantenho os desejos de 2016, e não se concretizaram, e gostava sinceramente de perceber a lógica de entalar passas na garganta enquanto se pede o impossível, o improvável, ou pelo menos o que se sabe previamente que não depende de nós. Alinho na coisa, até faço questão de usar passas que trago de casa, e não resisto a pensar que, se assim não for, tudo pode ser ainda pior.
Mas depois leio uma notícia de jornal onde se revela que o ultimo minuto de 2016 tem 61 e não 60 segundos, o que significa que o ano começou um nadinha mais tarde do que assinalámos. Sem querer, regresso à crónica de quinta-feira passada na plataforma Sapo-24.
Foi isto que eu escrevi, oh raios…

“Ao longo dos últimos meses, com as inesperadas mortes que nos apanharam pela frente, com as tragédias (esperadas ou não…) que se abateram um pouco por todo o Mundo, e com surpresas como a eleição de Donald Trump, a ideia mais forte que as redes sociais foram transmitindo - redes quase sempre fracas de ideias fortes… - foi “Xô, vai-te embora 2016, ano aziago, ano mau”. Não há quem não queira 2017 já aí, como se a passagem de um ano para o outro trouxesse mudanças substanciais no correr dos factos. É bom - e faz bem à saúde, de certeza… - acreditar que aquele pequeno salto que damos, à meia-noite de 31 de Dezembro, da cadeira da sala para o chão, pode ser um grande salto, senão para a humanidade, que tem a Lua distante, para as nossas expectativas, que andam tão baixinhas. Não me parece que falhe muito se vos der a má notícia: não muda grande coisa… (Gozo com o tema, mas também salto da cadeira, como as 12 passas e saúdo o novo ano. Secretamente, porém, rio com os factos…)
Na verdade, de entre as incontáveis imperfeições que nos rodeiam, uma das mais risíveis, e que nos põe logo de pé atrás em relação à ideia de tempo e idade, é o calendário que, em teoria, nos rege. Digo em teoria porque, embora o tenhamos adoptado há mais de 500 anos (houve países que só no Século XX se renderam…), ele varia para outros quadros em uso - dos hindus aos chineses, dos iranianos aos budistas - e está recheados de pormenores inventados pela comissão de sábios que o Papa Gregorio XIII nomeou para o produzir. O calendário é uma espécie de rascunho de Excel que só usamos porque, generalizado, acabou por aproximar os povos. E nessa sua premissa, o Papa tinha razão.
O número de acertos, emendas, excepções e delírios que o calendário Gregoriano tem levam-me a pensar que, se fosse tomado à letra sem essas pequenas “rasuras”, no sábado não acabaria 2016 - ou já teria acabado há muito. Por causa deste nosso “mapa” do ano, desapareceram dias na História (5 a 14 de outubro de 1582, dizem os entendidos),  os anos têm de ser divisíveis por 400, foi forçadamente corrigida a medição do ano solar, e até para a Igreja deu-se como adquirida a confusão: a Páscoa nunca mais teve dia certo, ainda que tenha uma regra aplicável…
Usando a ideia batida do copo meio-cheio e do copo meio-vazio, esta imperfeição em que vivemos pode dar algum jeito. Todos queremos que 2016 vá embora, porque foi um ano de muita dor, de muita tristeza, de muita desilusão - mas, por outro lado, talvez já tenha ido, ou talvez não seja inteiramente culpado. Talvez esta nossa contagem de tempo valha tão pouco que não haja balanços para fazer nem perdas e ganhos a considerar.
No sábado, fingiremos que entramos num tempo novo - e se a vontade for muita e de muita gente, vai certamente ajudar a dar um novo impulso ao que temos pela frente. As efémeras alegrias de um Europeu ou de um português na ONU não medem forças com os que partiram e nos farão falta, nem com as tragédias humanitárias que não cessam nem por nada - cada facto vale por si, e para cada um de nós tem o seu valor. Este calendário mal amanhado com que o Mundo se rege tem essa qualidade certamente não calculada: o valor do tempo em que se integra já inclui o caos, o desnorte, a imprevisibilidade - mas também a liberdade de pensarmos que não há coincidências ou tudo não passa da soma de muitas coincidências.
Num caso como noutro, alivia-me pensar que o calendário não manda em tudo. Porque é tão imperfeito quanto nós. E ainda mais aleatório.
Pronto. Vou entrar em 2017 hoje ao fim do dia. Está decidido”.

…E como se não bastasse, ainda nos deram um segundo indesejado e atrasaram um desejado segundo. 2017?

04
Dez16

Quanto tempo dura um like?

capa dna mac.jpg

Gosto de datas. Gosto de assinalar datas, as boas e as más, os casamentos, as divórcios, nalguns casos até as festas ou as estreias. Todas as datas me remetem para pessoas e factos de que, sem uma nota, provavelmente já teria esquecido. Dada a minha memória galinácea, é um passatempo e um velho hábito que às vezes dá um jeitaço…
… Não espanta, portanto, que me tenha lembrado do dia em que o DNA faria, se ainda existisse, 20 anos. E fiz a nota que está aí abaixo. Como tudo o que publico aqui no Blog é replicado na minha página pessoal do Facebook, o post foi visto por muita gente e tem agora mais de 250 likes e dezenas de comentários. Rasgados elogios, saudades comovidas, pedidos lancinantes de regressos impossíveis. Um festival.
Todos nós, que fizemos o suplemento, gostamos destes mimos. E estamos gratos. E não esquecemos.
O que é irónico e dá que pensar é o facto de, entre essas centenas de pessoas que deixaram por lá likes e comentários, estarem os editores e jornalistas que, nos últimos dez anos (ou seja, desde que o suplemento acabou), podiam ter pensado, feito ou encomendado os DNA’s todos do Século XXI, podiam ter atendido o telefone quando lhes liguei, ou respondido aos mails de quem tinha ideias e projectos para novos suplementos - ou podiam, pelo menos, ter mandado uma mensagem com esse “like” que fez falta à equipa de pais e mães do suplemento na "passagem pelo deserto".

Mas não. Agora, 20 anos depois, é que se lembraram de pensar.
Agradecemos na mesma, claro. Só esperamos que os “likes” não sejam vistoriados pela ASAE e não tenham prazo de validade. Senão…

29
Nov16

A idade calçada

IMG_2422.jpgSala de espera de uma consulta. Ao meu lado estão duas mulheres, que percebo pela conversa serem irmãs ou cunhadas. Devem ter ambas mais ou menos 60 anos. Iguais à mais normal mulher portuguesa com que nos cruzamos diariamente. "Pobres mas honradas", "pelo menos não andamos aí a roubar e temos uma vida honesta", "Ainda há mulheres sérias em Portugal". Normalmente as mãos cheiram a lexivia, há uma malhinha por cima de um camiseiro simples, calças de poliéster, uma carteira que vai debaixo do braço. Porém, no conjunto, há aqui nuances.
Uma. Passa o tempo a lamentar-se porque o lenço já está sujo e ainda agora começou a assoar-se, porque as bolachas que trouxe afinal estão moles, porque está mais gente à espera do que é costume. E viste que há mais de 40 mulheres presas por matar? E dizem que são só eles a matá-las? E esta dor que não passa? A Dra parece que não me ouve.
A outra. Agarrada ao telefone. Afinal a Isilda diz que os coentros pegaram lá naquele cantinho ao pé das favas! Eu sempre disse que era só não deixar o gato andar por ali… Os gatos são manhosos, e há cheiros que lhes dão vontade. Lá na Assafora, quem tinha hortas não deixava os gatos andarem à solta. Isto hoje está demorado. Deve ser por ser fim do mês. O Ruben que vá fazendo os trabalhos de casa. Ah, sim, e receberam o subsídio de Natal - em vez de prendas, vão ao médico…
Uma. Já nem para a saúde sobra. Os remédios que levei para o miúdo da Natália custaram 50 euros, já com o desconto. Não sei onde é que isto vai parar. Mais vale morrer, é mais barato.
A outra. Ai mulher, não sejas assim, que coisa.
Uma. Também já calças ténis. Tá bonito tá.
A outra. Cómodos e quentinhos. Essa é que é essa. E olha que até me parece que as pernas aleijam menos quando as dobro.

Chamam a senha 23. Só fiquei com a imagem dos sapatos que marcam a diferença. O preço é o mesmo, acho que ainda ouvi.

27
Nov16

Cuba, outra vez

A idade é lixada, mas às vezes ainda ajuda: ía escrever sobre Cuba, a propósito da morte de Fidel, mas uma qualquer campainha, ainda com pilhas na memória, me avisou que já o tinha feito, neste mesmo Blog, há uns anos. Em rigor, em Fevereiro de 2008, quando o ditador se retirou da boca de cena. Percebi que iria basicamente repetir a mesma lengalenga de há 8 anos. Achei mais sensato - e poupado, também para os neurónios… - ir buscar o texto original, “Dez Dias em Cuba”, e republicá-lo. Cá fica:


“O que restava de certa esquerda a correr-me no sangue foi varrido em escassos dez dias, nos idos de 1993, quando umas inesperadas férias me levaram a Cuba.
Parti na legitima e pacifica intenção de namorar, fazer praia e conhecer Havana. O Cáceres Monteiro, grande jornalista (e bom amigo, saudade...), que por lá tinha andado em trabalho diversas vezes, desenhou-me um “roteiro de repórter” que começava, naturalmente, no Hotel Havana Livre, onde Fidel se instalara depois da triunfante entrada na cidade, em 1959. E passava por todos os ícones da capital cubana, da Bodeguita del Medio ao clássico Centro de Imprensa Internacional.
Confesso que aterrei em Havana com uma vaga, muito vaga esperança de encontrar um povo realmente feliz, apesar de todas as limitações com que vivia. Um povo feliz, apesar do embargo. Conversei com taxistas, empregados de hotel, banheiros da praia, médicos, professores. Encontrei gente invulgarmente culta e formada.
Mas, em vez dessa felicidade que a propaganda vendia a rodos, em vez desse povo em festa permanente nas ruas, imagem de cartaz e de postal, encontrei miséria em todos os cantos e recantos da Ilha. Miséria disfarçada e escondida numa paz podre feita de policias que controlavam policias e outros policias para controlar os restantes. Miséria descarada nos racionamentos, nos professores universitários que acumulavam empregos para poder comprar um frango. Miséria humilhada na prostituição dentro dos hotéis e à porta das “lojas de turistas”. Miséria travestida de artesanato barato, charutos aldrabados e “paisagem típica” que não passava de degradação e sujidade.
Como se fosse pouco, a liberdade não passava por ali.
E quanto à alegria de viver, nem a sombra: vi nostalgia, saudade, desconsolo e desalento.
Foram dez dias a tentar ter férias num país que não se cansava de me mostrar que não havia mais “amanhãs que cantam” em parte alguma do planeta. Foi mesmo assim: o que restava de certa esquerda a correr-me no sangue foi varrido em escassos dez dias.
Demorei dias, semanas, a conter, controlar e aplacar a tristeza que me invadiu o olhar no dia em que deixei Havana. Ali ficou o último resquício da adolescência. O último bocadinho de utopia. Uma lasca de um muro que começara a cair em 1980, no meu pequeno mundo, e que ruiu por completo, no mundo de todos nós, nesse feliz final de 1989.
Essa tristeza que trouxe de Cuba continua por perto enquanto a agonia daquele regime durar. Não é demais lembrar: o regime não terminou ontem.
Nota - Lembrei-me desta viagem por causa de Fidel, sim – mas especialmente por me ter deslumbrado este texto de Ana de Amsterdam.”


26
Nov16

Não vá o optimismo entusiasmar-se…

(Crónica do Sapo24 de quinta-feira passada.)
Há dias em que, por efeito do sol ou de uma qualquer descarga extra de serotonina pelo corpo fora, acreditamos a acordar que o Mundo, apesar de Trump, é hoje um lugar melhor e mais simpático para viver, e o ser humano tem tendência para se tornar mais civilizado e sensato.
Porém…
… Porém, é melhor não mergulhar de cabeça nesse caldeirão, que além de ser mais pequeno que o de Obélix - o que pode deixar marcas no mergulho… -, com frequência é desmentido pela realidade, como sucedeu nas últimas semanas. Mesmo que, em geral, a paisagem possa parecer mais bonita, uma aproximação à realidade portuguesa pode estragar tudo. E depressa. A única forma de prevenir o choque, e o consequente trauma, é estar preparado para o pior.
Um conselho que pode ser muito útil, para baixar expectativas, e evitar frustrações, nos dias que correm: sempre que, num momento de inexplicável optimismo, acharem que a sociedade ocidental tem evoluído, que somos hoje mais inclusivos, menos racistas, homofóbicos, sexistas, enfim, que estamos no caminho que vai de encontro à Declaração Universal dos Direitos do Homem, abram um jornal desportivo. E caiam na realidade. É um bom exercício.
Podem ter a “sorte” de apanhar um dia mais morno, sem grandes manchetes ou histórias cabeludas. Mas é raro… Em geral, levam sempre um banho de realidade que tanto pode passar por uma agressão animalesca como uma troca de insultos que envolvem toda a familia dos envolvidos - ou, nos casos mais pitorescos, uma cuspidela que envolve líderes de clubes presumivelmente adultos e educados.
Sobre a famosa cuspidela, não adianta chover no molhado. Daqui a cem anos, quando os Historiadores andarem a vasculhar os media de 2016, vão certamente estranhar o interesse e a minúcia com que o tema foi explorado e debatido, numa obsessão quase doentia que, no limite, levou um dos protagonistas a ter o momento iluminado de explicar as cuspidelas dos jogadores em campo como um reflexo nervoso próprio do futebol…
Estávamos a fechar o capitulo “Saliva que se expele da boca” (cito dicionário, claro), quando a mesma imprensa desportiva revela que, num desencontro verbal entre Cristiano Ronaldo e Koke, durante o Atlético Madrid - Real Madrid, de sábado passado, ao ser chamado de “maricas”, Ronaldo terá respondido: “Sou maricas mas cheio de dinheiro”…
Repare-se na sofisticação e lógica da resposta: à ideia de “maricas” responde-se com… dinheiro. Podia ter sido “Sou maricas mas sou o melhor jogador do mundo” ou “Sou maricas mas tenho uma cadeia de hotéis com o meu nome”. Tanto faz. Trata-se de uma nova forma de associação que nos pode levar longe - eu chamo socialista ao adversário, e ele arruma-me: “sou socialista mas sou do Benfica!”; “sou louro mas sei cozinhar!”, e não tem fim o ridículo de conjugações que podemos encontrar.
E ficaríamos pela brincadeira parva não se desse o caso da resposta de Ronaldo - como o “insulto” de Koke - não revelassem que, apesar das leis, da boa vontade e das melhores intenções, nada mudou muito mais do que, como canta Sérgio Godinho, na “ilusão das aparências”. Quando chega a hora da verdade, quando o sangue ferve e o raciocínio deixa de ter filtro, a maioria de nós volta a ver tudo a preto e branco, mergulhada nos mesmos preconceitos, intoxicada pelo mesmo passado. Nessa medida, o mundo do futebol continua a ser um dos mais fieis barómetros da nossa realidade social - e uma forma segura de baixarmos as expectativas e aceitarmos que continua tudo por fazer. Mesmo quando estamos cheios de dinheiro. O que nem sequer é o caso.

23
Nov16

80 anos

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Há 80 anos, neste dia, nasceu a revista que mudou tudo o que o jornalismo pensava sobre si próprio. Sublinho: não mudou o jornalismo. Apenas a forma de o pensar semana a semana.

E é o que mais falta nos dias que correm: pensar. Raio de verbo.

Blog da semana

O Diplomata. Dez anos de blog é obra. Alexandre Guerra festeja, e com razão, um espaço de reflexão, análise e opinião do mundo político internacional. Merece o bolo.

Uma boa frase

“Se isto fosse no tempo do Sócrates, a esta hora o Trump já tinha em cima da mesa uma proposta da Mota-Engil para a construção do muro. Com financiamento do BES e projecto do Siza Vieira." Rui Rocha, Delito de Opinião

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