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Pedro Rolo Duarte

14
Ago16

Encontros imediatos com a realidade

Não há hoje revista, jornal ou mesmo blog que não dedique espaço ao chamado “lifestyle”: restaurantes, novos bares, lounges, “espaços”, para não falar dos enervantes “sunsets” (que são basicamente finais de dia na praia regados a álcool e musica que asfixia a melhor banda sonora natural, que é o mar)…

Enfim, deixemos isso.

O problema é quando decidimos seguir as sugestões dos jornais e vamos experimentar os tais “spots” que marcam o prazer da vida. Raramente a realidade corresponde à idílica descrição que lemos. Este verão, já levo vários baldes de água gelada em locais que publicações insuspeitas, como a Time Out, me recomendaram.

Primeiro exemplo: o restaurante “O Fadista”, em Melides. Já tinha tentado lá jantar há uns anos, mas não fui bem sucedido - quem me recebeu tratou-me com duas pedras na mão, e jurei não voltar. Mas como a revista o elegeu nas suas páginas dedicadas àquela zona, e me disseram que a gerência tinha mudado, voltei. Desta vez fui à hora do almoço marcar mesa para jantar. À noite, apresentei-me pontualmente, mas fui logo avisado: vai esperar pelo menos meia-hora. Foram 45 minutos. Dos pratos do dia, restava o frango do churrasco. E tal como em Lisboa faço o teste aos restaurantes pedindo um bitoque (quem não saiba fazer um bitoque, não sabe fazer nada…), no Alentejo peço a clássica Carne de Porco à Alentejana. “O Fadista” chumbou: carne rija, em vez de mistura de sabores, soma de sabores, alguns mesmo sem sabor (como as conchas…).

Segundo exemplo: dois anos depois de reclamar com o pior serviço de um restaurante caro de Lisboa, e de me ser dada razão, volto ao “Café Lisboa”, de José Avilez, que tem, na minha opinião, um bacalhau à brás perfeito. Continua perfeito. O serviço também continua… Indigente, negligente, e tão pouco eficiente que até a conta foi trocada com a da mesa ao lado…

Terceiro exemplo: bar do hotel Bairro Alto, peço ao balcão um Gin Tónico, acrescentando a brincar - mas, no fundo, a sério - que quero um Gin normal, sem mariquice de bagas disto e daquilo, mais zimbro e pimenta rosa e cenas. Quero um Gin com gelo, limão e água tónica. A empregada convence-me a experimentar uma marca que desconheço, com o pretexto de que aquele Gin nem limão leva. Só gelo e água tónica. Aceito a sugestão. No fim, quando me apresenta a conta, a brincadeira custa 16 euros. Onde se esperava o aviso razoável de que era uma bebida com um preço fora do normal, fez-se “a barba ao cliente”, como se diz na gíria da hotelaria. Não penso lá voltar.

E assim, em três exemplos sem grande história, se desfazem os mitos que a mania do “lifestyle”, dos “sunsets” e dos “spots” nos fazem voltar rapidamente para a boa da tasca de sempre. Ou, como costumo dizer: só gosto do que já conheço…

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Uma boa frase

“O centrão político - conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas - anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o "comércio livre", menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela "mão invisível" dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?" Ricardo Paes Mamede, Ladrões de Bicicletas

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