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Pedro Rolo Duarte

01
Dez14

A Joana

lx 70.jpgFiz parte da equipa de fundadores do jornal “i”. Coube-me (e estarei sempre agradecido ao Martim, ao Francisco e ao André) a edição da revista que, durante o primeiro ano do jornal, animou a sua edição de fim-de-semana. Como a revista era quase um outsourcing, eu ía à redacção dois dias por semana, para fechar a edição. Tinha uma mesa num dos cantos da fila de lugares da secção Mais, onde se multiplicavam jornalistas com menos de 30 anos. Ou 25. Havia uma excepção: o Mendes Nunes. E outra: a secretária da revista. E mais uma: eu.
Como não conhecia ninguém, divertia-me a tentar adivinhar quem seriam os rostos dos nomes que lia no jornal. Acertei alguns, falhei a maioria. Mas a maior surpresa foi mesmo uma miúda muito bonita, sempre de sorriso aberto, porém tímida, discreta, que dado este quadro que vos descrevo não podia de todo ser a jornalista de mão cheia que assinava matérias óptimas, bem escritas, ousadas, inteligentes, com sentido de humor, sob o nome Joana Stichini Vilela.
Um dia, descobri que era mesmo ela. Um talento enorme, uma modéstia que só lhe ficava bem, e o tal sorriso aberto com um olhar que tanto parecia ser discreto, como podia ser irónico. Nunca cheguei a conclusões sobre esta parte.
Mas isso agora interessa pouco: a Joana, há dois anos, lançou um livro, LX-60, que materializava uma excelente ideia - desenhar um quadro da Lisboa da década de 60 através das suas histórias, personagens, ruas, edifícios, num meticuloso trabalho de edição jornalística, design e imagem. Juntou-se ao homem que desenhou o “i” (Nick Mrozowski, que entretanto voltou aos EUA), e ao que depois o continuou, Pedro Fernandes, geriu uma pequena equipa, e editou um coffee table book de excelência.
Estava-se mesmo a ver que a coisa era apenas o começo. Ontem, na deslumbrante loja da Catarina Portas no Largo do Intendente, apresentou-se a “sequela” da ideia: LX-70, a década (como bem definiu Nuno Artur Silva) “partida ao meio, e que mudou tudo em Portugal”. O livro é outra vez um aprumo de boas ideias, melhores histórias, design, imagem e conceito. Com humor, ironia, mas também com rigor e investigação, reúne e constrói um quadro da década de 70 que toca a todos os que a viveram. Nasci em 1964, o que só me dá direito a meia década de 70. Mas o que lá está, está mesmo.
E ontem, ao ver a Joana, tímida como a conheci, mas nem por isso menos assertiva e divertida, a falar sobre este novo livro, não consegui deixar de me recordar da mesma Joana das mesas corridas do “i”. Uma jornalista do novo tempo, que sabe que as palavras não vivem sem imagens, ideias, conceitos, design e, por fim, sal e pimenta. O livro merece o dinheiro que custa.
E agora fico à espera do LX-80.

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“O centrão político - conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas - anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o "comércio livre", menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela "mão invisível" dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?" Ricardo Paes Mamede, Ladrões de Bicicletas

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